Resenha - Journey - Khallice
Por Daniel Dutra
Postado em 21 de julho de 2004
Perdi a conta de quantas resenhas positivas, algumas extremamente positivas, eu li a respeito de The Journey, álbum de estréia do grupo brasiliense Khallice. Aqui mesmo no Disconnected, na época em que o trabalho havia sido lançado de maneira independente, os elogios no review do colega Ewerton Laraia não foram poucos. Enfim, estava sobrando curiosidade quando coloquei o CD no aparelho de som, mas depois de escutar as nove músicas o que sobrou foi um crítico reticente.
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The Journey está longe de ser ruim ou apenas regular, ainda mais por se tratar de um trabalho de estréia. Marcelo Barbosa (guitarra), Bruno Wambier (teclados), Michel Marciano (baixo), César Zolhof (bateria) e Alírio Netto (vocal) também apresentam um domínio muitas vezes impressionante de seus respectivos instrumentos. No entanto, falta personalidade, uma vez que o quinteto é exageradamente influenciado por Dream Theater.
Loneliness, a música que abre o disco, tem passagens que remetem diretamente a Take the Time, do clássico Image and Words. Mais do que isso, você encontra aqueles vazios preenchidos por viradas de bateria (como em Metropolis); solos de guitarra dobrados pelos teclados, que por sua vez são bem na linha Kevin Moore, ex-integrante da banda americana; e um vocal semelhante até demais com o de James LaBrie - sinceramente, com tanto vocalista bom por aí, este está longe de ser uma boa escolha.
Claro, nada disso impede que encontremos pontos positivos, como o ótimo solo de Barbosa em I've Lost My Faith; outro melhor ainda em Prophecy (o trabalho de guitarra é um dos destaques, diga-se); o refrão bacana de Thunderstorm; a veia mais pop, principalmente por causa dos teclados, em Wrong Words; e o instrumental de Turn the Page, mais arrastada e com um trecho mais suingado que ficou muito bom.
Spiritual Jewel quase chega a ser excelente e corrobora o ótimo trabalho do guitarrista, além de apresentar o sempre eficiente hammond. O "quase" fica por conta de Netto, que acaba cansando o ouvinte ao tentar tons cada vez mais altos, mas vá lá que a garotada adora esse tipo de coisa. Aliás, é melhor nem reclamar muito, pois imagine se Mario Linhares, dono do microfone no Dark Avenger, resolve não apenas escrever as letras do próximo disco, mas aumentar sua participação especial também cantando...
O legal, até mesmo para não parecer tão azedo, é que o quinteto tem talento suficiente para buscar uma identidade própria e apresentar influências sem necessariamente ter de reciclar o que os ídolos já fizeram. Uma prova disso é a ótima faixa-título, com um belo piano - sejamos justos: Wambier manda bem em todo o CD - e Netto arriscando vocais mais rasgados.
Hellion Records: www.hellionrecords.com.br
Outras resenhas de Journey - Khallice
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