Bad Religion: coeso, energético, emocionante
Resenha - Bad Religion - New Maps Of Hell
Por Igor Natusch
Postado em 18 de fevereiro de 2008
Nota: 8 ![]()
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É praticamente um consenso entre fãs e críticos: a volta de Brett Gurewitz fez muito, mas muito bem mesmo ao Bad Religion. Não que os três álbuns feitos sem ele fossem exatamente ruins – mas é impossível negar que os últimos CDs da banda, gravados depois da volta do guitarrista e compositor, são muito mais fortes e relevantes musicalmente.
Depois do demolidor "The Empire Strikes First" (simplesmente um dos melhores discos de punk rock da década), seria complicado para o Bad Religion gravar um disco tão forte e impressionante. Eles quase conseguiram – e acredite, leitor(a), isso significa muita coisa. "New Maps Of Hell" é um disco coeso, energético, emocionado e emocionante – como, aliás, o são os álbuns mais significativos da muito significativa carreira dos californianos.
Os assuntos básicos da banda não mudaram – de fato, pode-se dizer que o objetivo sempre foi criticar (de modo muito inteligente, diga-se) o conformismo e as ameaças à liberdade individual promovidas por governos e religiões. Mas deve ser dito que a indignação do Bad Religion não diminuiu com o tempo, pelo contrário – em muitos momentos, como em "Murder" e "Grains of Wrath", é possível sentir a revolta literalmente pulsando nas caixas de som. E, como os principais compositores (Gurewitz e o vocalista Greg Graffin) estão obviamente mais maduros, a mensagem é passada com uma sofisticação especial, que não diminui a música do grupo, mas sim a fortalece ainda mais.
As músicas, aliás, são em sua maioria muitíssimo boas. Destaques possíveis são muitos: "New Dark Ages", "Honest Goodbye" (que conta com um refrão sofisticado e muito bonito), "Prodigal Son", "Scrutiny" (começa com uma contagem de 1-8 simplesmente empolgante), "Requiem For Dissident" (outro refrão marcante) e "Submission Complete" são canções que saltam aos ouvidos já nas primeiras voltas do CD. A voz de Graffin está tão marcante quanto sempre, o instrumental soa muito coeso (com destaque para o trabalho impressionante do ótimo baterista Brooks Wackerman) e as harmonias vocais, sempre um dos fortes do grupo, seguem criativas e envolventes como sempre. Mas, em um disco cheio de destaques, me parece que esse "New Maps Of Hell" apresenta o seu melhor no final: "Fields Of Mars", uma música muito bonita, ainda que veloz e raivosa, como convém a uma das bandas mais respeitadas do punk rock atual.
Tirando a média, "New Maps of Hell" pode não ser tão impactante quanto seu antecessor – especialmente devido a algumas poucas músicas como "Dearly Beloved" e "The Grand Delusion", que não conseguem alcançar o nível de excelência das demais. Mas trata-se de um disco de alto nível, que dignifica ainda mais a já respeitabilíssima carreira do Bad Religion e se revela como uma boa aquisição para qualquer apreciador de punk rock – o que, convenhamos, é o que realmente interessa.
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