Endrah: death metal de contornos perturbadores

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Por Ben Ami Scopinho
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O paulistano Endrah vem conseguindo boa repercussão logo com seu primeiro álbum autodenominado. A banda, formada pelo guitarrista Covero (Nervochaos), o baixista TJ (Nervochaos) e o baterista Fernando Schaefer (Korzus, Pavilhão 9), depois de uma típica troca de integrantes – inclusive o guitarrista Billy Graziadei, do Biohazard, passou pelo grupo – estabilizou sua formação com a voz do norte-americano Ryan ‘Relentless’.
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Apesar de estar sendo divulgado pelos veículos de comunicação especializados que o Endrah executa ‘o extremo do Hardcore com o lado sombrio do Death Metal’ (as palavras são do próprio conjunto), a predominância aqui realmente é o Death Metal. O Hardcore parece vir em segundo plano e está muito bem amalgamado, tendo como resultado uma brutalidade digna de trincar os ossos, como não poderia deixar de ser.

Produzido por Ciero (Krisiun), o grande lance aqui é como tudo soa contemporâneo, com aquele clima caótico típico dos grandes centros urbanos. Com muita técnica, outra forte característica nos arranjos do Endrah são as freqüentes mudanças de tempo que, aliadas às passagens velozes, adquirem contornos perturbadores em várias ocasiões durante a audição, como nas ótimas “61 Rounds”, “Worms Of Envy” ou na mais cadenciada “Stay Spitting”.

Mas nem tudo é perfeito. Estas canções elaboradas de forma tão ‘quebrada’ funcionam muito bem individualmente, mas na seqüência do álbum, as mesmas acabam por soar similares entre si. As constantes linhas vocais gritadas de Relentless e os poucos solos de guitarras também contribuem para esta impressão. Ainda assim, permanece o fato de que sua execução sobre os palcos abrirá rodas e mais rodas entre o público.

De qualquer forma, o Endrah liberou um disco que consegue resistir em soar semelhante a qualquer outro conjunto que execute música extrema, e não só do cenário brasileiro. Particularmente, não me lembro ter ouvido algo próximo a estas canções, nem mesmo entre as bandas gringas. É um começo pra lá de promissor, e esta distinção merece uma conferida cuidadosa.

Em tempo: o álbum traz um vídeo para “Turns Blue”, executada ao vivo, onde se vê muitas tatuagens, uma platéia fazendo a festa e ‘um pouco’ do estilo de Fernando em seu pequenino kit de bateria.

Endrah – Endrah
(2006 / Dynamo Records – nacional)

01. 61 Rounds
02. Depht Of Corruption
03. Worms Of Envy
04. A Lot Of Blood
05. Stay Spitting
06. Turns Blue
07. Witness Count 0
08. Collapse
09. Eretic Manifesto
10. You’re The Hunted Now

Homepage: www.endrah.net

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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