Manowar: epopéia grandiosa e apoteótica

Resenha - Gods Of War - Manowar

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Por Thiago El Cid Cardim
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Não dá para negar, antes de qualquer análise mais profunda, que o Manowar é mesmo uma banda do tipo "ame ou odeie". Da mesma forma que desperta paixões arrebatadoras e tem uma horda de fãs leais e dedicados (na qual me incluo, aliás), o grupo estadunidense tem uma legião de detratores que não os suportam nem pintados de ouro, acusando-os de serem uma piada cheia de clichês tão vergonhosa para o metal quanto, sei lá, o próprio Massacration. Mas, goste você ou não, uma coisa é impossível questionar a respeito dos caras: sua integridade musical. Afinal, eles são completamente verdadeiros e fiéis ao conceito e estilo de banda que defendem desde os primórdios. Sem fazer concessões. Basta ouvir "Battle Hyms" (1982) para sacar que, em 25 anos de carreira, o Manowar soa exatamente da mesma forma, facilmente identificável por fãs e não-fãs.

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Para alguns, isso é o indicativo de uma banda parada no tempo e que não sabe se renovar, crescer, seguir em frente musicalmente. Em outros casos, eu mesmo concordaria com este argumento. Mas esta é e sempre foi a proposta musical do Manowar, faz parte de toda a performance do quarteto seja nos CDs, seja nos clipes, seja no palco ou mesmo fora dele, nas entrevistas, nos muitos vídeos de bastidores, nas reuniões de fãs. Isso é o Manowar. E, diabos, é assim que nós gostamos deles. No fundo, é uma daquelas poucas bandas que não queremos que mude jamais. E tudo isso está mais presente do que nunca em "Gods of War", seu mais novo disco de estúdio. É um disco tipicamente Manowar. Ainda bem.

Depois de longos 5 anos esperando por um álbum de inéditas, pode ser que você ache "Gods of War" um tanto pomposo demais, uma superprodução cheia de introduções instrumentais e vinhetas climáticas, com mais requinte e menos música. Tudo bem, isso ele é mesmo, admito. Talvez até um tantinho presunçoso. Houve até quem afirmasse que isso era resultado de tamanha convivência com o Rhapsody (of Fire) depois de uma extensa turnê conjunta (e que agora se repete, aliás). Mas o fato é que estamos falando da primeira obra de uma série de discos conceituais, que promete enfocar cada um dos deuses da guerra de diferentes mitologias. O escolhido para iniciar a saga é justamente Odin, o grande pai de todo o panteão politeísta dos nórdicos. E não dava para o resultado final ser menos grandioso e apoteótico, uma verdadeira epopéia musical com ares de trilha sonora de Hollywood. Mas tudo produzido de maneira impecável e com um bom gosto inigualável.

A longa introdução "Overture To The Hymn of The Immortal Warriors" (extensa até no nome) ajuda a entrar no clima - e depois da pequena vinheta narrada "The Ascension", eis que se apresenta "King of Kings", uma porrada que é puro Manowar, para bater cabeça até cansar e sem pensar duas vezes. O mesmo pode se dizer de "Sleipnir" - uma as melhores do disco, com um refrão sobre a ponte arco-íris rumo a Valhalla que não dá para evitar de cantar junto. "Sons of Odin" e "Loki God of Fire" (uma canção sobre o irmão bastardo de Thor? Genial!) são outros dois petardos repletos daquelas frases de efeito para cantar junto nos shows, com as doses apropriadas de aço, sangue e guerreiros rumando para a batalha.

A belíssima power balada "Blood Brothers", cantada com emoção pungente por Eric Adams (que continua com o gogó em excelente forma, é preciso dizer), pode ser a nova "Courage" do grupo, ressaltando as virtudes da amizade verdadeira e do companheirismo - e que se encaixa como uma luva em tempos do longa-metragem "300", o épico em película inspirado na HQ de Frank Miller e que trata justamente da união e da honra dos guerreiros espartanos que enfrentaram sozinhos os milhares de soldados das tropas do rei persa Xerxes. Mas isso você já sabe.

Para fechar a bolacha, vem a faixa bônus "Die For Metal", que nada tem a ver com Odin e seus filhotes mas é candidata disparada a novo hino do quarteto - por tratar do tema que eles mais entendem e que mais levanta a galera nos seus shows: a lealdade ao metal, a fidelidade ao metal, a força do metal, o poder supremo do metal e o quão legais são as pessoais que ouvem metal. Ou você realmente acha que é difícil evitar que milhares de cabeludos ensandecidos gritem ao mesmo tempo "They can't stop us / Let 'em try / For heavy metal / We would die!"? Tá praticamente na marca do pênalti, mais fácil do que o milésimo gol do Romário. É só correr para o abraço!

Line-up:
Eric Adams - Vocais
Joey DeMaio - Baixo
Karl Logan - Guitarra
Scott Columbus - Bateria

Tracklist:
1. Overture to the Hymn of the Immortal Warriors
2. The Ascension
3. King of Kings
4. Army of the Dead, Pt. 1
5. Sleipnir
6. Loki God of Fire
7. Blood Brothers
8. Overture to Odin
9. The Blood of Odin
10. Sons of Odin
11. Glory Majesty Unity
12. Gods of War
13. Army of the Dead, Pt. 2
14. Odin
15. Hymn of the Immortal Warriors
16. Die for Metal

Gravadora:
SPV/Magic Circle


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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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