Freedom Call: bem produzido e executado, mas genérico
Resenha - Dimensions - Freedom Call
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 04 de maio de 2009
Nota: 6 ![]()
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Preciso confessar que tive que reescrever as primeiras linhas desta resenha algumas vezes, tentando não soar repetitivo – porque, afinal, o quinto disco do Freedom Call, "Dimensions", não passa de mais do mesmo. E sei bem que tenho falado isso com certa freqüência por aqui, me referindo da mesma forma aos discos de outros grupos que tenho ouvido. Só que foi inevitável – e me perdoe, caro leitor do Whiplash. "Dimensions" é heavy metal melódico/power metal da escola do Helloween e do Gamma Ray, aplicadinho, muito bem produzido e executado com precisão. Mas é genérico. E juro que passei horas procurando outra palavra. Só que simplesmente não encontrei. O disco é apenas bom, nada mais do que isso, justamente porque não consegue ultrapassar aquela difícil barreira da obviedade.

Embora o baterista Daniel Zimmermann seja membro integrante do Gamma Ray, é impossível não fazer imediata referência ao Helloween, assim que acaba a introdução e começa a canção "Innocent’s World" – com aquelas guitarras dobradas em velocidade máxima e uma bateria de bumbo duplo arrebentando tudo. E isso sem falar nos refrões cativantes e ganchudos como o de "United Alliance", canção que, sem dúvida alguma, está entre os pontos altos do álbum.
Mas as comparações não param por aí: a voz de Chris Bay lembra, em diversos momentos, a do próprio Andi Deris, em especialmente quando ele dá uma rasgada na interpretação – como na quase hard rock "Mr.Evil", evocando até mesmo o passado de Deris no Pink Cream 69. Só que, mais pra frente, seu timbre se transforma e passa a lembrar o tupiniquim Andre Matos nos momentos mais épicos de sua passagem pelo Angra. Escute "Light Up The Sky" e "My Dying Paradise" e diga se ambas não caberiam tranqüilamente entre as faixas de "Angels Cry".
Para finalizar os paralelos, a sonoridade do Freedom Call ganha contorno de Stratovarius na bem-vinda mensagem de positividade presente nas letras e na guitarra de Lars Rettkowitz, que parece ter sido clonada do estilo speed de Timo Tolkki. Freedom Call acabou tornando-se uma mistura de Helloween e Stratovarius com uma pitada de Angra? Talvez. As referências são da melhor qualidade, não nego. Mas ficar só nisso, nas boas influências, não é o suficiente para fazer uma boa banda.
"Dimensions" segue uma fórmula de sucesso e acerta na mosca em suas boas intenções. É heavy metal limpinho, quase asséptico, mas erra ao evitar os riscos, preferindo apostar em todos os padrões e regrinhas já usados anteriormente em outros álbuns do gênero. Quando se fala de música, em especial de rock ‘n’ roll, arriscar faz parte do negócio. Pode não dar certo em 100% dos casos, obviamente, mas é isso que dá ímpeto, vigor e principalmente autenticidade a determinadas produções. O que não é o caso deste disco, infelizmente.
Line-Up:
Chris Bay – Voz e Guitarra
Lars Rettkowitz – Guitarra
Armin Donderer – Baixo
Dan Zimmermann – Bateria
Nils Neumann – Teclados
Tracklist:
01. Demon’s Dance
02. Innocent World
03. United Alliance
04. Mr. Evil
05. The Queen Of My World
06. Light Up The Sky
07. Worlds Of Endeavour
08. Blackened Sun
09. Dimensions
10. My Dying Paradise
11. Magic Moments
12. Far Away
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