Immortal: resenha de "Sons Of Northern Darkness"

Resenha - Sons Of Northern Darkness - Immortal

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Por Bruno Bruce, Fonte: RockPotiguar
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Meu primeiro contato com o Immortal se deu de modo traumático! Fui introduzido a sonoridade da banda pela minha, então namorada (hoje, para minha fortuna, esposa). Ela, conhecendo meu gosto por uma linha mais tradicional do Heavy Metal, fulminou meu toca-cedê com "Diabolical Fullmoon Mysticism" (lançado em 1992). Era o mesmo que jogar um garoto colegial sozinho nas docas, a noite! Foi um massacre. Como a gravação do CD deixava a desejar ative-me à estética do grupo. Headbangers cuspindo fogo, com letras pagãs, arredios, obscuros, rostos e corpos cobertos por uma pintura tétrica… ganharam meu coração imediatamente. Havia algo ali. Havia talento. Continha uma inspiração terrivelmente mal direcionada, pessimamente gravada. Foram necessários mais 5 discos e 10 anos para a sonoridade do Immortal ser alçada a categoria de masterpiece. O disco "Blizzard Beasts" (de 1997) parece começar um novo traçado na carreira da banda, amadurecido em "At The Heart Of Winter" (1999), levando-os a "Damned In Black" (2000). Essa sim, a gema bruta! O mosto. Derradeiro suspiro do amadorismo sonoro. Lindo, focado em um Black Metal maiúsculo, orgulhoso, constituindo o último degrau para a perfeição que viria a seguir.
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É impossível resenhar o disco posterior ao "Damned In Black" sem traçar um paralelo entre eles. Foi como observar um filho crescer. Observar seus defeitos e potenciais, regozijando-se quando as qualidades se sobrepõe às falhas.

A banda parece que já fez parte do famigerado Inner Circle. Grupamento acusado de satanismo e pró-nazismo que congregava alguns dos maiores nomes do Metal nórdico em suas fileiras. Extremistas que sujaram suas mãos de sangue! O Immortal passou, sabiamente, ao largo deste lixo-ideológico-barato. Até hoje um de seus fundadores, Abbath, alega que as letras da banda não são satanistas.

Nunca me conformei em ter somente o CD do "Sons Of Northern Darkness". Era uma obsessão tê-lo em vinil. Eu deveria possuir este letal Martelo de Thor metálico na versão correta. Foram 7 anos de atribulações financeiras, onde prioridades de família drenavam meu orçamento no caminho contrário à aquisição deste vinil! Mas sou paciente e vivo uma paranóia mental particular que geralmente delega bons frutos. E chegara a hora da colheita! Um lojista do e-Bay disponibilizava o vinil num valor bastante razoável, numa versão dupla, de 180g, lacrado e na cor azul! Depois de alguns cliques e 30 dias de ansiosa espera, abro a embalagem com o "Sons Of Northern Darkness". Estava ali o delta sonoro, a conjunção criativa de todos os melhores riffs já criados no Thrash/Black Metal. Reinventados, renovados, burilados por quem deve ter passado uma vida a escutar os mestres do calibre de Venom, Celtic Frost, Bathory, Destruction. O maior diferencial na composição da sonoridade do Immortal é a junção dos fundamentos do legítimo Black Metal com um Thrash Metal franco, vibrante. Essa marca chegou à perfeição no "Damned In Black", obra em que até os mais pescoçudos headbangers têm dificuldade em definir qual estilo pesa mais na balança. Observe como a faixa "One By One" dá o pontapé inicial exatamente onde a última faixa do "Damned In Black" parou em termos de temática. É um war statement, numa cadência quase marcial (a partir do meio da composição) um chamado à batalha que segura suas bolas e olha fixamente em seus olhos, inquirindo: “Você vai lutar conosco ou vai fugir?”. “…The might we posses burn like fire…”, grita Abbath para minha aflição de não poder lutar essa batalha junto! Coladinha segue "Sons Of Northern Darkness", bastante cruel & veloz, infligindo contra-tempos de bateria capazes de fazerem voar da boca uma dentadura mal fixada!

O que leva o "Sons Of Northern Darkness" para um patamar acima? A fórmula já estava pronta no antecessor. Digo agora: no som, foram os climas atmosféricos. Essa lição foi aprendida com Quorthon, sem dúvida (referência recorrente do grupo quando discorrem sobre suas influências)! E estes ensinamentos fluem fortes nas faixas "Tyrant" e "Beyond The North Wind", derradeira composição. Em todo o restante do disco, sempre que a cadência marcial da bateria dita o ritmo e dedilhados de guitarra figuram ao fundo, parece haver a sombra do Bathory. Abbath conseguiu incutir certa inteligibilidade à sua voz rascante. Caso raro na música extrema.

Mesmo com a faixa "Demonium", a velocidade geral diminuiu em favor do peso (o Metallica ensinou com maestria no "Masters Of Puppets"), provando coragem neste mundinho black metaller apinhado de púberes fervorosos pela banda mais rápida que possa surgir. Esse embate somente pela rapidez das guitarras é enfadonho, nivelando (musicalmente) tudo por baixo. Mas adolescência é uma doença hormonal e como tal, passa! O Immortal é uma banda criativamente madura em seu estilo, fazendo música para uma platéia mais exigente e perspicaz.

No visual, o bom gosto tomou conta. É um ardil usar corpse paint e não incorrer na paspalhice (veja a Boneca Emília na versão Black Metal do nanico Dani Filth/Cradle Of Filth). Há um fortíssimo acento masculino no conceito. Aqui não há espaço para dualidades e a mensagem é reta. Todas as imagens capturadas em estúdio permeiam uma tonalidade azul-triste porque todo brute é na realidade um grande melancólico.

Fugiram dos excessos. Nada de entupir o mercado com quinquilharias sonoras (DVDs de shows sem-graça, CDs com bônus et cetera).

Qual a banda contemporânea que não tem atritos pessoais levados à mídia musical? Acusações mútuas, lutas por mais dinheiro, vaidades profissionais, traições. Nada disso atingiu este couraçado de retidão musical & moral denominado Immortal. Demonaz (um ex-membro) compõe todas as letras praticamente no anonimato, escondido das grandes oculares dos xeretas. Temas versando sobre frio/gelo, as florestas nórdicas, batalhas, o etéreo, endossam as entrevistas do grupo rejeitando a pecha de reles banda de Black Metal.

Abbath parou de excursionar por quase dois anos para ter tempo para sua família, apesar da condição de estrela inconteste do Black Metal…ganhando minha mente, por fim!

Peça obrigatória na coleção de um headbanger!

“Anger rideth with the ones that knows fear

Who’s eyes like fire – who’s hearts like ice”

(Sons Of Northern Darkness)

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