Dimmu Borgir: mais pomposo e menos expontâneo

Resenha - Abrahadabra - Dimmu Borgir

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Por Marcos Garcia
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Nos anos 80, inúmeras foram as vezes que eu e meus amigos bangers quisemos os fígados de vários críticos, por sentarem o porrete em bandas que gostávamos, mesmo sendo aquelas manifestações apaixonadas contra o conhecimento de causa de quem estava a mais tempo que nós na estrada, que ouviram inúmeras bandas dos anos 70 e se negavam a aceitar a mudança no modelo musical que a nova década estava impondo, mas muitos deles tinham razão em suas críticas. Nunca vou esquecer de Sérgio Martorelli e suas críticas azedas às bandas mais novas e das subdivisões que surgiam. Hoje, após tantos anos ouvindo Metal, passei a entender e admirar figuras como ele, e mesmo sua postura.
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Tudo isso que escrevi agora é para que entendam minha postura sobre o novo do DIMMU BORGIR, o tão esperado “Abrahadabra”.

Desde que os boatos sobre o novo disco surgiram na net, quase ao mesmo tempo em que o tecladista Mustiis e o baixista (e responsável pelos vocais limpos) Vortex deixaram a banda sob uma polêmica que perdura até o momento, muito se falou e especulou sobre o novo CD, em como ele soaria. Fotos postadas sobre o novo visual, a capa sendo revelada aos poucos, single disponibilizado, e finalmente, depois de tanta ansiedade criada, eu pude ouvir este CD, que junto com o “The Final Frontier” do IRON MAIDEN, deve ter sido o álbum mais esperado do ano.

Tanto a produção visual quanto sonora (esta feita pela própria banda, agora um trio, embora a mixagem tenha sido feita por Andy Sneap) estão ambas impecáveis, no mais altíssimo nível possível, esbanjando profissionalismo, e é fazer chover no molhado falar em cada detalhe.

A intro “Xibir” começa a dar o clima terroroso (no bom sentido) do CD, e quando “Born Treacherous” começa, alternando momentos cadenciados com ênfase em arranjos orquestrados com guitarras mais Thrash Metal, algo já comum nos CDs da banda do “Puritanical...” para cá, com uma grandiosidade que já era esperada da banda, mas é justamente aí que fica evidente algo que só irei elucidar ao final da resenha. Peço que tenham um pouco de paciência.

“Gateways” é a mesma do single, passa, outra envolta em polêmicas por conta do vocal feminino, e creio que seja desnecessário falar mais profundamente dela. Belos teclados e guitarras, em uma música perfeita, assim como “Chess with the Abyss”, esta um pouco mais cadenciada, e a faixa “Dimmu Borgir”, que se inicia com um belo coral, mantém o mesmo nível, com um trabalho de teclados e orquestrações sublimes, cada detalhe em momentos rápidos e mais lentos são extremamente esmerados. Os corais e Shagrath contracenam com elegância poucas vezes vista, em um verdadeiro épico. A faixa “Ritualist” se inicia mais seca, mas logo a mesma competência de sempre, nos riffs de Silenoz e Galder, nos teclados bem arranjados de Gerlioz (contratado para o CD. A banda hoje é só Shagrath, Silenoz e Galder), e na bateria de Daray, e em momentos em que Snowy Shaw (que entrou e saiu da banda para voltar ao THERION) faz duetos com Shagrath perfeitos. Não dá para negar a competência da banda, nem sua grandiosidade.

“The Demiurge Molecule” e “A Jewel Traced Through Coal” são músicas muito boas, onde a ‘banda’ mantém o nível desta Ópera Black Metal que é o CD.

A próxima, “Renewal”, é uma música que começa com um belo trabalho de guitarras, e logo o vocal de Shagrath mais uma vez faz a diferença, transformando a canção em um momento de beleza apocalíptica, bem como a intervenção nos coros elegantes e de bom gosto. Momentos de baixo galopante (tocado por Snowy Shaw) são vistos dando peso esmagador, assim como solos de guitarra de Andy Sneap (que para quem não sabe, foi o responsável por riffs inesquecíveis no SABBAT inglês). Fechando o CD, “Endings and Continuations”, outra que tem uma longa intro, para então virar um ‘grand finale’ para este CD ótimo, com belos corais e orquestrações, vocais limpos masculinos e outros detalhes que podem ser lidos na ficha de produção do encarte.

Um álbum típico de uma banda grande, e como tal, perfeito. E é justamente nesta perfeição que está o grave defeito do CD inteiro: bem tocado, bem produzido, lindo e refinado em cada detalhe, e pode ser um dos CDs mais perfeitos da história do Metal em seus 40 anos de existência, MAS tanta perfeição e esmero evidenciam que falta algo que a banda a tempos tem deixado escapar mais e mais: a própria essência, aquilo que fez de discos como “Enthrone Darkness Triumphant” e “Stormblast” verdadeiros clássicos.

Muitos vão alegar que Mustiis e Vortex fazem falta, mas mesmo com eles, a banda já havia enveredado por este lado cada vez mais pomposo e perfeito em cada detalhe, mas pelo que eu já vi na história do Metal, discos que buscam a perfeição esbarram em uma verdade: Metal é um estilo espontâneo, e a busca pela perfeição técnica acaba destruindo ótimos discos e bandas. E é esta a impressão que tive ao ouvir este CD...

E aqui, tal qual o Sérgio que citei lá encima, me preparo para a tempestade...

Tracklist.
01. Xibir
02. Born Treacherous
03. Gateways
04. Chess with the Abyss
05. Dimmu Borgir
06. Ritualist
07. The Demiurge Molecule
08. The Jew Traced Through Coal
09. Renewal
10. Ending and Continuations

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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