Resenha - Double Live Gonzo! - Ted Nugent
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 01 de maio de 2005
O que falar de Ted Nugent? Um guitarrista muito acima da média, vocalista sem maiores pretensões, músico respeitado nos quatro cantos do mundo, suas performances ao vivo são teatrais, ultrajantes e de muita energia. Mas também é um homem com tendências racistas, inclusive em algumas ocasiões fez comentários preconceituosos durante suas apresentações, sem se importar com quem estava no meio do público. Caçador inveterado e criador de gado, Nugent têm paixão por dólares. Um típico e médio norte-americano. E por aí vai...
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Mas, como foi dito, Ted Nugent é um músico e tanto. Se seus três primeiros álbuns de estúdio não possuíam aquela energia sônica que se tinha nas apresentações, este "Double Live Gonzo!" vem para resolver isso. Colocado no mercado em 1978 e possuindo canções gravadas em apresentações feitas em território norte-americado entre 76 e 77, a banda tinha em sua formação Ted Nugent na voz e guitarra, Derek St.Holmes na guitarra rítmica e voz, Rob Grange no baixo e Cliff Davies na bateria.
"Double Live Gonzo!" é uma verdadeira aula do mais puro e completo rock n´roll, sendo que, durante as músicas, os gritos estridentes de alegria de Ted Nugent são uma constante junto a improvisações, riffs galopantes e melódicos. Os solos de guitarras são um absurdo e de puro feeling. E o resto da banda segue tão empolgado quanto o líder, tanto que escutando este disco é como estivéssemos no espetáculo, podemos sentir a intensidade do som misturada com o envolvimento de um público alucinado assistindo a uma banda furiosa.
O repertório traz faixas obrigatórias que viraram febre na época como "Cat Scratch Fever", a perfeita "Just What The Doctor Ordered", a espetacular "Motor City Madhouse", a bluesy nervosa "Baby, Please Don´t Go", a versão definitiva de "Great White Buffalo" e a instrumental viajante "Hibernation", que mostra um guitarrista honesto e inspirado. O solo em "Stormtroopin" diz tudo sobre Ted Nugent, mostrando o nível deste guitarrista e muito mais; enfim, é um disco repleto de clássicos.
A banda estava em plena forma, rendendo como fruto de seu desempenho um dos grandes álbuns ao vivo da década de 70, inclusive foi com este disco ao vivo que a carreira de Ted Nugent se solidificou definitivamente, tornando-o um tradicional headliner de arenas. "Double Live Gonzo" se caracteriza também por marcar o fim da parceria de longa data entre Nugent e Derek St. Holmes.
Na década seguinte Nugent deixou a qualidade de seus álbuns de estúdio cair, se rendendo a uma música mais comercial (o que estava em ascensão no mercado norte-americano era o hard rock farofa), lançando trabalhos detestados por fãs e pelo próprio artista.
Com certeza não se pode necessariamente concordar com tudo que Ted Nugent faz ou representa, mas é inegável que este "Double Live Gonzo" captura o coração e alma de um grande artista em uma fase de rock n´roll repleto de vitalidade. E Ted Nugent ainda está na ativa fazendo o que sabe fazer melhor: sua boa e velha música selvagem e cheia de malícia.
TED NUGENT – Double Live Gonzo!
(1978 – Epic Records)
01. Just What The Doctor Ordered
02. Yank Me, Cranck Me
04. Babe, Please Don´t Go
05. Grat White Buffalo
06. Hibernation
07. Stormtroopin´
08. Stranglehold
09. Wang Dang Sweet Poontang
10. Cat Scratch Fever
11. Motor City Madhouse
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