Ari Borger: liberdade do jazz com funk, soul e blues
Resenha - AB4 - Ari Borger Quartet
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 12 de dezembro de 2008
Nota: 9 ![]()
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Quem não conhece o trabalho de Ari Borger fica de queixo caído quando entra em contato com os seus discos. Pianista e organista, Borger é um talento único. Seja à frente de seu piano ou de seu órgão Hammond B3, transita por vários gêneros musicais, derramando notas inspiradas sobre nossos ouvidos.

Em sua carreira já tocou com lendas do blues como Pinetop Perkins, Johnnie Johnson, Clarence Gatemouth Brown, além de abrir os shows de bluesmen do quilate de B.B. King. Entre os artistas nacionais, Ari já tocou e gravou ao lado de feras como André Christovam, Flávio Guimarães e Nuno Mindelis.
Borger estreou sua carreira solo em 2001, com o fenomenal "Blues da Garantia", gravado em New Orleans, cidade onde morava na época. Contando com artistas da cena blues local, como Jack Cole e Ivone Williams, o disco é um arregaço, um dos melhores álbuns de blues lançados nos últimos anos, e isso não é um exagero.
Seu segundo trabalho foi lançado em 2007 e é muito diferente do primeiro. Se em "Blues da Garantia" Ari explorava a rica tradição do blues, em "AB4" ele transita na liberdade do jazz, com alguns elementos de funk, soul e até mesmo do já citado blues. Com uma sonoridade vintage, o disco é um bálsamo para os ouvidos. Seja em composições próprias, como as excelentes "Trip Song" e "Na Pressão", ou em releituras, como em "Blind Man", de Herbie Hancock, Borger mostra que o nível manteve-se altíssimo.
"No Caminho do Bem", de "Racional Vol 1", de Tim Maia, surge em uma versão instrumental cheia de suingue. Já "Nem Vem, Miles" une um dos clássicos supremos do cool jazz, "So What", de Miles Davis, a "Nem Vem Que Não Tem", clássico da música brasileira eternizado por Wilson Simonal.
Ari relê também "Señor Blues", de Horace Silver, e "Blue Monk", de Thelonious Monk, em versões repletas de estilo. Entregando ainda mais qualidade ao disco, Flávio Guimarães participa de "Blind Man" e Nuno Mindelis da faixa que encerra o play, "Soul 61".
Faixas:
1. Trip Song - 3:40
2. Na Pressão - 6:06
3. Blind Man - 4:49
4. No Caminho do Bem - 4:23
5. Nem Vem, Miles - 2:52
6. Señor Blues - 6:12
7. Acid Grouve - 4:44
8. B3 Solo - 1:10
9. Blue Monk - 6:47
10. Tributo a Oscar Peterson -2:31
11. Soul 61 - 3:34
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