Resenha - Double Live Gonzo! - Ted Nugent

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Por Ben Ami Scopinho
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O que falar de Ted Nugent? Um guitarrista muito acima da média, vocalista sem maiores pretensões, músico respeitado nos quatro cantos do mundo, suas performances ao vivo são teatrais, ultrajantes e de muita energia. Mas também é um homem com tendências racistas, inclusive em algumas ocasiões fez comentários preconceituosos durante suas apresentações, sem se importar com quem estava no meio do público. Caçador inveterado e criador de gado, Nugent têm paixão por dólares. Um típico e médio norte-americano. E por aí vai...

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Mas, como foi dito, Ted Nugent é um músico e tanto. Se seus três primeiros álbuns de estúdio não possuíam aquela energia sônica que se tinha nas apresentações, este "Double Live Gonzo!" vem para resolver isso. Colocado no mercado em 1978 e possuindo canções gravadas em apresentações feitas em território norte-americado entre 76 e 77, a banda tinha em sua formação Ted Nugent na voz e guitarra, Derek St.Holmes na guitarra rítmica e voz, Rob Grange no baixo e Cliff Davies na bateria.

"Double Live Gonzo!" é uma verdadeira aula do mais puro e completo rock n'roll, sendo que, durante as músicas, os gritos estridentes de alegria de Ted Nugent são uma constante junto a improvisações, riffs galopantes e melódicos. Os solos de guitarras são um absurdo e de puro feeling. E o resto da banda segue tão empolgado quanto o líder, tanto que escutando este disco é como estivéssemos no espetáculo, podemos sentir a intensidade do som misturada com o envolvimento de um público alucinado assistindo a uma banda furiosa.

O repertório traz faixas obrigatórias que viraram febre na época como "Cat Scratch Fever", a perfeita "Just What The Doctor Ordered", a espetacular "Motor City Madhouse", a bluesy nervosa "Baby, Please Don't Go", a versão definitiva de "Great White Buffalo" e a instrumental viajante "Hibernation", que mostra um guitarrista honesto e inspirado. O solo em "Stormtroopin" diz tudo sobre Ted Nugent, mostrando o nível deste guitarrista e muito mais; enfim, é um disco repleto de clássicos.

A banda estava em plena forma, rendendo como fruto de seu desempenho um dos grandes álbuns ao vivo da década de 70, inclusive foi com este disco ao vivo que a carreira de Ted Nugent se solidificou definitivamente, tornando-o um tradicional headliner de arenas. "Double Live Gonzo" se caracteriza também por marcar o fim da parceria de longa data entre Nugent e Derek St. Holmes.

Na década seguinte Nugent deixou a qualidade de seus álbuns de estúdio cair, se rendendo a uma música mais comercial (o que estava em ascensão no mercado norte-americano era o hard rock farofa), lançando trabalhos detestados por fãs e pelo próprio artista.

Com certeza não se pode necessariamente concordar com tudo que Ted Nugent faz ou representa, mas é inegável que este "Double Live Gonzo" captura o coração e alma de um grande artista em uma fase de rock n'roll repleto de vitalidade. E Ted Nugent ainda está na ativa fazendo o que sabe fazer melhor: sua boa e velha música selvagem e cheia de malícia.

TED NUGENT - Double Live Gonzo!
(1978 - Epic Records)

01. Just What The Doctor Ordered
02. Yank Me, Cranck Me
04. Babe, Please Don't Go
05. Grat White Buffalo
06. Hibernation
07. Stormtroopin'
08. Stranglehold
09. Wang Dang Sweet Poontang
10. Cat Scratch Fever
11. Motor City Madhouse




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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