Resenha - Rage of Discipline - Righteous Jams

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Por Nelson Endebo
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Hardcore puro à Exploited da fase "Punk's Not Dead". Dead Kennedys da época "Bedtime for Democracy". Cro-Mags. Murphy's Law. Ouvir o disco de estréia da banda de Boston é fazer um exercício de memória de muito, muito bom gosto. Produzido por Dean Baltulonis, responsável por trabalhos da tríade sagrada do hardcore nova-iorquino, Agnostic Front, Madball e Sick Of It All, "Rage of Discipline" é um álbum perfeito para quem ouve e gosta de hardcore em sua forma original. As dez faixas se atropelam sem dó, despudoradamente, como que anunciando o mosh inevitável; fazem lembrar um ideal de união, uma cara tão contemporânea do antigo que é impossível passar incólume à audição. Todo o espírito do hardcore oitentista está aqui: "Invasion" avisa, em duas frases, que o Righteous Jams veio "pra ficar". O cd, inclusive, traz um tosquíssimo vídeo com a banda tocando ao vivo em um buraco sujo; este explica a verdadeira função do hardcore: não interessa dizer de onde veio, o que importa é dizer a que veio.

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A temática straight edge é abraçada com vigor e um certo distanciamento por parte do conjunto em relação ao processo de desvirtuamento pelo qual a postura vem passando. Em outras palavras, o Righteous Jams aponta o dedo para a própria cena sXe, e toma a bandeira. Pelo que consta, a gravadora Broken Sounds (propriedade de Chad Gilbert, do New Found Glory), em pareceria com a Kung Fu Records, está apostando violentamente no Righteous Jams. Numa época em que qualquer nota vira hardcore e o principal expoente se encontra em uma congregação de metaleiros chamada Hatebreed, ouvir um disco como "Rage of Discipline" é como ter o espírito purificado de todo pecado. Para quem aprendeu a andar de skate ouvindo Agent Orange, Suicidal Tendencies e Grinders, amar o Righteous Jams é questão indiscutida e indiscutível: é o óbvio ululante.




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Sobre Nelson Endebo

Estudante de Comunicação Social na Puc-Rio, cheirou dúzias de carreiras de Música e hoje é completamente debilitado por causa disso. Tem um corte no córtex por causa do Mr. Bungle, mas acredita que isso seja legal. Doutrinado no bom e velho Metal (ainda chora ouvindo o grande Venom), aprendeu a ouvir Jazz e Samba na marra. É responsável pela coluna Nós do Noise e colabora com o site Bacana e a revista Valhalla. Sua máxima é: "quanto mais você sabe, mais você sabe que pouco sabe". Traduzindo, gosta de aprender e de ensinar. Espera poder somar algo à família Whiplash a partir de 3, 2, 1 segundo!

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