Watchmen: Outro petardo do Whitesnake argentino

Resenha - Nowhere To Hide - Watchmen

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Por Felipe Kahan Bonato
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Acostumado com Iván Sención nos ríspidos vocais da pesada JERIKÓ, é uma agradável surpresa sua presença no projeto argentino WATCHMEN, que prima por um hard rock muito semelhante ao WHITESNAKE por trabalhar de modo semelhante com a melodia, com o instrumental não tão pesado e por ainda conseguir conjugar o timbre potente e belo de Iván. Lançando seu segundo álbum em 2010, intitulado “Nowhere To Hide”, a banda se consagra como um dos grandes nomes do rock da Argentina e mostra que merece ser valorizada também em outros mercados.
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Nesse segundo lançamento, a banda consegue fugir um pouco da sombra do WHITESNAKE, bem mais forte em seu debut. Nesse mesmo sentido, acaba conseguindo formar uma sonoridade mais próxima, até mesmo por incorporar alguns elementos não comuns no rock, como o semi samba (!) das duas faixas iniciais, “The Gathering” e “One”. Por outro lado, para os mais detalhistas, tem-se a impressão, ao final do disco (talvez não na primeira audição), de que as guitarras e os solos foram reduzidos, o que não prejudica o resultado final.

Em relação às faixas, “One” soa sombria, mostrando apenas em seu refrão o que está por vir. Na bela faixa título, as influências oitentistas aparecem, com a presença do teclado e backings, num andamento mais lento e com toda a emoção de Iván nos vocais.

Em “Adrenaline”, os argentinos trazem uma faixa mais pesada, incluindo um bom solo de guitarra e vocais mais agressivos, e mantêm o refrão cativante, sendo essa uma constante do trabalho. “Holy Ground” é outra representante da faceta mais pesada e se diferencia ao adicionar passagens que remetem ao Oriente Médio e a sons típicos da região de Río de la Plata. A acelerada e teatral “Far From Over” exibe a criatividade da banda ao ter uma atmosfera de ópera rock que recorda projetos como “Nostradamus”, do guitarrista Nikolo Kotzev. Ainda no que diz respeito à versatilidade do conjunto, “Lonely Rider” tem um refrão grudento que lembra o hard rock ressurgido na Europa e conta ainda com diferentes andamentos.

“I’ll Be Allright” e “In The End” são as duas baladas do álbum, sendo a primeira baseada em um arranjo bem elaborado que ressalta todos os músicos do grupo, enquanto a segunda, acústica, se assemelha mais a “To Be With You”, do MR. BIG, mas menos empolgada. Merece destaque também a engajada “Tiempos Violentos”, única música cantada em espanhol, que poderia muito bem ter sido adotado em todas as faixas, como no JERIKÓ. Além disso, encerra o disco de maneira forte e com um ótimo solo.

Assim sendo, “Nowhere To Hide” é um grande disco, que não fica atrás da estreia do WATCHMEN. Cabe dizer também que esse álbum consolida o trabalho e a influência de Iván com um dos grandes “cantantes” de metal e hard rock do país. Com a boa discografia desta banda (que inclusive deveria frequentar mais o Brasil, apesar das nossas boas bandas nacionais de hard), tal trabalho deve ser reconhecido também em toda América Latina. Agora, com o estilo consolidado do WATCHMEN, pode-se afirmar que, além de recheada de bandas de thrash e power metal, a Argentina está bem servida do bom e velho hard rock. E como está!

Integrantes:
Iván Sención - voz
Emmanuel López - guitarra
Leonardo Palmieri - teclados
Alan Fritzler - bateria
Sebastian Igino - baixo

Faixas:
1. The Gathering
2. One
3. Nowhere To Hide
4. Adrenaline
5. Lonely Rider
6. Holy Ground
7. I'll Be Alright
8. Dreamworld
9. Solstice In Black
10. In The End
11. Far From Over
12. Tiempos Violentos

Gravadora: Black Star

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Sobre Felipe Kahan Bonato

Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.

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