Glenn Hughes: um retorno às origens em termos estilísticos
Resenha - First Underground Nuclear Kitchen - Glenn Hughes
Por Rodrigo Werneck
Postado em 05 de janeiro de 2009
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Depois de passar uns bons anos inativo, quando teve altos problemas com drogas e álcool, o baixista e vocalista Glenn Hughes se recuperou totalmente, e com isso reativou sua carreira musical. Desde então, vem lançando consistentemente discos e fazendo shows com sua banda solo. O propalado intuito de lançar um disco mais introspectivo e reflexivo foi plenamente atingido com seu mais recente lançamento, "First Underground Nuclear Kitchen" (F.U.N.K), um retorno às suas origens em termos estilísticos.
Glenn Hughes - Mais Novidades
O bacana desse disco é o fato de Hughes não se prender a rótulos ou estilos, e ter se juntado a um time competente. Seus principais parceiros na empreitada são o guitarrista Luis Maldonado, co-autor de várias músicas no disco e responsável pela maioria das guitarras e violões, o baterista Chad Smith (do Red Hot Chili Peppers), que se destaca mais que nos dois discos anteriores de Hughes, dos quais participou, e o tecladista Anders Olinder, responsável por timbres de excelente gosto. O time se completa com participações de convidados, em algumas faixas: os guitarristas JJ Marsh e George Nastos, mais o tecladista Ed Roth, e ainda grupos de cordas e metais, e uma violoncelista.
É até difícil de se definir o estilo da maioria das composições, que transitam entre rock, funk, jazz, soul, pop e blues. Não se trata de um saco de gatos, com músicas de diferentes estilos se alternando, mas sim de um amálgama de influências espalhado de forma bem balanceada no decorrer do álbum. "Crave", "Never Say Never" e "Oil And Water" têm uma levada mais hard rock, porém com um swing não muito característico. "Love Communion" também, mas em determinado momento muda de cara, com bem colocados piano elétrico e solo de trompete (com surdina), retornando em seguida ao peso com um visceral solo de guitarra. Já na música "F.U.N.K", por exemplo, a adição de um naipe de metais deu uma cara mais funkeada, mas sem perder uma pegada mais "hard", assim como "Satellite" e "Imperfection" ficaram entre um "light jazz" e o pop (com um quê de Motown). Em ambas, Hughes incluiu sutis solos de baixo no meio para "confundir" os ouvintes, no bom sentido. Em "Imperfection", a slide guitar e sons de sintetizador estão inseridos de forma perfeita.
Glenn Hughes mostra durante todo o disco que sua voz está de fato em ótimo estado, sem poupar agudos, mas de forma totalmente dentro do contexto, sem excessos (o que nem sempre foi verdade, em seus discos). Seu baixão característico continua afiado. O baterista Chad Smith está neste lançamento com um desempenho melhor, mais solto, do que nos demais discos de Hughes nos quais tocou ("Soul Mover" e "Music For The Divine"), talvez pelo estilo propriamente dito, ou talvez por estar mais entrosado com Hughes agora. Maldonado e Olinder têm grande destaque no CD como um todo, mais um ponto para Hughes, que os deixou brilhar. Maldonado, que usa e abusa (sempre com bom gosto) do efeito Echoplex (ou algo similar) em sua guitarra, chega a lembrar o saudoso Tommy Bolin, que por um curto tempo foi grande parceiro de Hughes no Deep Purple. Não seria de se estranhar que, se Bolin estivesse ainda vivo, este poderia ser um trabalho conjunto da dupla nos dias de hoje.
A edição nacional, da Hellion Records, inclui como bônus o clipe de "Love Communion", e encarte completo com todas as letras e créditos. Veja o clipe no site oficial de Hughes.
Definitivamente, um lançamento muito bom para os não radicais. Se o seu negócio é peso, exclusivamente, busque outros discos de Hughes. Se for mais "cabeça aberta", esta é uma ótima opção. É, num sentido estritamente musical, um passo adiante em relação a seus últimos trabalhos. Glenn toca o que gosta, para seu prazer e de seus fãs mais devotados, sem se importar com a mídia, rótulos, etc. Detalhe: quando a palavra "funk" é mencionada aqui, refere-se ao estilo musical e não ao que se convenciona chamar de "funk" (sic) no Rio de Janeiro, claro...
Tracklist:
1. Crave
2. First Underground Nuclear Kitchen (FUNK)
3. Satellite
4. Love Communion
5. We Shall Be Free
6. Imperfection
7. Never Say Never
8. We Go 2 War
9. Oil And Water
10. Too Late To Save The World
11. Where There’s A Will...
Website: http://www.glennhughes.com
Outras resenhas de First Underground Nuclear Kitchen - Glenn Hughes
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor livro de todos os tempos, segundo Robert Smith do The Cure
Sai Mario, entra Luigi: brasileiro assume temporariamente a bateria do Gojira
Geezer Butler, baixista do Black Sabbath, participou de novo álbum do Mastodon
Devin Townsend ainda não ouviu Angine de Poitrine para poder continuar os odiando
System of a Down puxa coro contra o Oasis durante show em Londres
O tipo de banda que Joey Ramone odiava; "toda esta merda de nova fórmula de rock"
O melhor e o pior álbum do Iron Maiden de todos os tempos, segundo Nicko McBrain
Ghost anuncia "2 Big to Rig", registro ao vivo da "Skeletour" no México
Rick Wakeman anuncia detalhes de novo álbum, "Return to the Red Planet"
A obra-prima do rock anos 90 que foi gravada em uma mansão medieval assombrada na Inglaterra
O álbum de 1972 que Mick Jagger dos Rolling Stones disse não ter música ruim
O clássico dos anos 70 que para Slash tem o "melhor timbre de guitarra de todos os tempos"
Brent Hinds vivia "escapando da morte", segundo baterista do Mastodon
A música que Flea escolheu como a melhor definição do Red Hot Chili Peppers
Bruce Dickinson é mais rico que Steve Harris, líder do Iron Maiden? O cantor "responde"
Censura: 53 nomes que você não pode dizer em uma rádio
John Bonham criticou o Deep Purple para Ritchie Blackmore (e levou o troco)

Glenn Hughes não pretende fazer novos álbuns no formato classic rock
Glenn Hughes teria recusado gravar "Seventh Star" se soubesse ser um disco do Black Sabbath
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



