Metal Infecting the World: bandas que ainda buscam espaço
Resenha - Compilation Vol. 2 - Metal Infecting the World
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 03 de agosto de 2010
Não há como negar: a parceria entre a Anaites e a Metal Reunion Records proporcionou ao metal underground nacional um dos trabalhos mais bacanas dos últimos anos. Do melódico ao death metal, a compilação The Metal Infecting the World – que chega a sua segunda edição – tem o intuito divulgar dezesseis bandas que ainda buscam conquistar o seu espaço não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Em primeiro lugar, não há como não estabelecer um paralelo entre a The Metal Infecting the World e outras coletâneas. A maior dificuldade de projetos similares – como a extinta Paranoid Collection e a gaúcha Rock Soldiers – é selecionar bandas com registros de qualidade razoável em estúdio, pelo menos. As coletâneas, como é de se imaginar, dependem muito do trabalho individual de cada grupo para alcançar um resultado satisfatório. No caso da The Metal Infecting the World, no entanto, Hilderman Zartan (idealizador do projeto) parece ter conseguido uma boa média nesse quesito, apesar de alguns deslizes pontuais.
De maneira louvável, a compilação se esforçou para não concentrar bandas somente de um gênero ou de uma região do país. Na abertura do CD, a CHEMICAL DISASTER faz um evidente contraponto com a PRELLUDE. Enquanto que a primeira banda é eficiente na sua proposta death/black, o grupo seguinte apresenta um metal tradicional –tipicamente NWOBHM – com letras em português. Com composições igualmente na nossa língua, entretanto, a ABUSO VERBAL pratica um death/grindcore bastante forte e extremo na faixa "Soldado da Morte".
Claramente, a próxima banda é um grande destaque da coletânea. Em uma composição recheada de melodia, a SILVER CRY faz um interessante power metal – diferenciado em comparação às tendências germânicas do estilo. No entanto, a gravação um pouco precária (a mixagem deixou a desejar) prejudicou relativamente a qualidade do instrumental do grupo. De outro lado, a PREDATORY contribuiu positivamente com a compilação em "Sickly Psychological Profile", um ótimo thrash/death metal.
É de Cuba a maior surpresa do disco. A banda TENDENCIA executa um thrash metal ao estilo SEPULTURA da fase "Roots": no entanto, com influências da música latina e com letras em espanhol. Da mesma forma que a execução de "Llanto del Desierto", a gravação dessa faixa é de qualidade primorosa. Na participação seguinte, infelizmente outro contraponto: a gravação extremamente abafada do EVIL GRAVE prejudicou fortemente a participação da banda na coletânea.
De Mato Grosso do Sul, um novo nome do metal brasileiro ganha força em The Metal Infecting the World: a banda LEGACY, que faz um interessante metal tradicional com características bastante próprias. Da mesma forma, o THOR’S SONS faz uma união bastante particular entre o metal tradicional e tendências mais extremas – como o death. O registro em estúdio, no entanto, prejudicou as bandas seguintes em proporções diferentes: a complexidade da sonoridade da SKULL AND BONES foi minimizada, enquanto que a brutalidade do STODGY perdeu o peso dos riffs.
Com uma gravação que também comete pequenos deslizes, o metal melódico do SHADOWINGS não chegou a ser tão prejudicado em "Last Words of a King", uma interessante composição da banda que traz, diferente de tantos outros grupos, uma dose de agressividade no instrumental. Na sequência (e encerramento) da compilação, duas bandas quem ainda podem trabalhar melhor a suas sonoridade – para não cair no senso comum – e outra que precisa caprichar dentro do estúdio. THE JOKKE (metal extremo) e FIRE ANGEL (metal tradicional) precisam elaborar de maneira eficaz a estrutura das suas músicas. A WILDCHILD mostrou criatividade (e obscuridade) em "Lies", mas poderia alcançar um resultado mais satisfatório com tempo de produção.
Entre bandas interessantes e trabalhos razoáveis, a proposta da The Metal Infecting the World salienta o quanto diversificado é cenário brasileiro e como, se melhor trabalhado e divulgado, pode evoluir. O deslize da coletânea, entretanto, é de ordem técnica e não conceitual – nesse quesito está, inegavelmente, de parabéns. A música dos gaúchos da IMPERIAL MOON está cortada. Os seis minutos de "Dark Forever" foram resumidos, sem querer, é claro, a apenas sessenta segundos da sua introdução.
Site: http://www.anaitesrecords.com
Track-list:
01. Soul Sick (Chemical Disaster)
02. Viúva Negra (Prellude)
03. Soldado da Morte (Abuso Verbal)
04. Suicide (Silver Cry)
05. Sickly Psychological Profile (Predatory)
06. Llanto Del Desierto (Tendencia)
07. The Real Killers (Evil Grave)
08. The Skyes Falling Down (Legacy)
09. Slow Death (Thor’s Sons)
10. Roswell (Skull and Bones)
11. Metal Poisoning (Stodgy)
12. Last Words of a King (Shadowings)
13. Creatures of God (The Jokke)
14. Alone in the Dark (Fire Angel)
15. Lies (Wildchild)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música sem riff de guitarra nem refrão forte que virou um dos maiores clássicos do rock
Veja a estreia da nova formação do Rush durante o Juno Awards 2026
Guns N' Roses estreia músicas novas na abertura da turnê mundial; confira setlist
O álbum do Cannibal Corpse que Jack Owen não consegue ouvir
Para Gary Holt, Exodus é melhor que Metallica, mas ele sabe ser minoria
Banda de rock dos anos 70 ganha indenização do Estado brasileiro por ter sido censurada
A banda que impressionou Eddie Van Halen: "A coisa mais insana que já ouvi ao vivo"
Os 20 maiores riffs de guitarra da história, segundo o Loudwire
Baterista quer lançar disco ao vivo da atual formação do Pantera
Manowar se manifesta após anúncio da morte de Ross the Boss
Por que Geddy Lee achou que Anika Nilles não seria melhor opção para substituir Neil Peart?
Wolfgang Van Halen fala sobre a importância de ter aprendido bateria primeiro
Kip Winger admite não se identificar mais com a música da banda que leva seu nome
Ouça e leia a letra de "Ozzy's Song", homenagem de Zakk Wylde a Ozzy Osbourne
O álbum que Nick Mason do Pink Floyd disse ter "mudado a indústria fonográfica"
Heavy Metal: "um conforto para os jovens brilhantes"
O motivo pelo qual Bill Ward não deixava John Bonham tocar sua bateria


Auri - A Magia Cinematográfica de "III - Candles & Beginnings"
Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno no bom "Death Above Life"
A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Sgt. Peppers: O mais importante disco da história?



