Manowar: Gods of War é uma obra-prima sem precedentes

Resenha - Gods of War - Manowar

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Por Rafael Marques
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Cincos anos após o excelente Warriors of the World, álbum de relativo sucesso comercial, Manowar anuncia que um novo álbum seria lançado ainda no ano de 2007 e que seria algo um pouco diferente do que a banda vem fazendo durante os quase 30 anos de carreira.

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A primeira missão foi atender aos pedidos dos fãs que reclamaram da curta duração de Warriors of the World. Gods of War tem aproximadamente 1h e 20 minutos de duração, quase 2 vezes o tamanho de seu antecessor. Mas não se deixe enganar pela duração: ainda são poucas as faixas "porrada" e o disco abre caminho para grandes instrumentais orquestrados, mas são justamente essas faixas que dão brilho ao disco e o diferem dos outros.

Gods of War é, antes de mais nada, um álbum conceitual. Este álbum só pode ser analisado em sua magnitude quando escutado em sua totalidade e respeitando a ordem das faixas, que não foram organizadas dessa forma por acaso. O álbum trata da Mitologia Nórdica e particularmente do deus Odin, pai de todos os deuses. O álbum gira em torno de duas grandes faixas centrais que eu explicarei melhor posteriormente.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a banda usa da Mitologia Nórdica para compor suas músicas. "Thor" de Sign of the Hammer e "Gates of Vahalla" de Into Glory Ride são duas grandes músicas para exemplificar esse ponto.

Mas chega de enrolação, vamos direto ao álbum:

1."Overture to the Hymn of the Immortal Warriors" 6:19

O álbum já começa com um extenso instrumental de abertura. Com uso e abuso de coros em soprano (que representariam as Valkiries de Vahalla) e orquestras perfeitamente sincronizadas, ele demonstra o que esperar do álbum.

Como eu disse anteriormente, o disco gira em torno de duas grandes faixas principais, e uma delas é Hymn of the Immortal Warriors.

Nota: 8

2."The Ascension" 2:30

Essa faixa começa com uma pequena narração anunciando o nascimento do deus dos deus, Odin. A faixa vai criando um clima de abertura até que Eric Adams entra com sua voz sublime cantando os seguintes versos:

"Eu entrei nesse mundo, nascido sobre um sinal de luz infinita.
E lá eu deverei residir. Eu agora compreendo...
Tudo que eu sou deverá viver sobre meu comando...".

E é ai que entra Odin.

Nota: 10

3."King of Kings" 4:17

Depois de quase 10 minutos de instrumental, porrada à vista. King of Kings conta com mais detalhes a personalidade de Odin, um deus da guerra, mas também da justiça e do bem.

A faixa é muito boa e funciona melhor ainda ao vivo. Um final épico aos versos de "KING OF KIIIIGS" mostra que Eric Adams não se abateu nem um pouco ao chegar no sexagenário aniversário. Aliás, receio que nem em sua juventude ele pudesse cantar com tal maestria, afinal nem tudo é alcance vocal.

Reiterando, o álbum permeia duas grandes faixas finais, e essa faixa é

Nota: 9

4."Army of the Dead, Pt. I" 1:58

"Raise thy weapons on this day
Ye shall not die alone"

Uma faixa somente vocal com vários "Adams" sobrepondo sua voz e criando uma espécie de coro com ajuda de alguns efeitos.

A morte na cultura nórdica não era vista como um fim terrível ou trágico como atualmente é. Morrer envolvia honra e glória, era um estado de elevação onde o homem iria se encontrar com Odin nos salões de Vahalla, em Asgard, para viver eternamente ao seu lado e ao lado de outros guerreiros mortos em combate.

Reiterando, o álbum permeia as duas grandes faixas finais e logo você se lembrará desse trecho no fim do álbum. Mas, por ora, continuemos a análise.

NOTA: 9

5."Sleipnir" 5:13

Essa faixa é uma redenção ao Power Metal que a banda sempre teve mas sempre ficou "implícito" em suas músicas, exceto em álbuns como Fighting the World.

Sleipnir é a montaria de Odin, um cavalo com 8 patas e que tinha a habilidade de cavalgar no mar, ar e terra, numa velocidade que nenhum outro cavalo conseguiria alcançar.

De resto podemos citar o excelente solo de Karl Logan, um dos melhores da sua carreira no Manowar. Uma boa faixa e que agrega, com toda certeza, mais valor e diversidade ao disco.

