Cansei de Ser Sexy: inventando de se reinventar
Resenha - Donkey - Cansei de Ser Sexy
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 21 de outubro de 2008
Nota: 3 ![]()
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Desde aquela mal-fadada apresentação que presenciei no TIM Festival de 2004, sinto calafrios toda vez que ouço falar o nome Cansei de Ser Sexy. Aliás, quem me conhece sabe que sinto uma espécie de rejeição imediata por estes hypes automáticos, estas bandas que, do meio do nada com coisa nenhuma, todos os críticos começam a erguer ao status de cult obrigatório, nos fazendo engolir garganta abaixo – haja vista o recente "fenômeno" Mallu Magalhães.


No caso do CSS, no entanto, foi ainda pior. Eles começaram a construir uma carreira internacional, tornando-se darlings da imprensa inglesa e capa da prestigiada (?) revista NME. Há quem defenda que, meses depois, sua sonoridade pouco lembrava aquela desastrosa apresentação aqui no Brasil. Pra mim, era balela. O CSS continuava sendo um electro rock tosco, tocado por músicos que, essencialmente, não sabiam tocar – com exceção do líder Adriano Cintra, veja bem. A diferença é que, depois de tanto falatório, os integrantes da banda largaram a postura despretensiosa e se convenceram de fato de que eram rockstars do primeiro escalão, com direito a toda a arrogância que vem no pacote. Mas não estamos aqui para discutir isso, não é mesmo?

Eis, então, que chega o segundo disco, "Donkey". E...uau, que mudança! Daquelas surpreendentes. A produção é mesmo de primeiro nível, a sonoridade ficou muito mais indie rock do que electro, a parte instrumental teve uma melhora visível. E o que aconteceu nesta transformação milagrosa, meus caros? Catso, o CSS perdeu a personalidade! Como num passe de mágica! Eu não gostava daquele CSS do primeiro disco, vá lá. Mas aquele era o CSS. Inegavelmente. Impossível não reconhecer. Em "Donkey", o grupo se transformou em uma bandinha britânica default, template, básica, igual àquelas dezenas que saem do forno brit-rock todas as semanas. Juro que eu preferia que eles tivessem continuado toscos. Pelo menos dá para falar mal com propriedade.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A grande ironia é que, justamente em seu segundo disco, considerado a barreira definitiva para mostrar a que veio de fato uma banda, o CSS inventou de se reinventar. Chamou um produtor figurão como Mark "Spike" Stent (Björk, Madonna, Radiohead) para mixar a bagaça e, tentando mostrar amadurecimento musical, agora a banda quer provar que pode ser rock ‘n’ roll. Quando se escuta músicas como "Give Up", "Left Behind" e o single "Rat Is Dead (Rage)", por exemplo, a única sensação que se têm é que se tratam de covers. Sim, releituras de músicas que, com toda certeza alguém já gravou antes. Mas... não. São canções inéditas. Pasme.
A primeira tem um gostinho do brit-rock que tomou as paradas de sucesso mundiais na década de 90. A segunda leva um cheirinho facilmente reconhecível de new wave. E a última tem lá a sua guitarra raivosa com ecos nítidos no grunge. O humor? A irreverência? A esperteza? A novidade? Passaram longe.

Sobreviventes a uma mudança radical que os transformou de "a" banda em "uma" banda, as canções "Move" e "Let’s Reggae All Night" são as únicas que carregam uma sensação de evolução direta com relação ao trabalho do primeiro álbum, auto-intitulado. Ambas são dançantes, com efeitos anos 80 meio kitsch, funcionando como elo de ligação entre a bobagem mal e porcamente executada anteriormente com um mundo de estúdios e mesas de produção melhor acabados.
O mais interessante, acreditem ou não, é que eu não sou o único a ter esta opinião! Na verdade, embora meus textos costumem divergir freqüentemente do que acha a imprensa internacional – em especial aquela que gosta de se considerar "indie" – desta vez estamos todos de acordo. Até mesmo os fãs costumeiros do entourage de Lovefoxx não entenderam muito bem o que aconteceu no processo. A proposta ficou borrada.

Mas esta não é a minha grande questão. Pra mim, a pergunta que não quer calar é: depois de ver a reação morna que "Donkey" recebeu na imprensa, derrubando-os de seu status de queridinhos da vez, qual será o próximo passo do CSS? Voltar ao que era antes? Mudar o percurso evolutivo para um terceiro disco? Ou inventar uma nova direção? Nem arrisco um palpite. Mas...há. Estão aí cenas do próximo capítulo que eu adoraria ver.
Line-Up:
Lovefoxx – Vocal
Ana Rezende – Guitarra e Teclado
Carolina Parra – Guitarra, Bateria e Backing Vocal
Luiza Sá – Guitarra e Teclado
Adriano Cintra – Baixo e Backing Vocal
Tracklist:
1. Jager Yoga
2. Rat Is Dead (Rage)
3. Let's Reggae All Night
4. Give Up
5. Left Behind
6. Beautiful Song
7. How I Became Paranoid
8. Move
9. I Fly
10. Believe Achieve
11. Air Painter

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