Muse: banda surpreende, mas não se supera, em novo álbum
Resenha - Resistance - Muse
Por Gabriel Menezes
Fonte: Blog Cena
Postado em 26 de setembro de 2009
Existem certos álbuns que não gosto de opinar sem tê-lo ouvido pelo menos algumas dezenas de vezes. Não sei se acontece com todo mundo, mas às vezes demoro um pouco para assimilar determinadas músicas. Para não ficar para trás da mídia em geral, não posso me dar a esses luxos.
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O MUSE é um destes casos. As composições do grupo são tradicionalmente complexas e fora do padrão, e muitas vezes só dá pra captar o seu sentimento depois de ouvir bastante. Em "The Resistance", lançado no dia 14 de setembro, eles não fogem a essa regra.
Com a difícil missão de superar o estrondoso sucesso de "Black Holes and Revelations", de 2006, o disco era um dos lançamentos mais aguardados deste ano. A música "The United States of Eurasia", que já circulava há algum tempo na internet, mostrava que algo grande estava por vir.
Dito e feito! "The Resistance" traz um MUSE inspiradíssimo. Se em "Black Holes..." o grupo flertou com a música erudita, desta vez eles assumiram de vez o romance. O disco traz inclusive uma sinfonia dividida em três atos.
Seguindo a premissa de que em time que está ganhando não se mexe, a banda reaproveitou a fórmula do disco anterior em boa parte das músicas. Esse é um dos pontos em que "The Resistance" perde para "Black Holes...". Mesmo sendo um álbum com canções excepcionais, no quesito inovação não chega nem perto de seu antecessor.
Outro ponto em que o disco de 2006 ganha é na abertura. "Take a Bow" é uma música apoteótica, que conquista o ouvinte nos seus primeiros arpejos com o seu clima místico. Tanto que ela foi escolhida como tema do filme "Watchmen". Já "Uprising", que abre o novo álbum, está longe de ser uma canção ruim, mas não tem a mesma força.
As letras de "The Resistance" seguem o padrão da banda, que gosta de falar sobre temas complexos. Basta analisar a música "The United States of Eurasia", que fala sobre o supercontinente formado pela junção da Europa com a Ásia.
MATTHEW BELLAMY mais uma vez mostra que é um músico extremamente talentoso, seja como vocalista, guitarrista ou pianista. Ao mesmo tempo em que ele consegue criar linhas vocais e no piano absolutamente suaves, toca sua guitarra com tanto peso que não deixa dúvidas de que o MUSE é acima de tudo uma banda de rock.
Apesar de não bater seu antecessor, "The Resistance" é um álbum brilhante. O problema é que o MUSE atingiu um nível tão alto, que o maior adversário a ser superado se tornou ele próprio.
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