Resenha - Cast In Stone - Venom

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Venom passou por diferentes formações entre 1986 e 1996, quando o trio original formado por Cronos, Mantas e Abaddon finalmente se reuniu para um esperado comeback. O fruto dessa volta foi o disco “Cast In Stone”, ora lançado em formato duplo pela Sanctuary, e contendo ainda várias regravações de clássicos da banda.
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O power trio encarnado por Conrad “Cronos” Lant (baixo, vocais), Jeff “Mantas” Dunn (guitarra) e Tony “Abaddon” Bray (bateria) se transformou na época de sua concepção, na virada dos anos 70 para os 80, no bastião do rock verdadeiramente pesado, gerando indistintamente choque e admiração. Com seu disco de estréia, “Welcome To Hell” (1981), e o seguinte, “Black Metal” (1982), não somente definiram caminhos para o heavy metal como cunharam o termo que classificaria seu subgênero o qual lideravam como banda mais influente: o black metal.

A formação clássica não durou muito tempo, entretanto, e já em 1986 Mantas já havia deixado o grupo e sido substituído pela dupla de guitarristas Mike H e Jimmy C. O Venom fez inclusive shows no Brasil nessa época, junto dos canadenses do Exciter. No meio do vai-e-volta de membros, existiria ainda a formação composta por Mantas e Abaddon, mais o baixista/vocalista Tony Dolan e o guitarrista Al Barnes. Nessa época, Cronos montou seu próprio, homônimo, levando consigo os guitarristas Mike e Jimmy.

Finalmente, em 1996, de uma despretensiosa reunião para definir questões de royalties e merchandising, surgiu a idéia de um retorno da formação clássica. O resultado foi o disco “Cast In Stone”, lançado em 1997 e agora relançado com som remasterizado.

O álbum recebeu críticas em sua maioria positivas, na época. Mesmo sem o frescor e o sabor de novidade que os primeiros discos da banda continham, em toda a sua ingenuidade, ainda assim os elementos clássicos do som do Venom estavam lá. O rock visceral, vocais guturais e agressivos, letras idem, e a guitarra lancinante de Mantas, o melhor instrumentista dos três. A produção, por outro lado, já era nesse momento muito superior à dos discos iniciais, que era totalmente tosca. Se o peso permaneceu inalterado com o passar dos anos, o mesmo não se pode falar da velocidade. Embora parte das músicas apresentasse ainda a velocidade costumeira (como "Flight Of The Hydra" e "Raised In Hell"), em algumas outras uma levada mais cadenciada era notória (como "Destroyed And Damned" e "Judgement Day"). Se por um lado alguns fãs de carteirinha torceram o olho, por outro uma maior variedade foi imprimida às músicas. Isso sem falar nas 2 composições contribuídas por Abaddon, “Domus Mundi” e “Swarm”, com nítidas influências industriais. Apesar disso, as suas inclusões contribuíram mais uma vez com uma maior dinâmica ao disco. “Domus Mundi” possui um refrão aterrorizadamente cativante, por sinal.

Essa mencionada melhora na qualidade de produção em relação aos discos iniciais acabou por sugerir aos músicos que regravassem uma série de clássicos antigos, e dessa forma um CD extra bônus foi incluído em algumas das versões lançadas. Essas 10 versões estão presentes aqui, é claro, no segundo CD desta compilação. Além disso, estão também presentes outras 5 versões de clássicos também regravadas pela formação reunida, só que em 1996. O intuito dessas regravações foi o lançamento de um mini-álbum especial para o Dynamo Festival, em edição limitada (que rapidamente se esgotou), chamado “Venom 96”.

Dessa forma, o segundo disco é basicamente um “best of” do Venom, com músicas como “Die Hard”, “Venom”, “7 Gates Of Hell”, “Black Metal”, “Welcome To Hell”, etc. Só que muito mais bem gravadas, sem aquela sonoridade suja e embolada de antigamente. Para o ouvinte eventual, uma boa oportunidade de se obter o melhor do Venom, sem a necessidade de se adquirir mais de um disco. Para os fãs ardorosos, as regravações são também imperdíveis, ou seja, trata-se de um lançamento recomendado para ambos os casos.

O encarte é muito caprichado, com a história da banda brevemente narrada por Malcolm Dome, e com vários depoimentos de Cronos, que participou ativamente do lançamento. Estão presentes também várias fotos do grupo tiradas na época da volta, assim como imagens de capas de revistas, resenhas, etc.

CD 1 (original album)

1. The Evil One
2. Raised In Hell
3. All Devils Eve
4. Bleeding
5. Destroyed And Damned
6. Domus Mundi
7. Flight Of The Hydra
8. God's Forsaken
9. Mortals
10. Infectious
11. Kings Of Evil
12. You’re All Gonna Die
13. Judgement Day
14. Swarm

CD 2 (classics re-recorded)

1. Intro
2. Bloodlust
3. Die Hard
4. Acid Queen
5. Bursting Out
6. Warhead
7. Lady Lust
8. Manitou
9. Rip Ride
10. Venom

Limited Edition Dynamo Festival 1996 Mini-Álbum:

11. 7 Gates Of Hell
12. Welcome To Hell
13. In Nomine Satanas
14. Black Metal
15. The Evil One

Site: http://www.venomslegions.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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