Imagem Ilustrativa:http://img12.deviantart.net/0194/i/2015/126/e/2/odin_and_sleipnir_by_ripedecay-d16qjvq.jpg

NOTA: 8.5

6."Loki God of Fire" 3:49

Como o nome já diz, a música é sobre Loki, o deus do fogo (há discussão sobre isso). Conhecido por ser um ente trapaceiro e astuto, frequentemente associado à maldade, Loki tinha habilidade de se passar por qualquer outra pessoa. Apesar de tudo, Loki é respeitado por Odin e por seu filho, Thor, a quem prestou ajuda para recuperar seu martelo.

Sobre a música, é uma música razoável. Na minha opinião é a mais fraca do disco, não que ela seja exatamente ruim (tem um refrão legalzinho até), mas alguém tem que ficar com esse título hahaha.

NOTA: 7.5

7."Blood Brothers" 4:54

Essa é uma faixa que realmente faz cair algumas lágrimas dependendo da situação... É aquela faixa pra você mandar para o seu melhor amigo ou para seu pai em ocasiões especiais. A letra é absolutamente impecável e emocionante.

Uma das coisas mais bonitas em nossa efêmera estadia na terra é a amizade. Se Adam Smith disse um dia que o homem é naturalmente movido por seus próprios interesses, quando ele não o faz é realmente algo belo. Esse é a definição da amizade, estar disposto a contrariar seus próprios interesses para ajudar um amigo ou alguém muito próximo. E pode ter certeza que as tribos nórdicas reconheciam e celebravam a amizade, principalmente nos campos de batalha.

Enfim, faixa impecável e mostra porque o Manowar é uma das melhores, se não a melhor banda de metal na questão de baladas. Swords In the Wind, Master of the Wind, Courage, I Believe... São incontáveis os clássicos marcados no coração de cada fã.

NOTA: 10

8."Overture to Odin" 3:41

Novamente, mais uma faixa para celebrar uma das grandes faixas do disco. Assemelha-se muito ao estilo da primeira faixa, com orquestras e coros, talvez podemos adicionar a presença mais marcante do órgão e um estilo mais "pesado" para representar o deus dos deuses.

NOTA: 7.5

9."The Blood of Odin" 3:57

Mais uma narração, dessa vez não sobre o nascimento de Odin, como The Ascension, mas sobre seus filhos.

Aparentemente quem narra a faixa é o próprio DeMaio. Não é da personalidade dele se aventurar em narrações, mas já vimos ele fazendo algo semelhante em Bridge of Death de Hail to England

Acho que não seria correto dar uma nota à uma narração, ainda que ela agregue muito valor climático ao disco.

10."Sons of Odin" 6:23

Após o anúncio do sangue de Odin, é hora deles finalmente aparecerem. Não é exatamente uma música sobre seus filhos deuses, Thor, Balder e Vali, mas de todo guerreiro que se dispôr a lutar ao lado de Odin é também seu filho.

A letra volta ao velho e clássico Manowar: grandes canções de guerra e frases de luta no clássico metal.

Sobre a música, ela é uma das melhores do disco. Intercala muito bem partes lentas e rápidas, coros e a voz rasgada de Eric Adams, além de um bom solo de Karl Logan e um final épico em coro como se fosse uma verdadeira celebração pré-guerra dos nórdicos. Se tem uma coisa que o Manowar sabe fazer é criar climas, talvez até demais já que ninguém sabe se eles são realmente assim ou é tudo uma questão teatral hahaha.

Enfim, uma boa faixa. A título de curiosidade ela foi trilha sonora de um jogo MOBA chamado Smite, onde os personagens são deuses. Outra coisa é que a parte "lenta" da música se parece muito com Die With Honor, tanto que Eric Adams confundiu as duas numa apresentação aqui em São Paulo em meados de 2010.

NOTA: 9

11."Glory Majesty Unity" 4:41

Essa faixa conta uma pequena história narrada sobre 4 guerreiros que, ao serem derrotados por inimigos, se entregam a morte e juram lealdade a Odin. Porém Odin lhes dá um poder inimaginável, e seus inimigos começam a cair aos milhares.

Aparentemente é uma pequena fábula das tribos nórdicas para exemplificar a onipotência de Odin. Enfim, mais uma faixa que agrega valor histórico ao disco e que contribuiu para imersão do ouvinte.

