Holy Moses: uma aula de metal extremo ao mundo
Resenha - Agony Of Death - Holy Moses
Por Pedroamos
Fonte: Blog Pedroamos
Postado em 14 de janeiro de 2009
Odiadas ou idolatradas, é fato que as mulheres do metal vêm conquistando um imenso espaço na mídia: suas bandas alcançaram um nível em termos de qualidade e vendas inimaginável para uma sociedade ainda tão machista e cheia de estereótipos. Grupos como Nightwish e Within Temptation coseguiram o sucesso através dos vocais suaves e doces de suas vocalistas, com uma mistura bem excêntrica de metal e elementos da música clássica.


Contudo, nem o metal extremo escapou dessa onda "girl power": bandas como Cadaveria e Arch Enemy mostraram ao mundo que mulheres podem ser excelentes guturais e executar tal técnica vocal tão bem quanto homens, que predominavam no gênero até então. Mas se engana quem acha que essas meninas brutais são uma novidade dos anos 2000: quem pensa de tal modo nunca ouviu falar no Holy Moses, a primeira banda de death/trash metal a possuir uma garota no comando. Sabina Classen, uma mulher tímida e retraída, já havia mostrado ao mundo o poder de seus vocais extremos em 1986, quando a banda lançou seu álbum de estréia, "Queen of Siam".
E a banda não parou: em Setembro de 2008 lançaram "Agony of Death", seu décimo primeiro álbum de estúdio. Com uma sonoridade nítida e consistente, este álbum pode não ser o melhor da banda, mas com certeza é o mais bem produzido. Cheio de convidados especiais, "Agony of Death" (esta expressão inglesa vem da medicina, é um equivalente a "risco de vida" em português) possui letras que versam sobre temas como a luta entre a vida e a morte, o suicídio e a busca por um propósito existencial.

"Imagination", a faixa de abertura, já entra com todas essas características: iniciada com efeitos eletrônicos, a banda vai aparecendo aos pouquinhos até Sabina explodir com seus vocais extremos. Com dois baixos (além de Thomas Neitsch, há a participação de Karlos Medina) e três guitarras (além de Michael Hankel e Oliver Jaath, o roqueiro Janos Murri ficou a cargo dos solos), esta é uma das músicas mais pesadas e intensas do disco. A canção também acaba com efeitos eletrônicos: nota-se que muitas faixas do álbum começam e terminam de tal modo, o que acaba se tornando um ponto negativo do álbum pela sua redundância.
"Alienation" entra emendando, como se fosse uma parte da primeira: os backings vocals, feitos por The Wolf dão uma pegada mais heavy à faixa, sem deixar de lado toda a agressividade de Sabina: nota-se que os solos também foram feitos por Janos Murri, que mostrou muita competência ao captar bem a proposta musical do Holy Moses. Sobre ele e os outros convidados, Sabina disse em entrevista que conheceu em todos esses anos em turnê e ficou muito feliz em poder trabalhar com todos eles.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Apesar de ser mais curta que as anteriores, "World in Darkness" está bem longe de ser menos bombástica. Com riffs mais diretos, possui um tom mais dinâmico e uma bateria mais presente. Os solos também foram feitor por um convidado: trata-se do guitarrista italiano Ralph Santolla, famoso por trabalhar em bandas como Millennium e Deicide.
"Pseudohalluzination" é a maior faixa de todo o disco, com mais de oito minutos. O começo possui guitarras flertantes e teatrais, que dão ao ouvinte a impressão de estar num filme de suspense. Uma das poucas faixas sem nenhum convidado, mostra a banda em sua melhor performance. É incrível como o grupo conduz a faixa inteira de modo tão cativante, prendendo o ouvinte a oito minutos que passam com a rapidez de dois. Ao final da faixa, a voz de Sabina vai se perdendo aos poucos, num efeito muito interessante de guitarras.

