Deventer: resgate do espírito de liberdade do progressivo
Resenha - Lead ... On - Deventter
Por Ricardo Seelig
Postado em 25 de junho de 2010
Nota: 8 ![]()
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O conceito de rock progressivo se perdeu com o tempo. Hoje, se você pedir para qualquer pessoa uma definição do estilo, provavelmente ouvirá algo como "uma música repleta de longas e técnicas passagens instrumentais, muitas vezes auto-indulgentes, adornadas por letras que falam de universos repletos de fantasia". Muito dessa visão equivocada e estereotipada deve-se ao tratamento preconceituoso com que, tradicionalmente, as publicações brasileiras de música dedicavam ao gênero. Basta pesquisar na sua coleção de revistas Bizz para comprovar.

Vamos corrigir então. O rock progressivo nasceu no final dos anos sessenta na Inglaterra. Originalmente, eram enquadradas como progressivas aquelas bandas que executavam um som que primava pela liberdade criativa, não se limitando a nenhum estilo específico, mas agregando elementos dos mais variados gêneros musicais. Assim, era comum ouvir nos discos lançados naquele período – e que estão aí até hoje para você pesquisar – a fusão de estilos tão díspares como, por exemplo, o rock e a música clássica, o jazz e o funk, o blues e pop. Ou seja, os caras eram livres para voar, sem destino e sem hora para voltar.
Tudo isso para dizer que parte desse espírito libertário vem sendo resgatado pelo grupo mineiro Deventter. Formado em 2001 na cidade de Borda da Mata, a banda chega agora ao seu segundo álbum, "Lead … On", lançado em 2009 e que suscede "The 7th Dimension", estreia dos caras.
O caminho sonoro seguido pelo Deventter apresenta influências de nomes clássicos como Gentle Giant, Yes e Pink Floyd somadas a referências contemporâneas do estilo, como Dream Theater, Pain of Salvation e Porcupine Tree. Como um tempero extra, somos brindados também com toques de thrash metal e metal tradicional, que acrescentam um muito bem-vindo peso à música do grupo.
"Lead … On" é superior à estreia do sexteto (anote os nomes dos caras aí: Felipe Schaffer no vocal, André Marengo e Danilo Pilla nas guitarras, Leonardo Milani no baixo, Hugo Bertolaccini nos teclados e Caio Teixeira na bateria). A banda soa mais madura nesse segundo trabalho, o que resulta em composições melhor resolvidas e muito mais envolventes. Entre as faixas, as minhas preferidas são "O.M.T.", "Bunkers & Bankers", "Transcendence Inc.", "This Grace" e "Lead … Off", que fecha o play.
Outro ponto alto do álbum é a sua arte gráfica, partindo da bela capa para um bem resolvido encarte, que explora o conceito abordado pelas letras, tudo feito com muito bom gosto.
"Lead … On" é um belo disco, que resgata o espírito de liberdade que nasceu com o rock progressivo, devidamente acrescido de generosas e agradáveis doses de peso. Um grande álbum, que aponta para um futuro maior ainda para essa excelente banda.
Faixas:
1.O.M.T. - 6:59
2.6000 – 8:16
3.Bunkers & Bankers – 8:06
4.Reflected – 5:55
5.All Rights Removed – 5:51
6.Transcendence Inc. - 6:01
7.… - 1:30
8.This Grace – 9:27
9.Losing Track of Time – 6:27
10.Down to the Apex – 4:49
11.Lead ...Off – 8:27
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