Tarkus: em DVD, registro de uma banda sempre mutante

Resenha - Ao Vivo Em Niterói - Tarkus

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Rodrigo Werneck
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 9


Nessa que foi a sua segunda fase (é uma banda sempre "mutante"), o Tarkus somente gravou um CD/DVD ao vivo, mas que continha apenas material inédito. O CD já havia sido resenhado aqui, porém o DVD foi lançado posteriormente, contendo 2 faixas adicionais.

Manowar: A vida real e nada épica dos Reis do Metal?Eddie Van Halen: "Eruption foi um acidente"

A formação na época da gravação (2005) era composta por Mickey Nicolas (teclados), Luiz Teixeira (baixo), Allex Bessa (teclados), Maristella Bessa (vocais), Aru Jr. (guitarra e violão) e Fernando Faustino (bateria). Nicolas e Teixeira fizeram parte da formação original (o Tarkus foi criado em 2000), e continuam no grupo até hoje. Os demais saíram eventualmente, sendo substituídos por novos integrantes, que compõem o que se pode denominar de terceira fase do conjunto (e que irá lançar um novo disco em breve).

O DVD, mixado com som 5.1, é bem produzido para os padrões nacionais. Alguns dos problemas que são mais aparentes no DVD da banda Apocalypse, lançado pela mesma Rock Symphony e gravado no mesmo festival ("Rock Symphony For The Record"), estão presentes numa escala muito menor aqui (talvez pelo fato do show do Tarkus ter ocorrido no quarto dia do festival, e o do Apocalypse, no primeiro). Os enquadramentos das câmeras e a edição de imagens estão bem melhores. Já a qualidade sonora, assim como no do Apocalypse, é impecável.

Os trabalhos abrem com a inspirada instrumental "O Portal", com seus mais de 8 minutos e vários climas e andamentos. Todos se destacam, em especial Aru Jr. e Allex Bessa, que chegam a travar um empolgante duelo de guitarra e Minimoog no final da música. O som da guitarra, um pouco baixo no mix ao início do show, felizmente atinge um bom volume já nesse segmento.

Em seguida, ocorre a entrada de Maristella no palco, e é interessante notar que sua participação nos vocais somente se inicia após decorridos mais de 10 minutos de show, algo bem característico entre as bandas de rock progressivo e suas longas suítes. A primeira faixa cantada se chama "Mundo Novo", e seu início com uma levada mais comercial esconde o que vem a seguir, pois o grupo passa por vários momentos instrumentais bem inspirados, com solos em seqüência de Mickey, Aru, Bessa, e finalmente Teixeira. A bateria de Faustino é precisa sempre, sem chegar a brilhar.

A extremamente afinada Maristella Bessa é o destaque da faixa a seguir, a bela balada "Vida Nova". Piano e violão pontuam no início à la Bacamarte (clássica banda brasileira progressiva dos anos 80), embora em determinados momentos doses de peso sejam eventualmente adicionadas, dando à música uma grande variação. O final, um tema levado por Bessa e Mickey em 2 teclados, é inspirado e contagiante. A guitarra de Aru (uma Gibson SG totalmente "vintage") nos remete aos bons momentos de Steve Howe no Yes. Por falar nisso, os temas que se seguem, "No Campo" e "Pensamentos", são justamente instrumentais levados somente no violão, uma clara influência de Howe.

"A Dança Escolhida" é mais uma cantada onde Maristella brilha, e um esperado solo de bateria de Fernando Faustino é inserido em seu meio. Seguem-se "Vale Mágico", mais uma instrumental com influências setentistas à la Yes, e o solo de Mickey Nicolas nos teclados ("A Conquista"), numa peça onde privilegia o bom gosto em detrimento de evitáveis exibicionismos técnicos.

Na volta aos temas cantados, seguem-se "O Retorno da Lenda" e "O Hino", sendo essa última uma adaptação com letra em português da original de Rick Wakeman ("The Hymn"), lançada em seu disco "1984".

A longa suíte progressiva "Dumont" vem a seguir, na verdade um tributo a Santos Dumont, apropriada pois na época da gravação comemoravam-se os 100 anos do vôo inaugural do 14 Bis. Com seus 15 minutos de duração e vários climas, permitindo solos de Aru Jr. e Allex Bessa, que nos brinda com um interlúdio no piano (seu momento solo) e intermináveis solos de Minimoog (para delírio dos ouvintes). A (boa) iluminação e a edição de imagens acompanham o clima quase apoteótico.

Para encerrar, a canção "Ensaio dos Ventos", que trafega por outros campos estilísticos, lembrando Os Mutantes e até mesmo Secos & Molhados em alguns momentos. Em quase 90 minutos, o grupo conseguiu dar o seu recado e mostrar que é possível tocar hoje em dia rock progressivo como no auge do movimento (nos anos 70). Vamos torcer para que a nova formação tenha condições de manter o pique e lançar mais um bom trabalho.

Entre os extras, temos um especial de cerca de 15 minutos feito pela Niterói TV, ao mesmo tempo amador e descontraído, que não deixa de ser um bônus interessante. A galeria de fotos mostra a viagem de ônibus da banda, o soundcheck e o show em si. A biografia é sucinta, mas dá uma idéia do background do conjunto. Por fim, a discografia inclui samples de algumas músicas, o que é também interessante. A arte gráfica acompanha a do CD, e foi feita pelo Gustavo Sazes, que vem ganhando bastante espaço e reconhecimento em lançamentos recentes de várias bandas de rock, e heavy metal em particular.

Tracklist:

1. O Portal
2. Mundo Novo
3. Vida Nova
4. No Campo *
5. Pensamentos
6. A Dança Escolhida
7. Vale Mágico *
8. A Conquista
9. O Retorno da Lenda
10. O Hino
11. Dumont
12. Ensaio dos Ventos

* faixas não presentes no CD

Extras:
Backstage e Entrevista
Biografia
Discografia
Galeria de Fotos

Sites relacionados:
http://www.tarkus.mus.br
http://www.rocksymphony.com


Outras resenhas de Ao Vivo Em Niterói - Tarkus

Resenha - Ao Vivo Em Niterói - Tarkus




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Tarkus"


Manowar: A vida real e nada épica dos Reis do Metal?Manowar
A vida real e nada épica dos Reis do Metal?

Eddie Van Halen: Eruption foi um acidenteEddie Van Halen
"Eruption foi um acidente"

Jason Newsted: revelando porque ele deixou o MetallicaJason Newsted
Revelando porque ele deixou o Metallica

O amor: 10 músicas para roqueiros apaixonadosO amor
10 músicas para roqueiros apaixonados

Edu Falaschi: o fax com convite de seleção para o Iron MaidenEdu Falaschi
O fax com convite de seleção para o Iron Maiden

Ozzy: vídeo antigo de War Pigs com Faith No More e HetfieldOzzy
Vídeo antigo de "War Pigs" com Faith No More e Hetfield

Slipknot: baterista coreana mostra como tocar PsychosocialSlipknot
Baterista coreana mostra como tocar "Psychosocial"


Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

Mais matérias de Rodrigo Werneck no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336