Resenha - Dirty Diamonds - Alice Cooper
Por Rodrigo Werneck
Postado em 22 de janeiro de 2006
Nota: 9 ![]()
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Com seus cerca de 40 anos de carreira, Alice Cooper ainda é capaz de se reinventar a cada disco e de nos surpreender. Sempre cercado de bons músicos e acompanhado mais uma vez pelo seu fiel escudeiro nos últimos 10 anos, o guitarrista Ryan Roxie, Alice mostra que está muito bem neste novo e excelente disco, "Dirty Diamonds", que resgata o espírito de sua vibrante música dos anos 70, e juntando a isso umas pitadas de modernidade.
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Após o excelente disco "The Last Temptation", de 1994, Alice andou flertando com o som dito "industrial" em discos como "Brutal Planet" (pesadíssimo, de 2000) e "Dragontown" (de 2001). Depois disso, retornou um pouco ao seu estilo mais característico em "The Eyes of Alice Cooper" (2003), mas esse retorno somente se mostrou por completo neste novo lançamento de 2005, "Dirty Diamonds". Uma das intenções neste disco, conforme o próprio Alice já comentou, foi o de trabalhar duro para criar um CD recheado de hits, evitando músicas compostas apenas para completar a bolacha. Nem sempre "querer é poder", mas neste caso isso funcionou, para alegria dos fãs. Tirando uma música, "Run Down The Devil", que ainda tem traços de som industrial e é a mais pesada do disco, o resto está num nível excelente, tanto de composição quanto na performance de Alice e sua banda. Banda aliás muito competente: além de Alice nos vocais e gaita, temos a dupla Ryan Roxie e Damon Johnson nas guitarras, Chuck Garric no baixo, e Tommy Cufetos na bateria (quem aparece na foto do encarte, porém, é Eric Singer, que vinha tocando com Alice até recentemente).
O álbum abre logo com chave de ouro: "Woman of Mass Distraction", que significa literalmente "mulher de distração em massa". Um trocadilho, típico de Alice, com a expressão "weapon of mass destruction", que por sua vez significa "arma de destruição em massa". Um rockão direto, com o vocal largadão de Alice, bem escrachado, bem no seu estilo antigo. O mesmo se segue nas músicas seguintes: "Perfect", um deboche sobre a mulher perfeita; "You Make Me Wanna" (lembrando bem as músicas do Alice Cooper Group original), e a faixa-título. A música seguinte, "The Saga of Jesse Jane", é uma espécie de country rock irônico, contando uma estorinha inverossímil e estapafúrdia ("Jesse Jane, are you insane? Or are you just a normal guy, who dresses like a butterfly?"). Impagável. E o nível das músicas simplesmente não cai: "Sunset Babies" tem um riff de guitarra e um refrão daqueles de fazer um estádio inteiro pular e cantar ("sunset babies, all got rabies", que significa "gatas do pôr-do-sol, todas pegaram raiva"); "Pretty Ballerina" é uma daquelas baladas típicas de Alice, onde não se sabe se a letra é psicodélica ou simplesmente algo totalmente nonsense; "Steal That Car" é mais um rock direto, com mais um refrão cativante; "Six Hours" é uma espécie de blues à la Cooper; "Your Own Worst Enemy" possui um baixão capaz de tremer as estruturas e que fez até o meu CD player pular(!!); e "Zombie Dance" conta uma tradicional estorinha de terror bem "trash", especialidade de "Tia Alice". Simplesmente sensacional. Para fechar a edição brasileira do CD, uma faixa bônus, "Stand", com a participação de um rapper (Xzibit), cantando junto a Alice. Não chega a ser um dos destaques do disco, mas também não compromete, de forma alguma.
Resumo da ópera: um CD de primeira linha, e que faz bonito na discografia de Alice Cooper. Se ele continuar nesse caminho, os fãs do seu rock clássico estarão muito bem servidos por anos a fio. Só não leva nota 10 se comparado aos seus clássicos supremos dos anos 70, como "School’s Out", "Billion Dollar Babies", etc. Totalmente recomendável!
Tracklist:
1. Woman Of Mass Distraction
2. Perfect
3. You Make Me Wanna
4. Dirty Diamonds
5. The Saga Of Jesse Jane
6. Sunset Babies (All Got Rabies)
7. Pretty Ballerina
8. Run Down The Devil
9. Steal That Car
10. Six Hours
11. Your Own Worst Enemy
12. Zombie Dance
Bonus Track:
13. Stand
Site: www.alicecooper.com/discography/dirty.html
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