12."Gods of War" 7:25

A primeira vez que eu ouvi essa faixa eu me perguntei: teria eu ouvido isso em algum outro lugar? Não. Ela na primeira audição se tornou um clássico intocável e eu nunca mais esqueci.

O único pecado seja sua duração que tenha passado um ou dois minutos do ponto. No mais, é uma excelente faixa com uma excelente performance de Eric Adams e um magnífico solo de Karl Logan.

NOTA: 9.5

13."Army of the Dead, Pt. II" 2:20

Praticamente igual a parte I, com apenas uma introdução em órgão acrescentada antes dos corais, a faixa serve para anunciar que é chegada a hora do prato principal.

NOTA: 8

14."Odin" 5:26

Odin é uma faixa esquisita na primeira audição, mas por algum motivo as faixas mais esquisitas se tornam extraordinárias com algumas poucas audições. Odin traz o peso a outro nível, contando a história de Odin em primeira pessoa. Sendo deus da guerra, Odin era experiente e reunia todos os atributos louváveis pelas tribos. A sabedoria, a força e a experiência eram as características requisitadas nas batalhas, e nada melhor que ter um deus que reuna todas elas.

Um riff arrebatador e um clima pesado que se estende até aproximadamente o meio da música. Após isso entra um solo que, além de ser o melhor solo do Karl Logan depois de Today is a Good Day to Die, é um dos melhores solos do Manowar.

Ao final, mais uma vez é tocado o coro de Army of the Dead, mas dessa vez com o instrumental acompanhando a voz de Eric Adams, absolutamente memorável e mostra que um guerreiro nunca estava sozinho durante as batalhas.

NOTA: 10

15."Hymn of the Immortal Warriors" 5:29

O hino dos guerreiros imortais representa o momento mais sublime da vida de um homem: triunfar perante a morte e ter sua alma eternizada junto a Odin nos salões de Vahalla. A honra e a glória sobrepunham o temor pela morte, era certo que os bravos seriam elevados na hora final "porque vossa alma nunca deverá morrer!"

Sobre a música, é a melhor do álbum, está entre as 20 melhores da banda e é um verdadeiro hino histórico da banda.

NOTA: 10

16."Die for Metal" (faixa bônus) 5:16

Die for Metal é uma faixa bônus que se tornou uma das mais ouvidas da banda imediatamente. Ficou de fora do álbum por conta do seu caráter mais "festivo" e menos ligado ao conceito da mitologia nórdica.

A faixa é boa, muito boa, mas quando você acaba desprezando as demais para elevar uma faixa menos trabalhada, você acaba dando um sinal negativo para a banda.

Sei que muitos gostam do "direto ao ponto", mas Gods of War é, com toda certeza, mais do que um álbum fraco com uma faixa bônus boa.

NOTA: 9

Gods of War não é, definitivamente, um álbum para todos os tipos de ouvido. Talvez você pule algumas faixas no começo, pegue no sono em outras e até acabe se frustrando por completo e deletando o álbum do seu celular. Talvez nunca goste dele, mas isso não apaga o primor técnico, a qualidade orquestral e de mixagem que carrega consigo.

Aliás, esse álbum além de ser um grande registro fonográfico, também é histórico e antropológico. Invoca com fidelidade todas as concepções nórdicas a respeito da realidade que os cercavas e os coloca num cenário musical épico e glorioso.

Na verdade, ser diferente é o que faz Gods of War tão bom.
Joey, apesar de ter valores rígidos, nunca teve uma sonoridade rígida e sempre trouxe muitos estilos diferentes para a banda, e Gods of War não é exceção.

DeMaio tentou durante toda sua carreira trazer os conceitos de lealdade e honra para o metal, e o resultado disso foi uma fanbase das mais leais do metal (leal até demais, né não Regis?). Então faz todo sentido contemplar uma mitologia em que esses valores eram mais do que presentes e que tanto se assemelham com os valores do Manowar.

Gods of War é um álbum que não foi compreendido, e até hoje ainda não é. O intuito dessa resenha é justamente colocar o álbum no seu devido lugar e fazer com que ele seja analisado de forma correta e não porque "não tem músicas rápidas". Como disse anteriormente, não é um álbum para todos os ouvidos, mas ele com certeza tem seu lugar guardado nos clássicos do metal no século XXI

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Post de 06 de julho de 2016


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