My Darkest Days: Sonoridade óbvia e nada carismática

Resenha - My Darkest Days - My Darkest Days

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Por Felipe Kahan Bonato
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Outro dia elogiei “All American Nightmare”, disco de 2010 do HINDER, pelo posicionamento único do som da banda. Já ao ouvir o álbum auto intitulado do MY DARKEST DAYS, lançado também em 2010, não só percebi a tentativa de cópia do gênero daquela banda, como passei a valorizar ainda mais o acertado som do HINDER. Produzidos por Chad Krueger, do NICKELBACK, os canadenses do MY DARKEST DAYS estreiam fazendo um rock moderno, que reproduz descaradamente os elementos das outras duas bandas mencionadas.
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Merece menção o fato de que, além de reproduzir o estilo do HINDER, a banda ainda não consegue fazê-lo por si só, tendo recrutado ninguém menos do que Zakk Wylde em “Porn Star Dancing”, que consegue ser, ainda assim, uma boa faixa. O andamento de “The World Belongs To Me”, por sua vez, a torna similar a um cover muito bem feito do NICKELBACK, acrescido de alguns efeitos. Em “Every Lie”, no entanto, as limitações se tornam mais graves. Nota-se a falta de potência nos vocais, geralmente bem marcantes nas bandas que exploram o rock contemporâneo. Em “Save Me”, as vozes beiram o nu metal, tendo um instrumental carregado de modernismos, colaborando para tal impressão. Não bastando tais críticas, ainda conseguem copiar até os erros do HINDER, como em “Like Nobody Else”, em que se exagera negativamente na emotividade, além da falta de criatividade nos instrumentos. Ainda há também a lamentável versão de “Porn Star Dancing” com Ludacris.

Na parte dos acertos, tem-se a abertura com “Move Your Body”, que consegue explorar o peso, a melodia e vocais bem trabalhados sem soar tanto nu metal, como a mencionada “Save Me”. Em oposição ao emo de “Like Nobody Else”, “Can’t Forget You” consegue ser comercial, mais lenta e pop, sem no entanto se contrapor ao rock mais puro. Em “Set It On Fire”, os canadenses conseguem, finalmente, imprimir um ritmo próprio e alegre, importando certo reggae e mantendo sem exageros os efeitos sobre a voz e os instrumentos, o que abre espaço até pra um bom solo de guitarra (o que, diga-se de passagem, não é frequente). “Come Undone” não foge muito da média do álbum, mas se aproveita de um andamento mais lento e leve, incorporando vozes femininas, como na versão original do DURAN DURAN. No entanto, nessa nova versão, o refrão acaba soando como “Life Is Beautiful” do SIXX AM, outra banda parecida com a que está em questão. Com o perdão do chiste, o título de “F*cked Up Situation”, última canção, assim como o nome da banda, pareceram perfeitamente adequados ao ouvinte do disco ao término da audição, tamanho desapontamento. Apesar disso, a derradeira faixa em si consegue mostrar um pouco mais dos instrumentos, um pouco desaparecidos, e do valor do vocalista que, em uma boa performance, consegue renovar minha esperança na banda para trabalhos vindouros.

Apostando no futuro, a banda precisa evoluir em composição, polindo um pouco mais a melodia e abdicando de efeitos que, de forma obsessiva, nada acrescentam à sonoridade do conjunto, principalmente quando alteram os vocais para soarem como o Daft Punk. Outro cuidado em relação aos vocais deve ser tomado sobre a mesma falha apontada no HINDER, ou seja, no exagero em dramaticidade que acaba fazendo com que a música se desvie do estilo esperado. Falando em expectativa, confesso que cheguei ao trabalho desses canadenses quando li algumas resenhas muito favoráveis e esperava um som menos óbvio e mais carismático. Mas, paciência.

Integrantes:
Matt Walst - vocais, guitarra
Sal Costa - vocais, guitarra
Brendan McMillan - baixo
Doug Oliver - bateria

Faixas:
1. Move Your Body
2. Porn Star Dancing
3. Every Lie
4. Like Nobody Else
5. The World Belongs to Me
6. Save Me
7. Set It on Fire
8. Come Undone
9. Can't Forget You
10. Goodbye
11. Porn Star Dancing
12. F*cked Up Situation

Gravadora: Mercury Records

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Sobre Felipe Kahan Bonato

Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.

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