Resenha - Lucifer Incestus - Belphegor

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Por Sílvio Costa
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Nota: 8


Diferentemente do que vem acontecendo com outros estilos, onde pipocam clones e a criatividade anda em baixa, o black metal tem dado sucessivas mostras de que ainda está distante da saturação e pode se renovar sem perder a identidade. O Belphegor, um dos mais promissores grupos da "nova geração" do black metal, está lançando seu quarto trabalho, e prova que em matéria de música extrema, os limites ainda estão longe de serem atingidos e este Lúcifer Incestus é ainda mais brutal e extremo que os álbuns anteriores. Apesar da presença de inúmeros clichês do gênero, este não é "mais um disco de black metal", mas sim um trabalho que prima pela qualidade instrumental e pelo cuidado com todos os detalhes que envolvem a produção.

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Não há o mínimo espaço para melodias cadenciadas, quebras de andamento ou coisas desse tipo. São nove faixas que representam o que de mais rápido, brutal e extremo pode acontecer em termos de black metal. Raríssimas são as passagens em que não se ouvem alguns dos mais velozes blast beats da história do metal extremo. Os vocais são desesperados, variando do gutural ao rasgado mais insano, e destilam versos singelos como esses: "hail mother Mary - perform fellatio/religious butt fucked bitch". Por aí dá para ter uma idéia do que esses austríacos são capazes.

Como não há espaço para descanso, a produção teve de trabalhar muito para deixar tudo em um nível de compreensão satisfatório. Alex Krull (Atrocity, Leave's Eyes) trabalhou muito bem na timbragem dos instrumentos, sem que isto significasse a perda da agressividade natural da banda. O resultado é um som polido e muito bem tocado, mas ao mesmo tempo veloz, brutal e anticomercial por excelência. O som triturador do Belphegor não se resume apenas à cozinha veloz e espancadora. Os riffs complexos criados pelas mentes distorcidas de Sigurd e Helmuth estão entre os melhores do estilo. Os solos à Slayer também estão presentes e os teclados são usados de modo discreto, porém eficientes. Dentro da proposta, o Belphegor conseguiu armar um álbum que soa moderno, mesmo sem a parafernália sinfônica utilizada pelos maiores expoentes do estilo atualmente. Os únicos momentos em que não predomina a podreira insana podem ser ouvidos em "Fukk the Blood of Christ", que alterna versos em alemão e inglês e tem algumas passagens mais lentas, quando comparadas ao restante do disco. Mas que fique bem claro que lentidão para o Belphegor pode significar explosão nos tímpanos menos preparados.

Sem dúvida, este disco tem tudo para ser um dos melhores do estilo neste ano. Se não bastasse a qualidade sonora, a parte gráfica é belíssima e, além disso, o CD traz ainda o vídeo clipe da faixa-título. Não tenha vergonha de ouvir esse disco com as luzes acesas, mas não deixe de ouvi-lo no volume máximo.

Banda:
Helmuth - Vocais, guitarra.
Sigurd - guitarra
Barth - baixo
Torturer - bateria

Hellion Records
Rua 24 de Maio, 62 Lojas 280/282/308.
São Paulo, SP 01041-900.
http://www.hellionrecords.com
hellion@hellionrecords.com

Site: www.belphegor.at


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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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