Resenha - Endtime Divine - Setherial

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Por Sílvio Costa
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O Setherial é conhecido por ter seguido o caminho inverso ao da maioria dos grupos de black metal. Antigamente, o grupo fazia um som mais cadenciado, com teclados e climas mais amenos, conforme está evidenciado em From The Ancient Times (2003). Nada disso está presente nas nove faixas deste Endtime Divine. Ainda mais brutal que Hell Eternal, o novo trabalho do quinteto sueco apresenta-se ainda mais veloz e preciso. Os riffs não embolam no meio de tanta porradaria. O resultado final é, no mínimo, desconcertante.

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Embora tenha sido finalizado em 2002, só agora o grupo conseguiu lançar o seu disco. O principal problema foi a saída do grupo do seu antigo selo – o austríaco Napalm Records. Agora com um novo contrato com os suecos do Regain Records (cujo cast conta com nomes do primeiro escalão do black metal, como Marduk, Behemoth e Ragnarok) a banda pôde finalmente lançar seu novo petardo. Gravado novamente no The Abyss Studios, sob a supervisão de Tommy Tägtgren, Endtime Divine, de maneira geral, não traz grandes diferenças com relação a Hell Eternal (1999). Novamente estamos diante de uma banda que não parece preocupada em se "modernizar", incluindo elementos melódicos em seu som ou tirando o pé do acelerador. Todas as faixas possuem andamentos que beiram o impossível em termos de velocidade, sem que se perca a clareza dos riffs. A temática é bastante recorrente. Misantropia, visões de morte, suicídio são os assuntos mais comuns. Entretanto, a banda se distancia do satanismo indeciso e, por vezes, infantil de alguns grupos e não aborda temas "religiosos" com a mesma freqüência que seus pares.

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Endtime Divine é um disco feito para quem não tolera misturebas no meio do black metal e, sobretudo, aprecia trabalhos em que a qualidade técnica impera e a devoção pelo metal extremo é irrestrita. Sem elementos góticos, sem sinfonias, sem vocais femininos dispensáveis. O Setherial é black metal puro e brutal, como deve ser.

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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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