Muse: um candidato ao título de melhor lançamento do ano
Resenha - Resistance - Muse
Por Doctor Robert
Postado em 13 de dezembro de 2009
O Muse é mais uma daquelas bandas que despertam sentimentos extremistas em que ouve: ou você adora, ou você odeia. Dificilmente alguém fica no meio termo, assim como é difícil ficar indiferente ao som deste trio britânico. Tendo pela frente o desafio de superar o sucesso de público e crítica conquistado com "Black Holes and Revelations", a banda resolveu aqui partir para um álbum ambicioso, como se costumava fazer nos anos 1970, por mais datado e presunçoso que isso possa soar. O resultado final foi "Resistance", um excelente lançamento conceitual, inspirado em livros como o clássico "1984", de George Orwell, e "The Grand Chessboard", do cientista político Zbigniew Brzezinski, que trata sobre estratégias geopolíticas imperialistas dos norte-americanos. Sobre a sonoridade, o trio incorpora ao seu estilo moderno influências escancaradas de Queen, U2, pop, rock progressivo, música erudita e, até mesmo, hard rock.

A faixa que abre o trabalho é "Uprising", com uma levada quase que em marcha militar, foi a escolhida como o primeiro single do álbum. Sua letra revolucionária ("They will not controll us" – eles não nos controlarão) pode ser analisada como uma espécie de mensagem da banda, dizendo que jamais será "domada", tornando-se convencional. Em seguida temos a faixa título, cujo piano na introdução nos remete a algo meio "New Year’s Day", do U2, combinando com mais uma letra forte, um refrão marcante e ótimos vocais do guitarrista-pianista-compositor-faz tudo Matthew Bellamy. Há de se ressaltar ainda o belo trabalho na bateria de Dominic Howard. Não seria exagero dizer que esta é uma das melhores faixas do álbum.
"Undisclosed Desires" é a única que deixa a desejar, muito pop em sua levada eletrônica, mas nem por isso ruim. Acaba sendo ofuscada pela grandiosidade de "United States Of Eurasia", com trechos que fazem lembrar Queen (na passagem após os versos cantados apenas ao piano, onde entram um coro e uma guitarra em camadas, uma das marcas registradas de Freddie Mercury e cia.) e uma levada meio oriental no andamento (alguém aí falou em "Kashmir", do Led Zeppelin?). Sua letra fala sobre um super país formado pelos continentes europeu e asiático.
O trio ainda flerta com sons mais pesados nas ótimas "Unnatural Selection" e "MK Ultra" (nome de um projeto desenvolvido pela CIA para tentar controle mental nos anos 1950). Outro grande momento é a pop (e divertidíssima) "I Belong To You", com uma levada de piano empolgante e um interlúdio que lembra o Queen novamente, na fase "The Millionaire Waltz" e "You Take My Breath Away" (de "A Day At The Races"). Encerrando o álbum, uma grande composição dividida em três partes: "Exogenesis", com arranjos e orquestrações dignas de qualquer álbum de rock progressivo de 35 anos atrás. Talvez o único erro tenha sido encerrar o disco com ela, já que dá uma boa esfriada nos ânimos, mas nada que comprometa o resultado final.
Embora tantas influências de grandes nomes sejam evidentes, não se pode dizer de modo algum que o Muse perdeu sua identidade. Pelo contrário, apenas incorporou e evidenciou ainda mais algumas sonoridades ao seu estilo inconfundível. Quem sabe não estejamos assistindo ao crescimento da futura maior banda do mundo, como já foi alardeado pela revista Q? Afinal essa é a ambição do trio, que já há algum tempo lota estádios no primeiro mundo...
Por fim, ficaria difícil resumir em uma resenha todos os conceitos envolvidos nas letras e temáticas do álbum. Basta dizer que este é um daqueles discos que vale a pena ter par a seguir o encarte, pesquisar na internet, e ir degustando aos poucos, descobrindo novidades a cada nova audição.
É senhores, definitivamente temos em mãos um sério candidato ao título de melhor lançamento do ano...
O1. Uprising
O2. Resistance
O3. Undisclosed Desires
O4. United States of Eurasia (+ Collateral Damage)
O5. Guiding Light
O6. Unnatural Selection
O7. MK ULTRA
O8. I Belong To You (+ Mon Coeur S'Ouvre A Ta Voix)
O9. Exogenesis : Symphony Part I (Overture)
1O. Exogenesis : Symphony Part II (Cross Pollination)
11. Exogenesis : Symphony Part III (Redemption)
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