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Resenha - Journey - Khallice

Por Sílvio Costa
Em 10/07/04

Nota: 9

Com dez anos de estrada e muita experiência musical na bagagem, finalmente saiu o primeiro CD do Khallice. Muito fácil de se gostar, esse trabalho é uma espécie de resumo da carreira deste brilhante time de músicos brasilienses. Havia muito tempo que a auto-proclamada capital brasileira do rock devia um trabalho tão bem feito e tão empolgante. No universo saturado do prog metal, o Khallice surge como algo mais que uma mera promessa, corroborando, ao optar pelo caminho inverso, aquilo que muita gente já sabe: música com técnica em excesso, mas desprovida de feeling vira um troço mecânico e insuportável. Deixando de lado a "masturbação musical" em nome do bom e velho heavy metal (e mais um monte de outras influências) The Journey é o passaporte da banda rumo ao topo do prog metal brasileiro (definitivamente a banda não tem concorrentes a altura no país) e, quem sabe, mundial. A banda esbanja talento e sentimento em 9 excelentes composições. The Journey é o primeiro CD do grupo, que já havia sido lançado anteriormente de forma independente, mas que agora ganha uma distribuição melhor pela Hellion Records.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Nem sei direito por onde começar a resenha. Talvez pelas novas roupagens que as músicas da primeira demo receberam. A Tempestade, que aqui virou "Thunderstorm" ficou maravilhosa. Nem parece que essa música tem quase dez anos. O trabalho de Alírio Netto (V) é impressionante nessa faixa. As dobras de teclado e guitarra, que fazem a alegria dos fãs do Dream Theater também estão lá. "Loneliness" chama a atenção por ser a mais bem trabalhada do disco, repleta de detalhes e grandes variações ao longo de seus mais de 8 minutos. A décima faixa do CD, disponível apenas para download no site oficial da banda, é uma versão muito interessante para A Balada do Louco, dos Mutantes. Novamente, não há muito o que se falar, a não ser que Alírio novamente dá show e que, de modo geral, embora em quase nada lembre a versão original, é um dos melhores covers dos Mutantes que eu já ouvi. Com um grande solo de Marcelo Barbosa (um dos melhores do país no seu instrumento. E isso não sou apenas eu que estou dizendo), é a faixa perfeita para abrir o disco. As quebradeiras de César Zolhof (D) e Michel Marciano (B) são um show à parte. O melhor exemplo da técnica incrível da cozinha do Khallice é a faixa "Prophecy", uma verdadeira maratona prog metal, apesar de ter pouco mais de quatro minutos de duração. "Vampire", outra da época da demo (quando a banda ainda se chamava Cali-ce e cantava em português), tem a cara de hit e poderia até rolar nas ditas rádios rock. Nesta faixa, o grande destaque é o trabalho do tecladista Bruno Wambler. Aliás, ele é o grande responsável pelas passagens mais "progressivas" que a banda cria em músicas como "Turn the Page", criando a base perfeita para o desfile de técnica e feeling de Marcelo Barbosa.

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Falar de Marcelo Barbosa é falar de técnica apurada e solos que esbanjam bom gosto, acima de tudo. Mestre em timbragens, efeitos, velocidade, mas, principalmente, em feeling, ele é o dono do pedaço, apesar de não roubar espaço de nenhum dos seus colegas. Ouça "Spiritual Jewel" e entenda o porquê de tanta bajulação. O cara consegue transitar por estilos diversos, indo do pop ao speed metal, com a tranqüilidade e a segurança de quem tem muitos quilômetros de experiência.

Para aqueles que ainda acham que a banda soa derivativa demais, eu digo que até concordo. Mas é sempre importante ter em mente que, ainda que seja para copiar alguém, não é qualquer grupo que consegue reunir tantas qualidades musicais quanto o Khallice. Além disso, o domínio impressionante que cada um dos cinco membros da banda tem dos seus instrumentos, aliado ao feeling de sobra e à grande capacidade de composição garantem sucesso para quem apostar num futuro ainda mais promissor para o grupo.

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Site oficial: www.khallice.com.br

Material cedido por:
Hellion Records – http://www.hellionrecords.com
Rua 24 de Maio, 62 – Lojas 280 / 282 / 308 – Centro.
São Paulo – SP – BRASIL
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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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