Torture Squad: a espera por "Hellbound" valeu a pena

Resenha - Hellbound - Torture Squad

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Por Maurício Dehò
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Nota: 10


O parto demorou cerca de um ano. Mas o filho nasceu com saúde. Saúde de sobra, aliás. Depois da franca ascensão do Torture Squad com "Pandemonium", seu sucessor foi aguardado com euforia pelos fãs da banda. Eles anunciaram então "Hellbound", partilharam o track list, estamparam capa de revista e até foram ao Wacken, vencer o Metal Battle de 2007. E nada do disco. Agora, enfim, o álbum está chegando aos fãs brasileiros e europeus - mesmo que a banda tenha mudado de guitarrista e esteja em outra tour pelo Velho Mundo. A espera valeu a pena!

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"Hellbound" é tudo aquilo que se espera do Torture: instrumental cheio de quebradeiras, muito peso e os tradicionais urros e berros no vocal. Vitor Rodrigues (voz), Castor (baixo), Amílcar Christófaro (bateria) e Maurício Nogueira (guitarra - hoje fora da banda e dando lugar a Augusto Lopes), não mostram apenas talento, mas acrescentam uma dose de maturidade que só 17 anos na cena underground podem trazer.

Mas vamos aos sons. O disco começa com uma introdução bem apocalíptica ("MMXII" representa o ano de 2012, fim do calendário maia, que apontaria para o fim do mundo), em que as orquestrações ficaram a cargo de Fábio Laguna. A porrada começa mesmo em "Living for The Kill", com uma longa seção instrumental cheia de paradinhas, palhetadas velozes, bumbos a mil, tudo muito intrincado. Quando entra o vocal, percebe-se mais uma vez o quanto a banda é conectada e o quanto o conjunto vale para o Torture. Na primeira audição, ficou a dúvida se realmente seria a melhor faixa de abertura, por outras terem refrões que ficam mais na memória que esta. Mas nada que atrapalhe. A faixa tem até solo no baixo de Castor, que segue segurando tudo na cozinha, na dupla imbatível com Amílcar.

A terceira música, "The Beast Within" é conhecida de quem ouviu o single "Chaos Corporation" e dispensa comentários. Nela Vitor mostra o ápice de toda a sua versatilidade, com urros mega-graves e gritos mega-agressivos. Ainda é possível sentir o toque mais Thrash que existe na banda. Outra excelente e que já fica no aguardo para ser apreciada ao vivo é "The Fall of Man". Veloz, variada e com um vocal mais grave, bem puxado para o Death, ela tem um dos melhores solos de Maurício, que não economizou em suas partes. Nesta, ele escolheu sobrepor muitas guitarras e conseguiu um efeito impressionante.

"Chaos Corporation" é a outra composição já conhecida por ter sido lançada no single e uma das melhores do disco. Perfeita para bater cabeça e impossível de não ser acompanhada no refrão. O trabalho segue sem erros, na mesma linha que sacramentou o sucesso dos paulistas, mas ainda melhor. "Man Behind the Mask" tem toda uma história, com narrações feitas por Vitor e boas linhas de voz, além de ser das mais violentas, cheia de blastbeats. Por falar na bateria, Amílcar cada mais vez mostra porque é um dos melhores bateras do Brasil. Não só porque toca muito, mas porque dá para sentir uma certa liderança da bateria nas composições, característica muito própria do Torture.

Até aí, o disco estava ótimo. Mas não impressionante. Afinal, ninguém esperaria um álbum ruim da banda, que vinha crescendo. Apesar disso, nenhuma surpresa aparece neste começo. Mas, partindo para a metade final do disco, as coisas começam a mudar. Primeiro em "In The Cyberwar", mostrando um lado mais cadenciado e muitas variações, principalmente na velocidade.

Mas a surpresa começa mesmo no violão de "Twilight For All Mankind", numa intro muito bonita para um som que vira uma quebradeira. A faixa tem uma dose a mais de melodia, fator um tanto inédito no som do Torture Squad, influência de Maurício Nogueira, que teve mais liberdade de composição para este álbum. Até parte lentinha tem a música, que trata do aquecimento global.

Já "The Four Winds" é uma intro puxada para o violão clássico, para que o headbanger já entre no clima da faixa-título. A curiosidade é que Maurício resolveu gravar como Randy Rhoads em "Dee", com um violão de aço em um canal e um de nylon no outro.

Para encerrar de forma épica, "Hellbound" conta com a participação de Fábio Golfetti (Violeta de Outono) no começo da música, fazendo o som da cítara. O clima oriental dá lugar a partes bem cadenciadas, com riffs e palhetadas muito boas e, a partir do meio, o Thrash cai como uma bomba para encerrar o disco com a energia lá em cima.

Este fim de álbum só comprova o quanto a banda cresceu em maturidade, criatividade e destaca o fato de o Torture Squad ter conseguido fugir de fórmulas prontas para fazer boa música. Vale destacar a produção de Heros Trench e Marcello Pompeu, que seguem fazendo trabalhos que impressionam. Claro que a performance do quarteto, com certeza em sua melhor fase como músicos, fez a diferença para este resultado.

"Helbound" traz definitivamente o Torture para o status de banda grande, mas mantendo seu espírito 100% underground - até pela humildade de seus integrantes. Por tudo isso e pelas novidades que foram trazidas é que o álbum é tão bom. Para quem curte, é um CD obrigatório. Para quem não conhece a banda, vale ir atrás e ver o que está perdendo. E, se "hellbound" significa fronteira do inferno, pode ter certeza que a banda cruzou para o lado de lá. Com folga!

Track List:
1. MMXII (Intro)
2. Living for the Kill
3. The Beast Within
4. The Fall of Man
5. Chaos Corporation
6. Man Behind the Mask
7. In The Cyberwar
8. Twilight for All Mankind
9. The Four Winds (Instrumental)
10. Hellbound

Formação no álbum:
Vitor Rodrigues - vocal
Maurício Nogueira - guitarra
Castor - baixo
Amílcar Christófaro - bateria

Lançamento nacional - Hellion Records


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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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