Resenha - Além do Que os Olhos Podem Ver - Oficina G3
Por Carlos Marques
Postado em 22 de março de 2005
Finalmente, a banda de maior expressão no rock cristão brasileiro volta a fazer um trabalho digno do respeito que conquistou tanto no meio evangélico quanto no secular. O Oficina G3, que andou por caminhos tortuosos, reencontrou no novo disco a veia rock que desde os tempos do "Indiferença" não soava tão inspirada.
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E o retorno foi em grande estilo. Além de trazer músicas com arranjos complexos e de bom gosto, o trio (depois da saída do vocalista P.G a banda continuou apenas com os outros três integrantes) também presenteia os ouvintes com a volta da poética nas suas letras. Mas vamos às músicas:
A primeira faixa é uma intro um tanto estranha (apenas cachorros latindo). Já na segunda faixa "Mais Alto" o Oficina mostra a que veio. O Riff furioso, a bateria firme e um vocal harmonioso e bem colocado fazem dessa faixa uma das melhores já gravadas pela banda.
"Réu ou Juiz" mantém a fórmula, para alegria dos fãs mais antigos da banda. A participação dos teclados nessa faixa é um belo presente a todos aqueles que sabem do talento de Jean Carllos, que nunca apareceu tanto como nesse disco.
Esperando uma balada? Errado! Diferente dos outros discos em que a terceira música é uma balada, o Oficina G3 vem com a bombástica "Meu Legado". Bem progressiva e com uma ótima letra, a banda convence até os mais céticos do talento que possuem os seus integrantes. Belos solos de teclado, baixo e guitarra.
E a balada? Ainda não. Quem quer ouvir balada que compre o "Humanos" ou "O tempo". A quinta faixa "Através da Porta" é mais cadenciada que as primeiras, mas ainda é rock do melhor tipo. A bela participação de Jean durante toda a música e riffs maravilhosos de Juninho são o destaque dessa canção.
A faixa-título começa com uma bela introdução e se transforma em uma balada que pode assustar aqueles que não curtem o cd "Humanos". Mas logo a distorção, o teclado que soa como uma orquestra e a bateria te levam "além do que os teus olhos podem ver".
O destaque de "A lição" fica por conta da bateria e do baixo que têm um importante papel na levada da música.
"O fim é só o começo" tem a participação de Déio Tambasco, ex-Katsbarnéia e irmão do baixista Duca. É uma música mais lenta, com frases de blues tocadas por Déio durante toda a canção.
A primeira "balada balada" do cd é "Lugar Melhor". Bonita, bem cantada por Juninho e com um refrão pesado (como não poderia deixar de ser), essa música é a que mostra mais traços da fase PG.
"Amanhã" é uma das músicas mais bonitas. Possui um belo arranjo de cordas e a participação incrível de Luiz Fernando. Excelente.
Em "Sem trégua" o disco volta a ser mais metal, como nas primeiras músicas. Furiosa, lírica e musicalmente. Destaque para a participação de Marcão (Fruto Sagrado) no vocal.
Não se assuste com o sampler em "De olhos fechados". A música é ótima, e as partes eletrônicas não roubam a cena, apenas enriquescem a faixa que está entre as melhores do disco. Um solo a lá Steve Morse mostra o talento de Juninho.
"Ver acontecer" é uma boa música com uma letra de crítica política e social. Mantém o excelente nível do disco e possui belos solos de Jean e Juninho.
A última música "Queria te dizer" é mais uma balada. É diferente das antigas baladas da banda. Tem mais elementos eletrônicos. É muito bonita e com uma letra muito profunda.
Esse é com certeza o disco que vêm de encontro àqueles fãs que esperavam um álbum do nível do incrível "Indiferença". Os três músicos estão soando muito bem, com belos solos de todos e muito entrosamento. Se você é fã do Oficina G3, compre sem medo.
Juninho Afram - Guitarra e Vocal
Jean Carllos - Teclado
Duca Tambasco - Baixo
Luiz Fernando - Bateria
NOTA: 9,5
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