Resenha - Teatro Gran Rex - Rata Blanca
Por André Toral
Postado em 19 de março de 2002
Nota: 7 ![]()
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Foi em meados de junho que soubemos, para grande satisfação, que a saudosa, melodiosa e mágica banda argentina, Rata Blanca, voltava à tona. Após 1997, tendo colhido os frutos amargos de seu último álbum auto- intitulado, a banda se dissolveu e muitas versões para o fim foram proferidas; chegou-se a dizer que o mercado tinha-se desgostado da banda, mas a verdade é que, como o maior grupo musical de heavy metal da Argentina, havendo lotado estádios com shows mega- produzidos, a banda sofreu a ação do tempo e desgaste da relação criativa entre seus músicos.

Seu líder, o espetacular guitarrista Walter Giardino, seguiu seu rumo e montou o Temple, que nada mais era do que um apanhado geral de canções compostas para a época do Rata Blanca. Após três anos de vida, e algumas mudanças de formação, somaram-se ao Temple Adrian Barilari (vocalista) e Hugo Bistolfi (tecladista), os quais faziam parte da formação clássica do Rata Blanca e que vinham, até então, tocando na banda Alianza (hard rock). Com isso, não fazia mais sentido continuar fazendo turnês pela América do Sul sob o nome Temple, e sim, Rata Blanca. Mas para isso, a idéia principal era de reviver a formação clássica, mas não foi o que aconteceu; Sergio Berdichevsky (guitarra base) e Gustavo Rowek (baterista) preferiram dar continuidade exclusiva ao Nativos, banda que mescla heavy metal com novas tendências musicais.
Resumindo: neste momento, a formação é composta por Walter Giardino (guitarrista), Adrian Barilari (vocalista), Hugo Bistolfi (tecladista) e Fernando Scarcella (bateria). Estes rapazes são os responsáveis pelo single que antecede o álbum do grande retorno. O material chamado de "Teatro Gran Rex" traz duas músicas. A primeira é "En Nombre De Dios?", que começa com uma base de guitarra fantástica e teclados que lembram bastante os áureos tempos do álbum "Magos, Espadas Y Rosas". O vocal de Adrian Barilari também se apresenta bem, melodioso e limpo como sempre foi; aliás, que vocalista! Os arranjos da músicas são muito bons e a bateria fica exatamente no ponto de acompanhar todo o desenvolvimento sonoro. Em questão do solo de guitarra, nem preciso dizer o quão bom é ouvir um dos maiores guitarristas da América Do Sul, Walter Giardino. O cara tem influências de música clássica e as expõe no heavy metal melódico e lá Rainbow que a banda pratica. A Segunda música é "Volviendo a Casa", que é caraterizada por um hard rock que, em determinados momentos, é tão xarope quanto o Alianza, banda paralela de Adrian Barilari (vocalista) e Hugo Bistolfi (tecladista). Mesmo assim, tem seus bons momentos.
Em termos gerias, "Teatro Gran Rex" é um aperitivo- antes do álbum de volta- que nos deixa curioso quanto ao direcionamento. Reparei que o Rata Blanca está aparentando seguir por um caminho freqüentemente utilizado pelas bandas de metal melódico atuais. E isso não é bom, especialmente porque os seus trabalhos anteriores, que incluem verdadeiros clássicos do mundo musical, se diferenciam muito das músicas aqui apresentadas. O material não deixa a desejar, pelo contrário! Porém, há de se comparar o presente com o passado, no que tange a criação musical para se manter na mente e nos corações dos seus fãs. E por falar nos fãs, aqui mesmo no Brasil o Rata Blanca tem uma pequena legião de admiradores fiéis e conhecedores; considera-se que a banda esteve no Monsters of Rock de 1995, e antes tocou pelo Sul do Brasil.
Enfim, força à banda mais mágica deste mundo depois do Rainbow! Que o caminho a ser seguido seja o anterior e que ninguém deixe de conhecer o material sonoro somente porque as letras são cantadas em idioma castelhano, o qual fica tão bem quanto o inglês para o heavy metal.
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