Holy Moses: uma aula de metal extremo ao mundo

Resenha - Agony Of Death - Holy Moses

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Pedroamos, Fonte: Blog Pedroamos
Enviar correções  |  Ver Acessos


Odiadas ou idolatradas, é fato que as mulheres do metal vêm conquistando um imenso espaço na mídia: suas bandas alcançaram um nível em termos de qualidade e vendas inimaginável para uma sociedade ainda tão machista e cheia de estereótipos. Grupos como Nightwish e Within Temptation coseguiram o sucesso através dos vocais suaves e doces de suas vocalistas, com uma mistura bem excêntrica de metal e elementos da música clássica.

Guitarra: os melhores solos da história segundo a Guitar WorldPower Metal: 10 álbuns essenciais segundo About.com

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Contudo, nem o metal extremo escapou dessa onda "girl power": bandas como Cadaveria e Arch Enemy mostraram ao mundo que mulheres podem ser excelentes guturais e executar tal técnica vocal tão bem quanto homens, que predominavam no gênero até então. Mas se engana quem acha que essas meninas brutais são uma novidade dos anos 2000: quem pensa de tal modo nunca ouviu falar no Holy Moses, a primeira banda de death/trash metal a possuir uma garota no comando. Sabina Classen, uma mulher tímida e retraída, já havia mostrado ao mundo o poder de seus vocais extremos em 1986, quando a banda lançou seu álbum de estréia, "Queen of Siam".

E a banda não parou: em Setembro de 2008 lançaram "Agony of Death", seu décimo primeiro álbum de estúdio. Com uma sonoridade nítida e consistente, este álbum pode não ser o melhor da banda, mas com certeza é o mais bem produzido. Cheio de convidados especiais, "Agony of Death" (esta expressão inglesa vem da medicina, é um equivalente a "risco de vida" em português) possui letras que versam sobre temas como a luta entre a vida e a morte, o suicídio e a busca por um propósito existencial.

"Imagination", a faixa de abertura, já entra com todas essas características: iniciada com efeitos eletrônicos, a banda vai aparecendo aos pouquinhos até Sabina explodir com seus vocais extremos. Com dois baixos (além de Thomas Neitsch, há a participação de Karlos Medina) e três guitarras (além de Michael Hankel e Oliver Jaath, o roqueiro Janos Murri ficou a cargo dos solos), esta é uma das músicas mais pesadas e intensas do disco. A canção também acaba com efeitos eletrônicos: nota-se que muitas faixas do álbum começam e terminam de tal modo, o que acaba se tornando um ponto negativo do álbum pela sua redundância.

"Alienation" entra emendando, como se fosse uma parte da primeira: os backings vocals, feitos por The Wolf dão uma pegada mais heavy à faixa, sem deixar de lado toda a agressividade de Sabina: nota-se que os solos também foram feitos por Janos Murri, que mostrou muita competência ao captar bem a proposta musical do Holy Moses. Sobre ele e os outros convidados, Sabina disse em entrevista que conheceu em todos esses anos em turnê e ficou muito feliz em poder trabalhar com todos eles.

Apesar de ser mais curta que as anteriores, "World in Darkness" está bem longe de ser menos bombástica. Com riffs mais diretos, possui um tom mais dinâmico e uma bateria mais presente. Os solos também foram feitor por um convidado: trata-se do guitarrista italiano Ralph Santolla, famoso por trabalhar em bandas como Millennium e Deicide.

"Pseudohalluzination" é a maior faixa de todo o disco, com mais de oito minutos. O começo possui guitarras flertantes e teatrais, que dão ao ouvinte a impressão de estar num filme de suspense. Uma das poucas faixas sem nenhum convidado, mostra a banda em sua melhor performance. É incrível como o grupo conduz a faixa inteira de modo tão cativante, prendendo o ouvinte a oito minutos que passam com a rapidez de dois. Ao final da faixa, a voz de Sabina vai se perdendo aos poucos, num efeito muito interessante de guitarras.

"Angels in War" é iniciada com uma bateria e um clima atmosférico bem curioso até entrar a banda novamente. Os backings vocals também dão um tom diferente das outras, mas ao contrário de "Alienation", não há nada que lembre heavy. Os solos ficaram por conta de Trevor Peres (Obituary), que possui um estilo bem diferente de Janos: enquanto este fez um trabalho mais técnico nas duas primeiras faixas, Trevor optou pela versatilidade e hermetismo, deixando sua marca mais presente no disco. - É claro que ambos deixaram a sonoridade do álbum mais rica, que apenas fique claro aqui a diferença entre eles, e não uma rixinha para ver qual é o melhor.

"Schizophrenia" promete dar o que falar pelo seu inusitado dueto. Quem divide a faixa com os vocais extremos de Sabina é um cantor power metal: trata-se de Henning Basse, da banda alemã Metalium. A banda merece pontos por ter se arriscado de tal modo, já que fãs de Holy Moses dificilmente apreciam tal vertente do metal. Entretanto, a parceria foi um dos pontos altos do álbum: os vocais de ambos contrastaram de maneira formidável no refrão e embora a participação de Henning tenha sido relativamente modesta, ele possuiu tempo o bastante para demonstrar a sua técnica, recheada de vibratos e agudos, típico dos cantores de seu meio.

Mesmo não apresentando nenhuma novidade se comparada ao restante do álbum, "The Cave" é uma ótima canção. Sem efeitos eletrônicos no começo, inicia-se de modo direto e objetivo. Num dado momento da faixa, os vocais de Sabina dão uma pausa e pode-se ouvir os backing vocals de Marcel Schmier.

"Delusiona lDenial" surpreende por ser a faixa mais curta do álbum. Conduz-se do mesmo modo que a anterior, sem apresentar grandes surpresas.

"Through Shattered Minds/Agony of Death" vem para fechar com chave de ouro. Com um pouco de todas as faixas do álbum, os samples e efeitos eletrônicos, bastante presentes, ficaram a cargo de Ferdy Doernberg. O seu tom estável segue durante a música inteira, dando a Sabina bastante liberdade e criatividade vocal. A música também é fechada por efeitos eletrônicos, bem parecidos com os que abrem o álbum em "Imagination", dando ao ouvinte a idéia de um ciclo. - o que fortalece a idéia de que todo o álbum, mesmo não sendo conceitual, apresenta uma ligação intrínseca entre as músicas.

Maduro. Inteligente. Intenso. Agressivo. Enfim, são muitas as qualidades capazes de definir "Agony of Death". Escolha a sua.

Tracklist:
01. Imagination
02. Alienation
03. World in Darkness
04. Bloodbound of the Damned
05. Pseudohalluzination
06. Angels In War
07. Schizophrenia
08. Dissociative Disorder
09. The Cave (Paramnesia)
10. Delusional Denial
11. The Retreat
12. Through Shattered Minds

Membros da banda:
Sabina Classen:vocais extremos
Michael Hankel: guitarra, produção e áudio masterização
Oliver Jaath: guitarra
Thomas Neitsch: baixo
Atomic Steif: bateria


Outras resenhas de Agony Of Death - Holy Moses

Holy Moses: mescla de Power e Thrash reinventada




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Holy Moses"


Guitarra: os melhores solos da história segundo a Guitar WorldGuitarra
Os melhores solos da história segundo a Guitar World

Power Metal: 10 álbuns essenciais segundo About.comPower Metal
10 álbuns essenciais segundo About.com


Sobre Pedroamos

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

adClio336|adClio336