Resenha - Beast Of Bourbon - Tankard

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Por Maurício Gomes Angelo
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Nota: 10


Analisando tudo o que vem ocorrendo com o Tankard nos últimos sete anos, ou seja, desde a volta ao puro thrash metal de "Disco Destroyer" (1998), o que se percebe é uma evolução exponencial em peso, técnica e fidelidade oitentista, sobrepujando gradualmente suas influências punk, que são cobertas por uma camada deliciosamente espessa de distorções afiadíssimas, riffs cavalares, brutalidade rebuscada e o maravilhoso vocal de Gerre, sendo um convite irresistível ao mais insano whiplash.

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Lançado em 2004 pela AFM e chegando este ano no Brasil via Encore Records - destruindo com o último empecilho que faltava para você adquiri-lo - "Beast Of Bourbon" consagrou-se facilmente como um dos melhores álbuns do ano passado.
Há algo na escola germânica que a difere de todas as outras, há algo na musicalidade deste país que faz com que o seu thrash metal seje o melhor do mundo, sendo que já passou da hora desta injustiça ser reparada e o Tankard reverenciado tanto quanto seus compatriotas Destruction, Sodom e Kreator.
Temos aqui 45'27 min de um argumento irrefutável para isso.

"Under Friendly Fire" vai fazê-lo se perguntar porquê não conhecia esta banda ainda, "Slipping From Reality" proporcionará um prazer simples que poucas bandas atuais oferecem e "Genetic Overkill" já te converterá num fidelíssimo fã.

"Die With a Beer In Your Hand" - um título capaz de resumir perfeitamente toda a atmosfera do Tankard - representa igualmente o nascimento de um novo hino metálico, no que pode ser considerada a melhor música do trabalho. Nuances da NWOBHM incorporados num recheio thrash que beira o mid-tempo, mas que na verdade trata-se de uma coletânea de passagens bem pensadas costuradas por grooves fantásticos.

"The Horde" faz-me pensar que o Death (a banda de Chuck Shuldiner, óbvio) é uma das maiores influências do quarteto, o que por si só é um elogio inominável.

Andy Classen oferece uma produção magnífica, captando o vigor de todos os instrumentos, dando para ouvir claramente cada som em separado e mesmo assim numa unicidade incrível - coisa raríssima - , uma aula de mixagem e sensibilidade musical.

Frank Thorwarth (baixo) e Olaf Zissel (bateria) formam uma cozinha azeitada, exalando domínio, personalidade e criatividade, enquanto Andy Gutjahr (guitarra) está irretocável, em riffs, solos e bases bem trabalhadas, deixando o simpático Gerre pôr em prática sua condição de um dos melhores vocalistas de thrash metal do planeta.

As intrincadas "Endless Pleasure", "Dead Men Drinking" e "Alien Revenge" não são menos agradáveis que "Fistful Of Love" e "Beyond The Pubyard", old-school até o osso, pau do início ao fim sem concessões desnecessárias e modernices depreciativas. O final fica com a bonus track "We're Coming Back", cover dos punkers do Cocksparrer, ou seja, preferiram concentrar todo seu background punk numa faixa só em vez de espalhar doses homeopáticas ao longo da bolacha, decisão acertada num gran finale perfeito.

Se eu fosse avaliar cada conceito em separado, "Beast Of Bourbon" seria um dos poucos álbuns que receberia nota máxima em todos eles: arte gráfica, produção, letras, riffs, solos, vocal, cozinha, harmonia, criatividade, ritmo, conjunto, empatia e técnica, para resumir a questão, portanto o 10 é mais do que merecido e justificável. E feliz 1986 para todo mundo!

Formação:
Andreas "Gerre" Geremia (Vocal)
Andy Gutjahr (Guitarra)
Frank Thorwarth (Baixo)
Olaf Zissel (Bateria)

Site Oficial: http://www.tankard.org

Material Cedido Por:
Encore Records
http://www.encorerecords.com.br


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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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