Rebellion: uma pitada do tradicional Grave Digger

Resenha - Shakespeare's Macbeth, A Tragedy In Steel - Rebellion

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Maurício Dehò
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Algumas situações podem ocorrer quando parte de uma banda debanda (que trocadilho!). Muitas vezes, a mudança é para pior: nada depois disso dá certo. Em outras, para o delírio dos headbangers, quer dizer que novos grupos se desmembrarão daquele primeiro e poderão resultar até em algo vantajoso. Exemplos? Angra, que com o passar do tempo tem a companhia do Sha(a)man e, depois, de um novo Shaman e a carreira solo de Andre Matos. Ou o Sepultura, que já deu em Soulfly e tem como próximo passo o Cavalera’s Conspiracy. Bom ou ruim? A quantidade aumentou, a qualidade fica por conta da avaliação de cada ouvinte/fã.
5000 acessosMusic Radar: Os melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos5000 acessosSlipknot: banda trolla repórter da Multishow antes de show no RIR

Um exemplo desses aconteceu com o Grave Digger e o Rebellion. A primeira banda contava com Chris Boltendahl e o guitarrista Uwe Lulis até o lançamento do disco “Excalibur”, de 1999. No aniversário de duas décadas do grupo, no ano seguite, Lulis alegou diferenças pessoais e de negócios e deixou a banda. Depois de um tempo, surgiu a tal ramificação, com o nome de Rebellion, contando ainda com Tomi Göttlich, ex-baixista do Grave Digger, além de Michael Seifert (vocal), Björn Eilen (guitarra) e Randy Black (bateria).

Enquanto a ex-banda lançava o excelente “The Grave Digger” e seguia com bons lançamentos (culminando em “Liberty or Death”, álbum mais recente que manteve a qualidade em alta), o Rebellion arriscou seu primeiro passo com o conceitual “Shakespeare's Macbeth – A Tragedy in Steel”, em 2002, lançado recentemente no Brasil pela Rock Machine Records e motivo desta resenha. (O disco “Born a Rebel”, de 2003, também foi disponibilizado pela gravadora).

Fica claro que, neste disco, a banda ainda não achou a sua identidade e, por ser liderada por um ex-Grave Digger, seu som sempre terá uma pitada da tradicional banda alemã. Ao mesmo tempo, Uwe Lulis se rodeou de músicos competentes e uma idéia bastante megalomaníaca de recriar a famosa história de William Shakespeare. O guitarrista, junto à sua trupe, não se mantiveram apenas com as canções, mas apresentam diversos narradores para a história, interpretando trechos e dando realmente uma roupagem ao disco. São falas como no teatro mesmo e barulhos de espadas e o que mais fosse preciso para fazer o álbum conceitual, de 72 minutos em 11 faixas.

E sobrou até para parte do próprio quinteto: Tomi Göttlich interpreta Macbeth, Björn Eilen faz o personagem Macduff e Randy Black é creditado como Doctor. Literalmente são músicos do tipo “pau para toda a obra”.

Quanto à música, o disco começa lembrando o Digger, com aquele Metal Tradicional cheio de peso e velocidade. Mas nem tudo é mera cópia. O vocal de Michael Seifert, neste disco, tem personalidade e é bem peculiar. Rasgado como o de Chris Boltendahl, mas bem voltado a linhas mais agudas. É assim a primeira faixa – após uma introdução –, “Disdaining Fortune”, que já trás o ouvinte para o play. A música é bem boa, o curioso é notar em sua letra citações à Escócia. Escócia? Sim, aquela mesma retratada em “Tunes of War”, do Grave Digger, álbum de 1996 e considerado por muitos o melhor do grupo. Mas chega de falar do antigo grupo, não?!

“The Prophecy” começa no violão e com uma bela linha vocal de Michael, mas logo entra em uma levada mais pesada, lembrando bastante a fase (mais) áurea do Judas Priest. Um dos fatores de maior qualidade neste debut do Rebellion foi realmente o vocal. A parte instrumental, na maior parte do disco não tem nada de complexo mas é eficiente. Já nas vozes (além da parte interpretativa e de narração da história), foi feito um trabalho bem grande, sempre com várias camadas de vozes de Michael, que não decepciona, ou ainda por meio de corais.

A primeira faixa mais épica é “Husbandry in Heaven”. Em seus 12 minutos, apresenta vocais femininos, guitarras limpas e mais pesadas e muitas mudanças de andamento e de climas.

Outra boa faixa é “Evil Speaks”, bem direta e que depois se torna pesada e mais cadenciada, além da próxima, “Letter of Blood”, que, na mistura de influências que a banda trás do Power Metal e do Tradicional, lembra muito o Primal Fear, onde batera canadense Randy Black entraria no ano seguinte. Há até os backing vocals mais graves no refrão, como o baixista Matt Sinner faz no grupo.

Se até aqui tudo estava bom, a coisa esfria um pouco em "Revenge" e "Claws of Madness", até pelo fato de o CD ser um tanto longo. Mas “Demons Rising” volta a dar qualidade e “Die with Harness on Your Back” traz riffs inspirados (sim, lembram o Grave Digger...).

Ao fim, a impressão é clara de que o Rebellion ainda procura neste tempo o seu som para não parecer com tantas outras bandas alemãs do estilo. Outro problema em alguns momentos é a produção, que desfavoreceu o cuidadoso trabalho vocal, mas também nada de tão grave. “Macbeth” pode ser considerado um disco bom, que deixa o ouvinte querendo saber o que será do próximo passo: “vai ou racha?”. Ouvindo o mais recente álbum, “Miklagard — The History of the Vikings Volume 2”, que é parte de uma trilogia sobre reais histórias dos Vikings, parece que, em vez de se distanciarem, eles chegaram mais perto do Grave Digger, ainda mais por fazerem discos concentuais e predominantemente épicos. Além de o disco ter vocais mais voltados àqueles de Boltendahl. E depois os caras vão reclamar das comparações... Bom, mas isso fica para uma próxima resenha...

Track List:
"Introduction"
"Disdaining Fortune"
"The Prophecy"
"Husbandry in Heaven"
"The Dead Arise"
"Evil Speaks"
"Letters of Blood"
"Revenge"
"Claws of Madness"
"Demons Rising"
"Die with Harness on Your Back"

Formação:
Michael Seifert - vocal
Uwe Lulis - guitarra
Björn Eilen - guitarra
Tomi Göttlich - baixo
Randy Black - bateria

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Rebellion"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Rebellion"

Music RadarMusic Radar
Os melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos

SlipknotSlipknot
Banda trolla repórter da Multishow antes de show no RIR

Simone SimonsSimone Simons
"Rammstein me faz querer mexer a bunda"

5000 acessosMetallica: corrigindo a injustiça contra Jason Newsted5000 acessosZakk Wylde: foto do arsenal de guitarras do músico5000 acessosLed Zeppelin: "Stairway To Heaven" vale mais de US$500 milhões?5000 acessosJanick Gers: "Nunca pensei no Iron Maiden como Heavy Metal"1350 acessosBeatles: John Lennon homenageado com cratera em Mercúrio5000 acessosExportando metal: músicos brasileiros que atuam ou já atuaram em bandas gringas

Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

Mais matérias de Maurício Dehò no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online