"Angels in War" é iniciada com uma bateria e um clima atmosférico bem curioso até entrar a banda novamente. Os backings vocals também dão um tom diferente das outras, mas ao contrário de "Alienation", não há nada que lembre heavy. Os solos ficaram por conta de Trevor Peres (Obituary), que possui um estilo bem diferente de Janos: enquanto este fez um trabalho mais técnico nas duas primeiras faixas, Trevor optou pela versatilidade e hermetismo, deixando sua marca mais presente no disco. – É claro que ambos deixaram a sonoridade do álbum mais rica, que apenas fique claro aqui a diferença entre eles, e não uma rixinha para ver qual é o melhor.
"Schizophrenia" promete dar o que falar pelo seu inusitado dueto. Quem divide a faixa com os vocais extremos de Sabina é um cantor power metal: trata-se de Henning Basse, da banda alemã Metalium. A banda merece pontos por ter se arriscado de tal modo, já que fãs de Holy Moses dificilmente apreciam tal vertente do metal. Entretanto, a parceria foi um dos pontos altos do álbum: os vocais de ambos contrastaram de maneira formidável no refrão e embora a participação de Henning tenha sido relativamente modesta, ele possuiu tempo o bastante para demonstrar a sua técnica, recheada de vibratos e agudos, típico dos cantores de seu meio.

Mesmo não apresentando nenhuma novidade se comparada ao restante do álbum, "The Cave" é uma ótima canção. Sem efeitos eletrônicos no começo, inicia-se de modo direto e objetivo. Num dado momento da faixa, os vocais de Sabina dão uma pausa e pode-se ouvir os backing vocals de Marcel Schmier.
"Delusiona lDenial" surpreende por ser a faixa mais curta do álbum. Conduz-se do mesmo modo que a anterior, sem apresentar grandes surpresas.
"Through Shattered Minds/Agony of Death" vem para fechar com chave de ouro. Com um pouco de todas as faixas do álbum, os samples e efeitos eletrônicos, bastante presentes, ficaram a cargo de Ferdy Doernberg. O seu tom estável segue durante a música inteira, dando a Sabina bastante liberdade e criatividade vocal. A música também é fechada por efeitos eletrônicos, bem parecidos com os que abrem o álbum em "Imagination", dando ao ouvinte a idéia de um ciclo. – o que fortalece a idéia de que todo o álbum, mesmo não sendo conceitual, apresenta uma ligação intrínseca entre as músicas.

Maduro. Inteligente. Intenso. Agressivo. Enfim, são muitas as qualidades capazes de definir "Agony of Death". Escolha a sua.
Tracklist:
01. Imagination
02. Alienation
03. World in Darkness
04. Bloodbound of the Damned
05. Pseudohalluzination
06. Angels In War
07. Schizophrenia
08. Dissociative Disorder
09. The Cave (Paramnesia)
10. Delusional Denial
11. The Retreat
12. Through Shattered Minds
Membros da banda:
Sabina Classen:vocais extremos
Michael Hankel: guitarra, produção e áudio masterização
Oliver Jaath: guitarra
Thomas Neitsch: baixo
Atomic Steif: bateria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Crypta oficializa Victoria Villarreal como sua nova guitarrista
Astros do rock e do metal unem forças em álbum tributo ao Rainbow
Com 96 atrações, Sweden Rock Festival fecha cast para edição 2026
O artefato antigo que voltou à moda, enfrenta a IA e convenceu Andreas a lançar um disco
A música do Iron Maiden que é a preferida de Mikael Akerfeldt, vocalista do Opeth
In Flames faz primeiro show de sua turnê sul-americana; confira setlist
Entidade de caridade britânica rompe relações com Sharon Osbourne
7 músicas de metal lançadas em 2000 que estavam à frente do seu tempo, segundo a Louder
O dia em que Shane Embury, do Napalm Death, chorou ao encontrar Ronnie James Dio
The Gathering não tem planos definidos para além de 2026 com a formação de "Mandylion"
A sincera opinião de Ozzy sobre George Harrison e Ringo Starr: "Vamos ser honestos?"
System of a Down emplaca terceira música no "Clube do Bilhão" do Spotify
Fãs chamaram Sepultura de "vendidos" na época de "Morbid Visions", segundo Max Cavalera
O guitarrista vetado na banda de Suzi Quatro que três anos depois vendeu 10 milhões de discos
Os músicos que, segundo Mick Jagger, sempre odiaram o rock dos Rolling Stones
O ídolo do rock dos anos 90 com quem Eric Clapton se identificava; "muito talentoso"
O arrependimento que David Bowie carregava em relação a Elvis Presley
A canção do Fleetwood Mac usada para estruturar um dos maiores clássicos do Led Zeppelin

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

