Resenha - Beast of Bourbon - Tankard

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Clóvis Eduardo
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 9


Está aí uma das bandas, que mesmo não tão valorizadas no cenário mundial, devem receber grandes aplausos. Na década de oitenta, enquanto o Sepultura já fazia belos discos, o Kreator lançava clássicos atrás de clássicos e tantas outras bandas nasciam e morriam devido a febre do thrash metal, o Tankard esboçava os primeiros passos desde 1982. Maturidade alcançada com verdadeiras relíquias como "Chemical Invasion" de 1987 e "Zombie Attack", de 1988. Alguns até reclamam que a boa fase dos germânicos (sem dúvida, um dos melhores nascedouros de bandas realmente de peso) tenha se esvaído. Muitas das críticas foram um pouco agressivas para os lançamentos da década de 90. Particularmente, "Two Faced" (1994) e "Disco Destroyer" (1998) são abaixo da média produzida, mas enfim é só pegar o "Beast Of Bourbon" que se torna difícil compará-lo a outra coisa enquanto se bate cabeça.

Manowar: A vida real e nada épica dos Reis do Metal?Black Sabbath: um Tony Iommi que você não conhecia

A banda começou com uma formação altamente voltada para o álcool e a música. Dela hoje só resta o vocalista Andreas "Gerre" Geremia, com um vozeirão bastante rasgado e nervoso e o baixista Frank Thorwarth, sujeito atuante e com cara de bêbado (os outros não? Olhe bem o encarte). Gosta-se de frisar que a cerveja é parceira dos alemães sempre que possível. E ainda bem que é, já que para compor riffs poderosos, solos magníficos e refrões matadores, que bebam mesmo, sempre e muito.

Na bateria fica o veloz Olaf Zissel e comandando todas as guitarras fica o já experiente Andy Gutjahr. É difícil esquecer da dupla que iniciou o trabalho no Tankard, os doidos Axel Katzmann e Andy Bulgaropulos. Mas como quem vive de passado é museu e sebo, temos de dar valor a Gutjahr, ainda mais por assumir um posto unitário e tão marcante neste cd.

E as músicas? Bem, elas "falam e soam" por si só. É uma pancada atrás da outra, como bons exemplos de "Under Friendly Fire", "Dead Men Drinking" e a emotiva finalização de "We're Coming Back". É nesta canção que nasce novamente aquele espírito oitentista divertido e entoante. O riff e o acompanhamento desta música é simplesmente emocionante. Paga uma cerveja quem disser que não.

Se for para morrer, que seja com uma cerveja na mão, e de preferência ouvindo Tankard. "Die With a Beer in Your Hand", uma das canções mais legais, com um refrão pegajoso e difícil de se esquecer, mesmo estando bêbado. "Gerre" tem o apoio nos backing vocals de Chris Luft, Alex Wenzel, Harald Maul e do próprio baixista Frank Thorwarth. São nestes detalhes do refrão que chama mais a atenção ao trabalho do Tankard. Dá até para esquecer que eles fizeram um disco alucinante chamado "Kings of Beer" (2000).

Ficam felizes aqueles que podem viver em tempos mais modernos, em que os estúdios de gravação estão mais sofisticados e o espírito de boas composições permanece entre os integrantes da banda. São raras as vezes que se vêm pessoas desfilando camisetas ou comentando sobre o bom trabalho que estes alemães tem feito para a perpetuação do thrash mundial. Para o pessoal que não conhece, não há alternativa em escapar. Ouvir e gostar é apenas o começo.

Conseguindo sair dos engraçados e chamativos desenhos de capas dos anos oitenta, encontramos Sebastian Krüger, desenhista deste cd. A besta se esgoela (com um barril no pescoço) e o pequeno personagem dá o show com um copo e um cigarro na mão. Assim é o Tankard, sempre com hábito de bêbado e ar de tranqüilidade, mesmo que a besta, ou no caso, as músicas, sejam as mais agressivas possíveis. É para ouvir no bar mesmo.

(Encore Records)


Outras resenhas de Beast of Bourbon - Tankard

Resenha - Beast Of Bourbon - TankardResenha - Beast Of Bourbon - Tankard




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Denuncie os que quebram estas regras e ajude a manter este espaço limpo.


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Tankard"


Metal Hammer: as dez piores capas de 2012Metal Hammer
As dez piores capas de 2012

1986: O ano definitivo da música pesada1986
O ano definitivo da música pesada

Capas: as 10 mais bonitas lançadas em 2014 eleitas por blogCapas
As 10 mais bonitas lançadas em 2014 eleitas por blog


Manowar: A vida real e nada épica dos Reis do Metal?Manowar
A vida real e nada épica dos Reis do Metal?

Black Sabbath: um Tony Iommi que você não conheciaBlack Sabbath
Um Tony Iommi que você não conhecia

Motorhead: a dieta que mantinha Lemmy jovem e viçosoMotorhead
A dieta que mantinha Lemmy jovem e viçoso

Vocalistas: as vozes mais agudas do Metal segundo o NoisecreepVocalistas
As vozes mais agudas do Metal segundo o Noisecreep

Manowar: você acha as fotos da década de 80 ridículas?Manowar
Você acha as fotos da década de 80 ridículas?

Valentina Francisco: os garotos da Greta Van Fleet com certeza aprovariam!Valentina Francisco
Os garotos da Greta Van Fleet com certeza aprovariam!

Paramore: o que acontece quando você ouve uma música a 33rpm?Paramore
O que acontece quando você ouve uma música a 33rpm?


Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

Mais matérias de Clóvis Eduardo no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336