Glenn Hughes: um retorno às origens em termos estilísticos

Resenha - First Underground Nuclear Kitchen - Glenn Hughes

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois de passar uns bons anos inativo, quando teve altos problemas com drogas e álcool, o baixista e vocalista Glenn Hughes se recuperou totalmente, e com isso reativou sua carreira musical. Desde então, vem lançando consistentemente discos e fazendo shows com sua banda solo. O propalado intuito de lançar um disco mais introspectivo e reflexivo foi plenamente atingido com seu mais recente lançamento, “First Underground Nuclear Kitchen” (F.U.N.K), um retorno às suas origens em termos estilísticos.
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O bacana desse disco é o fato de Hughes não se prender a rótulos ou estilos, e ter se juntado a um time competente. Seus principais parceiros na empreitada são o guitarrista Luis Maldonado, co-autor de várias músicas no disco e responsável pela maioria das guitarras e violões, o baterista Chad Smith (do Red Hot Chili Peppers), que se destaca mais que nos dois discos anteriores de Hughes, dos quais participou, e o tecladista Anders Olinder, responsável por timbres de excelente gosto. O time se completa com participações de convidados, em algumas faixas: os guitarristas JJ Marsh e George Nastos, mais o tecladista Ed Roth, e ainda grupos de cordas e metais, e uma violoncelista.

É até difícil de se definir o estilo da maioria das composições, que transitam entre rock, funk, jazz, soul, pop e blues. Não se trata de um saco de gatos, com músicas de diferentes estilos se alternando, mas sim de um amálgama de influências espalhado de forma bem balanceada no decorrer do álbum. “Crave”, “Never Say Never” e “Oil And Water” têm uma levada mais hard rock, porém com um swing não muito característico. “Love Communion” também, mas em determinado momento muda de cara, com bem colocados piano elétrico e solo de trompete (com surdina), retornando em seguida ao peso com um visceral solo de guitarra. Já na música “F.U.N.K”, por exemplo, a adição de um naipe de metais deu uma cara mais funkeada, mas sem perder uma pegada mais “hard”, assim como “Satellite” e “Imperfection” ficaram entre um “light jazz” e o pop (com um quê de Motown). Em ambas, Hughes incluiu sutis solos de baixo no meio para “confundir” os ouvintes, no bom sentido. Em “Imperfection”, a slide guitar e sons de sintetizador estão inseridos de forma perfeita.

Glenn Hughes mostra durante todo o disco que sua voz está de fato em ótimo estado, sem poupar agudos, mas de forma totalmente dentro do contexto, sem excessos (o que nem sempre foi verdade, em seus discos). Seu baixão característico continua afiado. O baterista Chad Smith está neste lançamento com um desempenho melhor, mais solto, do que nos demais discos de Hughes nos quais tocou (“Soul Mover” e “Music For The Divine”), talvez pelo estilo propriamente dito, ou talvez por estar mais entrosado com Hughes agora. Maldonado e Olinder têm grande destaque no CD como um todo, mais um ponto para Hughes, que os deixou brilhar. Maldonado, que usa e abusa (sempre com bom gosto) do efeito Echoplex (ou algo similar) em sua guitarra, chega a lembrar o saudoso Tommy Bolin, que por um curto tempo foi grande parceiro de Hughes no Deep Purple. Não seria de se estranhar que, se Bolin estivesse ainda vivo, este poderia ser um trabalho conjunto da dupla nos dias de hoje.

A edição nacional, da Hellion Records, inclui como bônus o clipe de “Love Communion”, e encarte completo com todas as letras e créditos. Veja o clipe no site oficial de Hughes.

Definitivamente, um lançamento muito bom para os não radicais. Se o seu negócio é peso, exclusivamente, busque outros discos de Hughes. Se for mais “cabeça aberta”, esta é uma ótima opção. É, num sentido estritamente musical, um passo adiante em relação a seus últimos trabalhos. Glenn toca o que gosta, para seu prazer e de seus fãs mais devotados, sem se importar com a mídia, rótulos, etc. Detalhe: quando a palavra “funk” é mencionada aqui, refere-se ao estilo musical e não ao que se convenciona chamar de “funk” (sic) no Rio de Janeiro, claro...

Tracklist:
1. Crave
2. First Underground Nuclear Kitchen (FUNK)
3. Satellite
4. Love Communion
5. We Shall Be Free
6. Imperfection
7. Never Say Never
8. We Go 2 War
9. Oil And Water
10. Too Late To Save The World
11. Where There’s A Will...

Website: http://www.glennhughes.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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