Resenha - Blessed And The Damned - Iced Earth

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Por Thiago Sarkis
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Nenhuma compilação alcança a perfeição ou consegue agradar inteiramente a todos os fãs; não só pela dificuldade deste objetivo, como também por desinteresse de músicos e gravadoras, já que essa completude significaria eliminar a discografia de uma banda, deixando tudo num só lançamento. Porém, "The Blessed And The Damned" chegou perto desse sonho e provou que Iced Earth e Century Media nunca tiveram receio de soltar material ao público, vide também o triplo ao vivo "Alive In Anthens" (1999).

Óbvio que esta coletânea com o melhor que Jon Schaffer e seus inúmeros companheiros apresentaram de 1991 a 2002 (não entra nada de "The Glorious Burden" de 2004) deixa passar algumas músicas, como "Dante’s Inferno", ou até álbuns inteiros, caso de "Tribute To The Gods" (2002). O importante, no entanto, é que através destes dois discos pode-se ter a noção exata do que é o Iced Earth: um dos maiores nomes do heavy metal na década de noventa, o grande representante dos Estados Unidos e, certamente, ao lado do Dream Theater, o grupo que mais incorporou elementos de diferentes vertentes de um mesmo estilo em suas composições.

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Após a entrada do vocalista Matthew Barlow em "Burnt Offerings" (1995) tornou-se clarividente o que acontecia desde o início, mas que cintilava a partir dali: a habilidade do conjunto em unir a veia européia e a americana; o thrash e o tradicional; o power e o speed. Basicamente, para se construir, o Iced Earth tirou uma lasquinha de cada tronco da árvore genealógica do metal.

Da primeira à última faixa, admiradores novos e antigos são presenteados por arranjos pesados, tristes, acelerados, brandos, raivosos, super trabalhados, crus, etc., que unem os primórdios do Metallica à tradição do Judas Priest, consistência do Iron Maiden, agressividade e técnica do Megadeth. Além disso, performances ao vivo simplesmente impecáveis.

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"The Blessed And The Damned" é um dos melhores "best of" lançados até hoje, numa embalagem completíssima, contendo letras, biografia, comentários das canções pelo próprio Schaffer, e duas capas à sua escolha. Fechamento digno de estrondoso período numa parceria organizada e bem administrada por Iced Earth e Century Media. Só podemos apoiar e esperar que o mesmo aconteça com Ripper Owens nos vocais e a SPV.

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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