Resenha - Journey - Khallice
Por Sílvio Costa
Postado em 10 de julho de 2004
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Com dez anos de estrada e muita experiência musical na bagagem, finalmente saiu o primeiro CD do Khallice. Muito fácil de se gostar, esse trabalho é uma espécie de resumo da carreira deste brilhante time de músicos brasilienses. Havia muito tempo que a auto-proclamada capital brasileira do rock devia um trabalho tão bem feito e tão empolgante. No universo saturado do prog metal, o Khallice surge como algo mais que uma mera promessa, corroborando, ao optar pelo caminho inverso, aquilo que muita gente já sabe: música com técnica em excesso, mas desprovida de feeling vira um troço mecânico e insuportável. Deixando de lado a "masturbação musical" em nome do bom e velho heavy metal (e mais um monte de outras influências) The Journey é o passaporte da banda rumo ao topo do prog metal brasileiro (definitivamente a banda não tem concorrentes a altura no país) e, quem sabe, mundial. A banda esbanja talento e sentimento em 9 excelentes composições. The Journey é o primeiro CD do grupo, que já havia sido lançado anteriormente de forma independente, mas que agora ganha uma distribuição melhor pela Hellion Records.

Nem sei direito por onde começar a resenha. Talvez pelas novas roupagens que as músicas da primeira demo receberam. A Tempestade, que aqui virou "Thunderstorm" ficou maravilhosa. Nem parece que essa música tem quase dez anos. O trabalho de Alírio Netto (V) é impressionante nessa faixa. As dobras de teclado e guitarra, que fazem a alegria dos fãs do Dream Theater também estão lá. "Loneliness" chama a atenção por ser a mais bem trabalhada do disco, repleta de detalhes e grandes variações ao longo de seus mais de 8 minutos. A décima faixa do CD, disponível apenas para download no site oficial da banda, é uma versão muito interessante para A Balada do Louco, dos Mutantes. Novamente, não há muito o que se falar, a não ser que Alírio novamente dá show e que, de modo geral, embora em quase nada lembre a versão original, é um dos melhores covers dos Mutantes que eu já ouvi. Com um grande solo de Marcelo Barbosa (um dos melhores do país no seu instrumento. E isso não sou apenas eu que estou dizendo), é a faixa perfeita para abrir o disco. As quebradeiras de César Zolhof (D) e Michel Marciano (B) são um show à parte. O melhor exemplo da técnica incrível da cozinha do Khallice é a faixa "Prophecy", uma verdadeira maratona prog metal, apesar de ter pouco mais de quatro minutos de duração. "Vampire", outra da época da demo (quando a banda ainda se chamava Cali-ce e cantava em português), tem a cara de hit e poderia até rolar nas ditas rádios rock. Nesta faixa, o grande destaque é o trabalho do tecladista Bruno Wambler. Aliás, ele é o grande responsável pelas passagens mais "progressivas" que a banda cria em músicas como "Turn the Page", criando a base perfeita para o desfile de técnica e feeling de Marcelo Barbosa.
Falar de Marcelo Barbosa é falar de técnica apurada e solos que esbanjam bom gosto, acima de tudo. Mestre em timbragens, efeitos, velocidade, mas, principalmente, em feeling, ele é o dono do pedaço, apesar de não roubar espaço de nenhum dos seus colegas. Ouça "Spiritual Jewel" e entenda o porquê de tanta bajulação. O cara consegue transitar por estilos diversos, indo do pop ao speed metal, com a tranqüilidade e a segurança de quem tem muitos quilômetros de experiência.
Para aqueles que ainda acham que a banda soa derivativa demais, eu digo que até concordo. Mas é sempre importante ter em mente que, ainda que seja para copiar alguém, não é qualquer grupo que consegue reunir tantas qualidades musicais quanto o Khallice. Além disso, o domínio impressionante que cada um dos cinco membros da banda tem dos seus instrumentos, aliado ao feeling de sobra e à grande capacidade de composição garantem sucesso para quem apostar num futuro ainda mais promissor para o grupo.
Site oficial: www.khallice.com.br
Material cedido por:
Hellion Records – http://www.hellionrecords.com
Rua 24 de Maio, 62 – Lojas 280 / 282 / 308 – Centro.
São Paulo – SP – BRASIL
CEP: 01041-900
Tel: (11) 5083-2727 / 5083-9797 / 5539-7415
Fax: (11) 5549-0083
Email: [email protected]
Outras resenhas de Journey - Khallice
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
Nicko McBrain fala sobre rumores de aposentadoria de Dave Murray
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
"Eu acreditei que ia rolar": o dia que Regis Tadeu comprou Jéssica Falchi no Mastodon
Anthrax toca trecho de música nova durante show no Canadá
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Em 1990, guitarrista do The Smiths confessou desprezo por Yngwie Malmsteen
"O futebol é como uma religião", diz Billie Joe Armstrong, vocalista do Green Day
O método usado por guitarrista para tirar 17 músicas em 20 dias para tocar com Edu Falaschi



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



