Oito Milímetros: músicas que são como um chute nas costelas

Resenha - Onde Mora a Justiça - Oito Milímetros

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Por Marcos Garcia
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Cada vez mais, vemos que a cena Punk Rock/Hardcore brasileira está se fortalecendo e novamente crescendo, voltando a ter o respeito e força de outrora. No início dos anos 80, quando ótimas bandas como GAROTOS PODRES, RATOS DE PORÃO, CÓLERA, INOCENTES, OLHO SECO e tantos outros nomes importantes, já bradavam críticas ácidas contra tudo que é alienante e exigindo mudanças sociais, davam suporte ao espírito Anarco-Punk e à ideologia anti-sistema, numa autêntica aula de como ser lúcido e engajado em causas que muitos dão as costas. Talvez seja a hora de muitos aprenderem com eles...

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Na safra destes, com muito a dizer em letras, mas com uma consistência sonora firme e digna de nota, e um som extremamente bem feito e energético, está a banda carioca de Hardcore OITO MILÍMETROS.

Este experiente quarteto (já foram opening act do SEPULTURA) mostra que está numa linha bem DEAD KENNEDYS e THE EXPLOITED, com alguns toques de D.R.I. fase ‘Dealing With It’ e de bandas de hardcore californianas. Com melodias bem sacadas, porém ainda mais agressivas, raivosas e muito personalizadas, a banda já está em seu quarto disco, centro desta resenha, ‘Onde Mora a Justiça’. E um aviso aos mais incautos: quem acredita que bandas como CHARLIE BROWN JR. e RAIMUNDOS são do estilo, peço que conheçam o trabalho dessa banda e vejam o que é o estilo em sua mais pura essência.

A apresentação visual lembra em muito os primeiros discos de Hardcore da história, ou seja, é bem despojada, simples, mas extremamente funcional, com direito ao selo do Parental Advisory. Então, já sabem o que os aguarda. O lado sonoro é um autêntico soco na cara, pois é limpa e bem cuidada, já que cada instrumento pode ser ouvido em seu devido lugar. A sonoridade prioriza a agressividade de tal forma, que já pode ter uma ideia do que é um show desses rapazes!

O CD em si é uma verdadeira aula de Hardcore, com músicas que são um chute nas costelas, sem firulas desnecessárias. Destaques para a curta ‘Tijolada’, que merece o nome e vai causar caos nos shows, assim como ‘Queima de Arquivo’, ambas com levadas alucinantes. Outro ponto alto é ‘Censura’, uma música capaz de erguer os mortos, graças às levadas cheias de energia, com ótimas vocalizações; além de ‘Linha de Frente’, que é capaz de fazer velhos fãs destruírem os coturnos de tanto pogo, graças às ótimas guitarras.

Outro ponto forte é a ótima ‘Rio de Janeiro’, onde a bateria dá um belo molho à música, fora o hino ‘Sk8core’, que fala do hábito de andar de skate e curtir Hardcore, o que levou este que vos escreve a lembrar que a única manobra que aprendi andando de skate foi o ‘tombo’, e olhe lá. Temos ainda outro destaque em ‘Americanizado’, que lembra os primórdios do Hardcore inglês, bem como ‘Positividade’, que deve levar os fãs a loucura. ‘A.P.T.V’ é um pouco mais cadenciada que as outras, mas empolgante, assim como a ótima ‘Filho da Puta’, nesta, com a cozinha bem proeminente, especialmente o baixo agudo, marca do estilo. O ponto interessante é a presença de uma faixa bônus, que é a versão acústica (violão e voz apenas) de ‘A Arca de Noé’, muito interessante e legal.

Muito bom! A banda está de parabéns por fazer um som tão empolgante, e espero poder em breve estar em um de seus shows, pois atitude eles têm, além de uma sonzeira de cair o queixo.

Formação:

Alemão – Vocais
Fábio – Guitarra
Paulinho – Baixo
Baba – Bateria

Tracklist:

01. A Arca de Noé
02. Tijolada
03. Queima de Arquivo
04. Censura
05. Rio de Janeiro
06. Terrorismo
07. Linha de Frente
08. Onde Mora a Justiça?
09. Sk8core
10. Americanizado
11. Positividade
12. A.P.T.V.
13. Filho da Puta
14. A Arca de Noé (versão acústica)

Contatos:
http://www.myspace.com/oitomilimetros
http://www.oitomilimetros.com
http://[email protected]




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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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