Resenha - Accidentally On Purpose - Gillan & Glover
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 29 de maio de 2005
Nota: 7 ![]()
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Devo confessar que eu tinha medo de "Accidentally On Purpose". Tinha medo porque o fato de Ian Gillan e Roger Glover, dois monstros sagrados do rock n’ roll terem se aventurado em álbuns solos indicava a tentativa de fugir um pouco do estilo de sua banda (o Deep Purple, duh!) e isso tanto poderia ser excelente – se bem trabalhado – quanto um desastre lamentável. Meu receio foi confirmado em parte, como ficará claro a seguir.

A primeira, "Clouds And Rain" é uma balada razoável, pensei: "legal, o resto do álbum deve ser muito superior". Aí vem "Evil Eye", que é uma ótima música, isso se o seu sonho for voltar aos anos 70 para freqüentar o Studio 54. "She Took My Breath Away" parece trilha sonora de desenho da Disney, o que, no caso, não é um elogio, e essa seqüência indigesta culmina com "Dislocated" – que apesar do curto solo de sax, é a mais constrangedora de todas.
Aí as coisas melhoram com a maravilhosa "Via Miami", um típico rockabilly retrô até o osso (a exemplo de "The Purple People Eater" e "Telephone Box", ainda melhor pelos arranjos de metais), continuando nos trilhos com "I Can’t Dance To That", gostosíssimo hard rock suingado na medida certa e que demonstra com precisão a linha que deveria imperar neste trabalho, sendo a melhor das 13. E a boa fase permanece (oh!, que maravilha) no jazz-fusion de "Can´t Believe You Wanna Leave". "Lonely Avenue" é um bom exemplo de r&b bem feito, contendo uma interpretação cativante de Ian.
A parte valorosa do material encerra-se com "I Thoug No", blues purinho, direto da fonte, elevando climas que só uma harmônica bem tocada consegue propiciar.
Quando ameaçamos esboçar um sorriso no rosto, vem "Cayman Island", rivalizando com "Dislocated" no quesito "vergonha", pois é um reggaezinho que, com o perdão da palavra, está completamente deslocado.
É esta colcha de retalhos o grande problema de "Accidentaly On Purpose", as composições não transparecem uma unidade, um fio condutor razoavelmente equilibrado entre elas e aí cai-se em momentos de puro êxtase intercalados por todo tipo de influências da dupla – não necessariamente nefastas mas colocadas erroneamente - que conseguiram reunir.
Não se trata de ter a cabeça aberta e/ou apreciar vários outros estilos musicais que não se encaixam no contexto rock/metal, até porque este que vos fala insere-se nos dois grupos, mas a verdade a ser encarada é que o álbum é muito inferior ao que gostaríamos de admitir. Podemos resumir dizendo que sua polpa (seu núcleo) é realmente saborosa, entretanto, as extremidades beiram ao ridículo.
Divertido e despreocupado, porém, abaixo das expectativas.
Formação:
Ian Gillan (Vocal)
Roger Glover (Baixo)
Randy Brecker (Guitarra)
Andy Newmark (Bateria)
Dr. John (Piano)
Site Oficial: http://www.deep-purple.com
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