Pushking: Um disco de hard rock merecidamente estrelado

Resenha - World As We Love It - Pushking

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Por Felipe Kahan Bonato
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"The World As We Love It" é o aguardado álbum de estúdio da banda russa PUSHKING que, em 2011, conseguiu reunir uma seleção de estrelas para gravar músicas cujas harmonias foram compostas pelo compositor e vocalista Koha e as letras, pelos "poetas" Oleg Savilov and Valery Kommisarov, do mesmo país. Com esse time, o resultado não poderia ser diferente: uma longa e merecida resenha sobre um disco que, embora esteja calcado no hard rock, consegue oferecer, através das 19 regravações reunidas, um álbum de rock bem variado e de muito bom gosto.

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Após a gritada "Intro", "Nightrider" começa mostrando o ecletismo que a obra abrange, ao oscilar entre uma pegada bem rocker, um andamento mais lento e bons vocais. Além disso, traz diversos instrumentos, como piano e os metais nem sempre frequentes no gênero. "It’ll Be Ok" é menos intensa, mas tem a boa aparição dos solos de Nuno Bittencourt nas guitarras.

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Na sequência, "Troubled Love" traz a dobradinha ALICE COOPER e Keri Kelli, em uma faixa divertida, das mais comerciais de Alice, com o toque mais rebuscado e persistente dos instrumentos. "Strangers Song" é mais contida, mas uma bela balada de forte apelo comercial. "Cut The Wire" traz a característica voz de Paul Stanley, em uma faixa que apela ao funky e conta ainda com bom trabalho de baixo. Stevie Salas em sua guitarra bem timbrada ainda adiciona um bom solo à faixa.

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"My Reflections After Seeing The "Schindler's List" Movie" é, como o nome supõe, mais introspectiva e, até mesmo para isso, conta com a justa participação de Steve Vai, que acerta em cheio em sua colaboração. "God Made Us Free" traz o direcionamento novamente para cima com os vocais de Bonnet que, de modo mais agressivo e repetitivo, guia bem essa música mais moderna. Glenn Hughes, por sua vez, empresta sua voz na lenta "Why Don’t You?", típica faixa das que ele participa (e se destaca) como convidado.

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Com um início misterioso, "I Believe" passa a vez para que o sempre requisitado Jeff Scott Soto possa dominar bem a tradicional e datada faixa, que acaba destoando um pouco do disco. Em "Tonight", a ligeira decadência do álbum é demonstrada, ao apostar novamente em uma canção lenta com Glenn Hughes. De fato, as músicas não são ruins, mas abaixo das demais. A própria "Private Own", novamente com Glenn, acaba sendo uma aposta melhor, pelo refrão melódico, cheio de feeling. O entrosamento entre Hughes e Matt, no final da faixa, também corrobora essa visão.

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Na parte das lentas, há ainda a mais maluca "Open Letter To God" que, grandiosa e bela, dá uma pitada de ópera rock, estilo talvez esperado quando fora anunciado o trabalho e que não se concretiza claramente nesse álbum do PUSHKING. No entanto, tal iniciativa coube bem nesse momento do trabalho. Para nos lembrar de que se trata de um álbum de rock de forma até a contrastar em excesso com a anterior, vem "Nature’s Child" combinando muito bem um ritmo nem tão acelerado com a agressiva voz de Udo. Outra transição brusca ocorre para a lenta "I Love You", uma linda balada que, ao retomar as mais sentimentais e bonitas da década de 80, tem como único pecado o incorreto sequenciamento no álbum.

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"Head Shooter", por sua vez, explora o classic rock e seu balanço com ninguém menos que Joe Lynn Turner. Na sequência, outra personalidade constante em parcerias faz sua aparição em "Heroin". Ao se analisar o elenco, parece substituir a ausência de Coverdale, mas, trazendo a potência de sua voz, Jorn Lande consegue afastar quaisquer comparações justamente por conseguir imprimir sua influência do metal na bela faixa que lidera. Aliás, a densa e quase sinistra "Heroin" foi muito bem construída para tirar o melhor do norueguês. Isso é uma verdade para o resto do álbum também.

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"My Simple Song" é outra faixa meio perdida no disco, e agrega somente a dedicação dos vocais repetidos de McCafferty. Por fim, a descolada "Kukarracha" tenta nos fazer esquecer os deslizes do álbum. Ao introduzir Steve Lukather inspirado nas guitarras e cinco dos brilhantes vocalistas se revezando nos vocais, o PUSHKING não tinha como encerrar de modo mais empolgante seu disco.

Assim, os russos do PUSHKING mostram que têm de exótica apenas sua origem. Apresentando excelentes vocalistas, bons instrumentistas e faixas em geral inspiradas, o grupo mostra o porquê de merecerem contar com a participação da grande quantidade de talentos que marcam "The World As We Love It". Talvez um álbum um longo demais, com 2 ou 3 faixas lentas em excesso, "The World As We Love It" é, além de uma boa apresentação do PUSHKING a quem não o conhece, um disco de hard rock de altíssima qualidade, muito bem composto e executado com maestria. Quem gosta de rock certamente se identificará com algum dos vocalistas participantes do projeto que, até por isso, será apontado merecidamente como um dos melhores de 2011.

Integrantes:
Konstantin "Koha" Shustarev - vocais
Nikolai Yegerev - guitarra
Dmitry Losev - guitarra
Valeriy Sadakov - baixo
Andrey Kruglov - bateira
Vicktor Drobysh - teclado

Faixas:
01. Intro
02. Nightrider (featuring Billy Gibbons)
03. It'll Be Ok (featuring Billy Gibbons and Nuno Bettencourt)
04. Troubled Love (featuring Alice Cooper and Keri Kelli)
05. Stranger's Song (featuring John Lawton and Steve Stevens)
06. Cut The Wire (featuring Paul Stanley and Stevie Salas)
07. My Reflections After Seeing The "Schindler's List" Movie (featuring Steve Vai)
08. God Made Us Free (featuring Graham Bonnet)
09. Why Don't You? (featuring Glenn Hughes)
10. I Believe (featuring Jeff Scott Soto)
11. Tonight (featuring Glenn Hughes and Joe Bonamassa)
12. Private Own (featuring Glenn Hughes and Matt Filippini)
13. Open Letter To God (featuring Eric Martin)
14. Nature's Child (featuring Udo Dirkschneider)
15. I Love You (featuring Dan McCafferty)
16. Head Shooter (featuring Joe Lynn Turner)
17. Heroin (featuring Jorn Lande)
18. My Simple Song (featuring Dan McCafferty)
19. Kukarracha (featuring Joe Lynn Turner, Eric Martin, Glenn Hughes, Paul Stanley, Graham Bonnet & Steve Lukather)

Gravadora: Armoury Records

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Sobre Felipe Kahan Bonato

Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.

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