Motörhead: aprovado com louvor no fator tempo

Resenha - Iron Fist - Motörhead

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Maurício Dehò
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Na série de relançamentos do Motörhead, trazida ao Brasil pela Dynamo Records, outro título encontrado em versão estendida é mais um clássico do power trio: "Iron Fist". A montanha-russa da banda subiu ("Overkill"), subiu ("Ace of Spades") e subiu ("No Sleep 'Til Hammersmith"). Mas nem tudo dura para sempre. Apesar de mais um disco memorável na carreira dos britânicos, "Iron Fist", lançado em janeiro de 1982, foi o começo da descida do grupo – que, felizmente, nunca chegou a afundar.
1446 acessosMikkey Dee: Obras de arte feitas a partir do movimento das baquetas5000 acessosHeavy Metal: 5 músicos que não são metaleiros mas amam o estilo

A ironia é que a produção ficou a cargo do guitarrista Eddie Clarke, ao invés de prosseguirem com Vic Maile, que esteve no então último disco, "Ace of Spades". E, logo em seguida, o guitarrista deixaria a banda, em conflito com Lemmy. Ao invés de toda a sujeira e o peso que colocaram o Motörhead no topo, Clarke encaminhou o som de "Iron Fist" para um lado mais polido do que a banda vinha apresentando e com uma voz mais cheia de efeitos de um Lemmy um pouco robótico. Isto tirou um pouco daquele peso e do aspecto direto do último disco e fez do trabalho mais acessível. Mas não foi um problema tão grande, visto que o "padrão Motörhead de qualidade" está carimbado nas composições.

Se o comecinho no baixo de "Ace of Spades" deu certo, por que não tentar de novo? Desta boa aposta surgiu a faixa-título "Iron Fist", melhor disparada do CD, com riffs simples, mas certeiros, e um refrão simplesmente histórico, que gruda na cabeça na hora. Afinal, quem pode contra este Punho de Ferro!?

O trio nem precisa de comentários. Mesmo que Clarke já estivesse de saída, a experiência de meia década juntos mostra que Lemmy, Clarke e o baterista Phil Taylor estão com os ponteiros acertados. Desde o início, é som atrás de som. "Heart of Stone" é veloz, intensa. "I'm the Doctor" traz o vozeirão rouco de Lemmy mais grave que o usual, mandando ver numa letra replete de ironia. "Go To Hell", mais cadenciada e liderada pela guitarra, é uma das melhores, e a influência do Blues é total em "Loser".

O riff de "America" é repetido tantas vezes, que é impossível não ficar com um eco na cabeça com todo o seu groove, assim como na gingada de "Bang to Rights". Já o Rock e o Hard mais acessíveis são representados em momentos como de "(Don't Need) Religion" e nos grandes riffs da mais pesada "Shut it Down".

O relançamento da Dynamo é cheio de versões. "Remember me, I'm Gone", não presente no repertório original tem sua versão normal e uma com vocais alternativos, intitulada "Same Old Song, I'm Gone". Já "Heart of Stone" torna-se a boa "Lemmy Goes to the Pub", enquanto "(Don't Let 'em) Grind You Down", pouco muda. Talvez o mais diferente seja a versão instrumental para "Sex & Outrage", a violenta "Young and Crazy".

"Iron Fist" é mais um grande momento do Motörhead, apesar de ter sido alvo de polêmica por ser um pouco mais acessível, principalmente após o pé-na-porta "Ace of Spades". Mas, calma lá, a agressividade é um item fundamental para esta banda e, definitivamente, este trabalho é digno de estar na discografia do Motörhead. Quem decide mesmo é o fator tempo e nisso este álbum foi aprovado com louvor. Altamente recomendado.

Track List:
1. "Iron Fist" – 2:55
2. "Heart of Stone" – 3:04
3. "I'm the Doctor" – 2:43
4. "Go to Hell" – 3:10
5. "Loser" – 3:57
6. "Sex & Outrage" – 2:10
7. "America" – 3:38
8. "Shut it Down" – 2:41
9. "Speedfreak" – 3:28
10. "(Don't Let 'em) Grind You Down" – 3:08
11. "(Don't Need) Religion" – 2:43
12. "Bang to Rights" – 2:43
13. "Remember Me, I'm Gone" – 2:18
14. "(Don't Let 'em) Grind You Down" (versão alternativa) – 3:09
15. "Lemmy Goes to the Pub" (alternativa de "Heart of Stone") – 3:02
16. "Same Old Song, I'm Gone" (alternativa de "Remember Me, I'm Gone") – 2:20
17. "Young and Crazy" (versão instrumental de "Sex & Outrage") – 2:12

Formação:
Lemmy Kilmister- baixo e vocal
Eddie Clarke – guitarra
Phil Taylor - bateria

Lançamento nacional – Dynamo Records*
Também estão sendo relançados "Ace of Spades", "Overkill" e "Another Perfect Day". Posteriormente estarão disponíveis ainda "No Remorse" e "Rock 'n' Roll".

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Lemmy escreveu músicas famosas de sua carreira solo

1446 acessosMikkey Dee: Obras de arte feitas a partir do movimento das baquetas1058 acessosLemmy: Dave Grohl não acreditou que ele tinha um coração0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Motorhead"

Lemmy KilmisterLemmy Kilmister
"Os banqueiros deveriam ir para a cadeia!"

Morreu DormindoMorreu Dormindo
As últimas horas de vida de Lemmy Kilmister

Lemmy KilmisterLemmy Kilmister
"Esta coisa de Black Metal me faz rir!"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Motorhead"

Heavy MetalHeavy Metal
5 músicos que não são metaleiros mas amam o estilo

Michael KiskeMichael Kiske
Ex-Hellowen: "O Iron Maiden vende a morte às pessoas!"

Iron MaidenIron Maiden
Conheça a equipe e família que viaja com a banda

5000 acessosSemelhança: vocalistas de rock com vozes quase iguais5000 acessosSeparados no nascimento: Phil Lynott e Tiririca5000 acessosMegadeth: os 10 bens mais preciosos de Dave Mustaine5000 acessosIron Maiden: celebridades que usam a camisa realmente ouvem a banda?3074 acessosUltimate Guitar: os 17 guitarristas que tocam mais alto5000 acessosKorn: "Estava viciado e com Deus encontrei uma saída"

Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

Mais matérias de Maurício Dehò no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online