Resenha - Lucifer Incestus - Belphegor
Por Sílvio Costa
Postado em 21 de setembro de 2004
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Diferentemente do que vem acontecendo com outros estilos, onde pipocam clones e a criatividade anda em baixa, o black metal tem dado sucessivas mostras de que ainda está distante da saturação e pode se renovar sem perder a identidade. O Belphegor, um dos mais promissores grupos da "nova geração" do black metal, está lançando seu quarto trabalho, e prova que em matéria de música extrema, os limites ainda estão longe de serem atingidos e este Lúcifer Incestus é ainda mais brutal e extremo que os álbuns anteriores. Apesar da presença de inúmeros clichês do gênero, este não é "mais um disco de black metal", mas sim um trabalho que prima pela qualidade instrumental e pelo cuidado com todos os detalhes que envolvem a produção.

Não há o mínimo espaço para melodias cadenciadas, quebras de andamento ou coisas desse tipo. São nove faixas que representam o que de mais rápido, brutal e extremo pode acontecer em termos de black metal. Raríssimas são as passagens em que não se ouvem alguns dos mais velozes blast beats da história do metal extremo. Os vocais são desesperados, variando do gutural ao rasgado mais insano, e destilam versos singelos como esses: "hail mother Mary – perform fellatio/religious butt fucked bitch". Por aí dá para ter uma idéia do que esses austríacos são capazes.
Como não há espaço para descanso, a produção teve de trabalhar muito para deixar tudo em um nível de compreensão satisfatório. Alex Krull (Atrocity, Leave's Eyes) trabalhou muito bem na timbragem dos instrumentos, sem que isto significasse a perda da agressividade natural da banda. O resultado é um som polido e muito bem tocado, mas ao mesmo tempo veloz, brutal e anticomercial por excelência. O som triturador do Belphegor não se resume apenas à cozinha veloz e espancadora. Os riffs complexos criados pelas mentes distorcidas de Sigurd e Helmuth estão entre os melhores do estilo. Os solos à Slayer também estão presentes e os teclados são usados de modo discreto, porém eficientes. Dentro da proposta, o Belphegor conseguiu armar um álbum que soa moderno, mesmo sem a parafernália sinfônica utilizada pelos maiores expoentes do estilo atualmente. Os únicos momentos em que não predomina a podreira insana podem ser ouvidos em "Fukk the Blood of Christ", que alterna versos em alemão e inglês e tem algumas passagens mais lentas, quando comparadas ao restante do disco. Mas que fique bem claro que lentidão para o Belphegor pode significar explosão nos tímpanos menos preparados.
Sem dúvida, este disco tem tudo para ser um dos melhores do estilo neste ano. Se não bastasse a qualidade sonora, a parte gráfica é belíssima e, além disso, o CD traz ainda o vídeo clipe da faixa-título. Não tenha vergonha de ouvir esse disco com as luzes acesas, mas não deixe de ouvi-lo no volume máximo.
Banda:
Helmuth – Vocais, guitarra.
Sigurd – guitarra
Barth – baixo
Torturer – bateria
Hellion Records
Rua 24 de Maio, 62 Lojas 280/282/308.
São Paulo, SP 01041-900.
http://www.hellionrecords.com
[email protected]
Site: www.belphegor.at
Outras resenhas de Lucifer Incestus - Belphegor
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
O melhor baterista da história da música pesada, segundo o Loudwire
Ghost se despede do Cardinal Copia/Papa Emeritus IV/Frater Imperator
Mikkey Dee homenageia Phil Campbell; "O melhor guitarrista de rock com quem já toquei"
Regis Tadeu e os cinco discos mais ridículos de heavy metal
Angus Young disse que uma banda gigante era "um Led Zeppelin de pobre"; "isso é ridículo"
A diferença entre Bruce Dickinson e Paul Di'Anno, segundo Adrian Smith
A melhor faixa de "Powerslave", clássico do Iron Maiden, segundo o Loudwire
A opinião de vocal do Depeche Mode sobre versão do Lacuna Coil para "Enjoy the Silence"
5 álbuns clássicos de rock que Gastão Moreira tentou gostar - e não conseguiu
Organização do Monsters of Rock divulga horários dos shows
O álbum do Metallica que James Hetfield diz ainda não ter sido apreciado: "Vai ter sua hora"
"Se Michael Kiske entrasse no Iron Maiden, Bruce Dickinson não teria voltado", diz Regis
O melhor disco de heavy metal de cada ano da década de 80, segundo o Loudwire
Quinze bandas brasileiras de Rock e Metal com mulheres na formação que merecem sua atenção
Beatles: o que significa a referência aos Stones na capa do Sgt. Pepper's?
A canção do Black Sabbath que deixou marcas profundas em Brian Johnson, do AC/DC

Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Em "Attitude Adjustment", Buzzcocks segue firme como referência de punk rock com melodia
"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Iron Maiden: uma análise sincera de "Senjutsu"



