Resenha - Complexity - Vitrea
Por Giorgio Moraes
Postado em 02 de fevereiro de 2009
Nota: 7 ![]()
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E eis que me deparo com mais uma banda nacional. A bola da vez são os caras da Vítrea, banda independente formada em fins de 2003 na cena de Curitiba e que chega ao seu 2º CD, "Complexity", álbum que nasceu pelas mãos do baterista, Fábio Lavalle, em 2008. Ele gravou, mixou e masterizou a criança. Uma agência local de turismo entrou com a grana e possibilitou que o CD fosse prensado no Pólo Industrial de Manaus.

"Complexity" surge marcado e alinhavado pela relevante e atualíssima preocupação com a destruição do meio-ambiente. Esse conceito vem expresso tanto na parte gráfica — a capa do CD mostra uma folha amarelando, com uma paisagem urbana em segundo plano — quanto no que concerne às letras (a faixa-título fala do respeito que o homem deveria ter pelo seu lar, a Terra). Há ainda a faixa 7 — cujo nome é "Amazônia". Nela, a banda chama de "filhos da impunidade" aqueles que promovem o desmatamento na região, sob os olhares complacentes de nossos governantes. Não bastasse tudo isso, o material usado na fabricação do CD é todo reciclável. Eis o que eu chamo de postura ecológica!
Em termos de produção, no entanto, pude notar certo descuido por parte da Vítrea. Entre as faixas finais há cortes bruscos, muito típicos de desacertos e desencontros na produção e pós-produção. Isso não pega bem para quem pretende entrar com seriedade no mercado musical. Um pouco mais de cuidado, portanto, será bem vindo em trabalhos futuros.
Quando a banda entra em ação faz-se necessária nova ressalva, dessa vez quanto à limitação do vocal de Roberto Valle - especialmente nos momentos em que ele incorpora ares de vocalista de Metal, estilo sobre o qual — ao meu ver — a Vítrea se apóia (apesar de constar em seu site oficial que eles promovam uma fusão de estilos para moldar o som da banda). O fato é que o esforço feito por Valle para alcançar as notas mais altas é tão nítido quanto o Pão de Açúcar em um dia de verão. Isso causa perda de naturalidade, fazendo com que praticamente tudo soe como um grande "fake profile". Roberto Valle só não compromete de forma irremediável o trabalho da Vítrea devido ao empenho da banda em explorar de forma competente as boas melodias criadas pelo guitarrista Marcos Mayer, responsável por todas as músicas do CD. O baixo de Djalma Shimada também merece destaque, pois "fala alto" desde a abertura dos trabalhos e permanece navegando com tranquilidade ao longo dos 43 minutos de "Complexity". A bateria de Fábio Lavalle soa correta, apenas.
Como destaques, eu elegeria a bela "Like a Storm"; "Brand New Heart"; "Just Another Day" e a instrumental "Synchronous Rotation". O CD encerra com uma versão acústica de "Like a Storm" — executada de forma bem apropriada ao alcance natural da voz de Valle.
Creio que uma nota 7 está de bom tamanho.
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