Téléphone: mandatório para conhecer o rock francófono
Resenha - Rappels - Téléphone
Por Dinamar Villa-lobos
Postado em 14 de outubro de 2008
Mesmo na Europa, o rock francófono é visto com muitas reservas. Poucas bandas francesas obtiveram de fato sucesso internacional, muito disso se devendo à barreira que o próprio idioma francês representa, além do fato de que a maioria das bandas que alcançava o mainstream nada mais era do que a cópia de modelos anglófonos.

Entretanto, a despeito de tais dificuldades, as décadas de 70 e 80 mostraram gratas surpresas, com grande sucesso no país de d'Estaing e Mitterrand, e moderado sucesso na Europa e Canadá. Surgiram bandas como o Trust, o Indochine e o Télephone. Esta, maior expoente do rock da França à época, de sua criação em 1976 à separação em 1986, vendeu mais de 5 milhões de cópias, excursionando por países como Portugal, Inglaterra e Canadá.
Formado por Jean Louis Aubert (vocal/guitarra), Louis Bertignac (guitarra), Richard Kolinka (bateria) e Corine Marriennau (baixo), o quarteto fortemente influenciado pelos Rolling Stones e pelo The Clash firmou-se como a mais bem-sucedida experiência de roqueiros francófonos até a aparição do Noir Désir. Seus cinco álbuns de estúdio, lançados pela EMI e posteriormente pela Virgin, traziam consigo pelo menos uma música a figurar entre o TOP 50 de seu país natal.
Rappels, coletânea lançada pela Virgin France em 1992, traz consigo quinze dos maiores sucessos do Téléphone. De forte apelo comercial, contém boa parte dos maiores hits de Aubert e companhia, com suas faixas ora dançantes, ora românticas, ora pesadas e diretas, entremeadas por simples mas poderosos riffs e solos.
O CD se inicia com "La Bombe Humaine". Originalmente lançada "Crache Ton Venin", sua bela letra e agressividade, tem em sua versão ao vivo (extraído do álbum "Le Live") um dos erros da coletânea. Sendo um dos carros-chefe do grupo, a escolha de uma versão menor em termos de qualidade de gravação diminui o impacto positivo que a faixa poderia ter sobre um ouvinte que pela primeira vez toma contato com a obra dos franceses.
Segue-se a rápida "Hygiaphone", retirada do primeiro álbum do Téléphone, homônimo, que mostra riffs bastante parecidos com de certas músicas do Beach Boys, embora com mais peso. "Argent Trop Cher", presente no "Au Coeur de La Nuit", adiciona um peso inicial ao disco, crescente nas faixas seguintes. "Crache Ton Venin", introspectiva e algo experimental, faixa-título do álbum lançado em 1979, pouco acrescenta à coletânea.
Diferentemente, "Au Coeur de La Nuit" , do homônimo álbum, agrada do começo ao fim. Tendo uma base pertinente, enriquecida pela participação da guitarra de Bertignac em riffs marcantes e melodia cativante, é um dos pontos altos do disco.
"Dure Limite", faixa-título do penúltimo álbum, também merece destaque. Novamente Bertignac mostra-se adequado e coerente, e o refrão, facilmente memorizável, justifica a canção como uma das melhores da carreira do quarteto.
"Ça, C'est Vraiment Toi", do mesmo álbum da faixa anterior, inicia-se com um riff muito parecido com o de "Oh, Pretty Woman", interpretada por Johny Rivers. Cantada por todo o grupo e dona de um interessante video-clipe, a faixa é talvez o maior hit da banda. Destaque para as baterias de Kolinka.
"Un Autre Monde", do último álbum, é a mais emblemática do disco. Sem dúvida reunindo o que de melhor o grupo de Île de France possuia, é uma aula de como deve ser o pop-rock. Segue-se a ela "Oublie Ça", que apesar das boas percussões, reflete as relações desgastadas e a busca por novas sonoridades que culminaram com a separação da banda.
"New York Avec Toi" mostra-se a melhor balada do disco, soando suave e agradável, apesar de animada."Eletric Cité" e "Le Chat", esta última com uma sonaridade bastante Blues, são boas faixas, diferentes das demais, mas que pouco acrescentam.
"Jour Contre Jour" e "Le Jour S'est Levé"(esta retirada do Single que representou o último trabalho em estúdio do Téléphone) dão o tom mais ameno do final do disco, com uma linguagem mais pop, mais característica dos últimos anos da banda.
Se por um lado a "La Bombe Humaine" ao vivo foi um erro, a Cendrillon Live fecha grandemente o disco, mostrando uma ótima interação com o público parisiense e uma versão superior à já excelente versão de estúdio.
Prejudicada em parte pela falta de faixas como "Les Dunes" e "Fleur de Ma Ville", mas sem dúvida um retrato fiel da banda, e para os que o desconhecem uma ótima apresentação do que foi o Téléphone, Rappels é um bom disco de Rock, e um álbum mandatório para quem quer conhecer o Rock 'n Roll francófono.
Faixas:
1. La Bombe Humaine(Aubert/Téléphone)
2. Hygiaphone(Aubert)
3. Argent Trop Cher (Aubert/Téléphone)
4. Crache Ton Venin (Aubert/Téléphone)
5. Au Coeur de la Nuit (Aubert/Téléphone)
6. Dure Limite(Aubert/Téléphone)
7. Ça, C'est Vreiment Toi(Aubert/Téléphone)
8. Un Autre Monde (Aubert/Téléphone)
9. Oublie Ça (Aubert/Téléphone)
10.New York Avec Toi(Aubert/Téléphone)
11.Elétric Cité(Aubert/Téléphone)
12.Jour Contre Jour(Aubert/Téléphone)
13.Le Chat(Marieneau/Aubert)
14.Le Jour S'est Léve(Aubert/Téléphone)
15.Cendrillon(Bertignac/Téléphone)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
A música do Metallica que James Hetfield achou fraca demais; "Tá maluco? Que porra é essa?"
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
O músico que Sammy Hagar queria dar um soco na cara: "O que acha que vou fazer?"
Gastão Moreira diz que Phil Anselmo é um ótimo vocalista - apesar de ser um idiota
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


