Resenha - Encomium - Tribute to Led Zepellin

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Por Bruno Coelho
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Sabe como é que é né? nada para fazer nesta terça feira aziada, aquela chuva que não sai e um sol que não se esconde. Minha aluna particular disse que não teria aula hoje e mesmo podendo dormir até a hora do almoço fiz aquela visita agradável ao meu acervo, procurando uma pérola pedindo para ser reescutada e... CATAPOFT!!! Dei de cara com um tal de ENCOMIUM - a Tribute to Led Zepellin, lançado em 1995, tendo em seu tracklist músicas que há tempos já não ouvia. Lembro bem de quando adquiri este cd, tinha 17 aninhos e na época D'yer Mak'er (que deve ser lida JAMAICA - pronúncia britânica -, para quem não sabe) estava estourada nas rádios e nas festinhas na voz de Sheryl Crow. Não podendo deixar de ter a musiquinha na voz da tal Maria Xarope e ainda curioso para ver o que bandas como 4 Non Blondes, Duran Duran e Hootie & The Blowfish fariam com clássicos como Tangerine, Good Times Bad Times, Misty Mountain Hop e Four Sticks, adquiri a bolachita.

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Na época devo ter achado tudo uma porcaria, mas, escutando atentamente, hoje diria que algumas versões realmente devem ser tidas com profundo apreço e a principal é a de Down By The Seaside. Além de ser uma belíssima canção ela recebeu um tratamento introspectivo e extremamente lírico pelo piano brilhante de Tori Amos (cantora e compositora de uma percepção absurda) e o dueto arrasador que a mesma Tori Amos mantém com Robert Plant por toda a faixa. Meu amigo, é o melhor cover já feito para uma faixa do Led, pode botar fé. Lembro que devo ter detestado a faixa porque de metal ela não tem porcaria nenhuma - uma guitarrinha tímida e um piano discreto - e eu era radical demais para apreciar qualquer tipo de música que não fosse metal. Quanta estupidez... é fantástico ver uma cantora e pianista do porte de Tori Amos (e agora estou até vendo meia dúzia de babacas torcendo o nariz e pensando - esse resenhista é uma bichinha mesmo... - pobres infelizes!) entregar-se tanto em uma performance de um ícone do rock 'n roll. São quase 8 minutos de deleite auditivo.

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Sendo Down By The Seaside a última faixa e tendo sido por ela que iniciei a resenha, vou continuar de trás pra frente... no bom sentido rapaz! A faixa que a precede é Going To California - outra música fantástica do Led, que possui uma das melhores interpretações de Plant e que seria impossível de ser igualada (talvez só por Jorn Lande... hehehehe). Aí que me aparece esse tal de Never The Bride... aquele pianinho e uma voz rouquíssima e encorpada crescendo na música (Jorn Lande tem irmã?) me fizeram parar para relembrar milhões de coisas. Fantástica interpretação desta banda que nem sei se ainda existe... Never The Bride.

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Bom, daqui pro começo acho que vai ser tudo mais fácil de explicar. A faixa 11, a antepenúltima, é Four Sticks, Jimmy Page com um riff inovador para a época, John Bonham com uma grande levada... vocal totalmente lisérgico! E Henry Rollins acertou a mão como um coice de cavalo! BOA! A Rollins Band não mudou muita coisa na música mas fez parecer que a música era deles, tão boa a performance de Henry Rollins aqui.

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Custard Pie nunca foi das minhas favoritas, uma boa idéia e nada mais. A Faixa ficou a cargo do Helmet com a ajuda de David Yow - vocal do Jesus Lizard - que fez o que pode para inovar nos vocais mas cagou feio, muito feio... reafirmou meu nojo eterno de rock garagem alternativo, Nirvana, Sonic Youth e seus afins. Faixinha fraquinha.

Aí vem um tal de Cracker que só não destrói por completo a fantástica Good Times Bad Times porque não tem muito o que inventar ali, a música é muito curtinha... mas de novo aquele arzinho de banda neo-punk alternativa de garagem que pode ir pro inferno junto com Kurt Cobain e um vocal chorável a la Pete Farrell - aquela biba que canta na triste Jane´s Addiction e que foi o organizador do extinto Lollapalooza.

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Na faixa 8 uma ilha de luz é trazida pelo competente Blind Melon com Out On The Tiles - execução competentíssima de guitarras, baixo e bateria. Aí vem Duran Duran - porra... Duran Duran? Tributo ao Led Zepellin? Cacete, não rola né? Resultado: considerando que Thank You possui realmente um arzinho lânguido, a música não ficou tão bisonha assim - o solo de guitarra chapado de efeitos ficou muito bom - mas no geral, totalmente esquecível.

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Na faixa 6 me aparece ninguém menos que Big Head Todd and The Monsters... quem? Big Head To... aaah! Quem são esses?!? Deram uma roupinha meio country, meio party rock anos 90 e ficou razoável. A merda maior desse tributo é ver o trabalho brilhante de Jimmy Page mal executado por um bando de zé manés. Guitarras fracas aqui se comparadas com a original.

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Dancin Days é uma boa faixa e o Stone Temple Pilots resolveu deixá-la bem acústica... argh! Não dá! Por ser uma versão diferente do original até que se torna interessante, mas ainda assim muuuuito fraca.

A faixa 4 é a já citada D'yer Mak'er que é brilhante. Brilhante mesmo! Podem encher meu saco pro resto da vida! Você não pegou nenhuma mina por causa dessa musica não? Então é por isso que não gosta dela. Uma grande faixa tocada por uma mina XAROPINHA dos infernos mas que fez com que o Led fosse um pouco mais conhecido mundo afora. E esse é o grande mérito que a faixa tem - ter sido utilizada para atrair mais fãs para o Led.

"I wanna tell ya about this girl I love, Oh my! She looks so fine..." Hey Hey What Can I Do é uma faixa legal do Led e o Hootie & The Blowfish impôs o que mais faltou nesse tributo: estilo. A pegadinha pop-blues caiu como uma luva e ficou fantástica! Bons vocais, bons violões, bom tudo.

E - porra, até que enfim! - o começo do disco com uma dupla que não merece nem um pingo do meu respeito: MANÁ - os mexicanos mela-cuecas ("como quisera pudera vivir sin aire") e 4 Non Blondes - a banda de uma música só (hey hey hey, I say hey hey hey... I say hey... whats going on?). Para não me alongar disparo logo: não gosto das versões originais e não seria dessas que ia gostar. Pra falar a verdade, tenho profunda aversão a Misty Mountain Hop e o 4 Non Blondes até que não fez feio na execução, mas, me desculpem, que musiquinha enjoada! Já o Maná me fez uma versão em espanhol - mas muuuuito bem executada - pra Fool in the Rain. Pena que a faixa não levanta ninguém da cadeira.

Resumo da Receita da Gororoba:

Temos performances espetaculares como a de Tori Amos e Robert Plant, outras boas como a da Rollins Band, umas fracas como a do Helmet e outras bem asquerosas como a do Cracker. Resultado: disco desigual demais. Não tem Black Dog, não tem Rock N Roll, nao tem Stairway to Heaven, nao tem Kashmir, nao tem Since I´ve Been Loving You... Porra! Assim também complica... Procurem as faixas boas pela net e descartem o resto. Boa pedida pra colecionador - Péssima pra quem pretende conhecer a banda através desse tributo!

Atlantic Records

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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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