El Peligro: teoria da evolução aplicada ao Hardcore
Resenha - Redentor - El Peligro
Por Marcos Garcia
Postado em 18 de setembro de 2010
Nota: 9 ![]()
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Muitos teimam em dar o Crossover/Hardcore como morto de vez em quando, já que o ‘boom’ ocorrido entre 1989 e 1992 já passou e o estilo voltou a ser relegado aos porões do undergound, mas tal qual o célebre monstro de Frankenstein de Mary Shelley, ele teima em se erguer, e sempre adquirindo novas influências, se miscigenando para sobreviver e adequar-se aos novos tempos, numa típica amostra da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin aplicada na música. E os cariocas do EL PELIGRO mostram que estão por aqui dispostos a lutar por seu lugar ao sol.

A apresentação gráfica do CD é excelente, tendo em vista que cada página do encarte visa ambientar o ouvinte ao conteúdo de cada letra, mostrando extrema preocupação em cada detalhe. No tocante a produção sonora, a banda é mais uma daquelas que nos faz pensar ‘Diabos! Esses caras são mesmo brasileiros??’, pois cada instrumento é ouvido muito claramente, e de tão bem cuidada, se não fossem as letras em português (outro ponto extremamente positivo da banda) que na maioria tratam da triste realidade da Cidade Maravilhosa, ficaríamos confusos.
A intro "Hell de Janeiro" é uma colagem de reportagens de rádios e telejornais sobre a violência no Rio de Janeiro, para ouvir se a introdução de baixo feita por Igor Cruz de "Compre seu Fuzil", uma faixa cadenciada e peso-pesada na melhor linha de bandas como AGNOSTIC FRONT e C.O.C. antigos, sem ser uma cópia de ambas. Já "Império da Maldição" alterna entre momentos rápidos e mais cadenciados, sendo a típica música para pogar em shows, mas um detalhe interessante da faixa é o canto típico de países mulçumanos em seu final. As orelhas de Obama devem estar em brasa por conta desta música. Na extremamente cadenciada "Redentor", é difícil de não sentir a atmosfera de clubes como o CBGB e dos guetos de Nova York, pois tem aquele jeitão meio BIOHAZARD, mas sem a mesma influência de Rap constante, com o batera Vinícius Hozara dando um show. "Esculpido e Moldado" é uma faixa mais Hardcore, quase toda rápida, que faz a adrenalina ir nas alturas, mas na faixa "O Julgamento", novamente temos a cadência novaiorquina que leva a cabeça a se agitar como se tivesse vida própria, mesmo em uma parte com guitarras limpas. Ela inclusive tem vídeo disponível, muito bem produzido e bem feito, que pode ser visto no myspace da banda.
Lenta como a anterior, mas com um pouco de groove, "Contagem Regressiva" mantém o ótimo nível do CD, assim como "Desgraça é Tudo de Bom", sendo esta mais puxada para o thrash. "A Conquista" é uma excelente faixa, melhorada ainda mais pela letra que fala do massacre dos índios nas mãos dos colonizadores portugueses no século XVI, maus tratos que até hoje se perpetuam. Em "30 Dias", esta sim com doses de rapcore e hardcore de Nova York dos anos 90, se vê outra música muito boa e com uma letra que parece autobiográfica, com uma mensagem mais introspectiva e positiva, e os riffs e vocalizações de Pedro Leonardo se destacam. Fechando, uma instrumental, "El Peligro", que encerra o CD muito bem, dando aquela vontade de ouvi-lo mais e mais vezes.
Recomendo fortemente a todos que possuem bom gosto, pois a banda é muito boa e tem futuro.
Tracklist:
01. Hell de Janeiro (Intro)
02. Compre seu Fuzil
03. Império da Maldição
04. Redentor
05. Esculpido e Moldado
06. O Julgamento
07. Contagem Regressiva
08. Desgraça é Tudo de Bom
09. A Conquista
10. 30 Dias
11. El Peligro
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