Resenha - Encomium - Tribute to Led Zepellin
Por Bruno Coelho
Postado em 17 de abril de 2004
Nota: 6 ![]()
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Sabe como é que é né? nada para fazer nesta terça feira aziada, aquela chuva que não sai e um sol que não se esconde. Minha aluna particular disse que não teria aula hoje e mesmo podendo dormir até a hora do almoço fiz aquela visita agradável ao meu acervo, procurando uma pérola pedindo para ser reescutada e... CATAPOFT!!! Dei de cara com um tal de ENCOMIUM - a Tribute to Led Zepellin, lançado em 1995, tendo em seu tracklist músicas que há tempos já não ouvia. Lembro bem de quando adquiri este cd, tinha 17 aninhos e na época D'yer Mak'er (que deve ser lida JAMAICA - pronúncia britânica -, para quem não sabe) estava estourada nas rádios e nas festinhas na voz de Sheryl Crow. Não podendo deixar de ter a musiquinha na voz da tal Maria Xarope e ainda curioso para ver o que bandas como 4 Non Blondes, Duran Duran e Hootie & The Blowfish fariam com clássicos como Tangerine, Good Times Bad Times, Misty Mountain Hop e Four Sticks, adquiri a bolachita.

Na época devo ter achado tudo uma porcaria, mas, escutando atentamente, hoje diria que algumas versões realmente devem ser tidas com profundo apreço e a principal é a de Down By The Seaside. Além de ser uma belíssima canção ela recebeu um tratamento introspectivo e extremamente lírico pelo piano brilhante de Tori Amos (cantora e compositora de uma percepção absurda) e o dueto arrasador que a mesma Tori Amos mantém com Robert Plant por toda a faixa. Meu amigo, é o melhor cover já feito para uma faixa do Led, pode botar fé. Lembro que devo ter detestado a faixa porque de metal ela não tem porcaria nenhuma - uma guitarrinha tímida e um piano discreto - e eu era radical demais para apreciar qualquer tipo de música que não fosse metal. Quanta estupidez... é fantástico ver uma cantora e pianista do porte de Tori Amos (e agora estou até vendo meia dúzia de babacas torcendo o nariz e pensando - esse resenhista é uma bichinha mesmo... - pobres infelizes!) entregar-se tanto em uma performance de um ícone do rock 'n roll. São quase 8 minutos de deleite auditivo.
Sendo Down By The Seaside a última faixa e tendo sido por ela que iniciei a resenha, vou continuar de trás pra frente... no bom sentido rapaz! A faixa que a precede é Going To California - outra música fantástica do Led, que possui uma das melhores interpretações de Plant e que seria impossível de ser igualada (talvez só por Jorn Lande... hehehehe). Aí que me aparece esse tal de Never The Bride... aquele pianinho e uma voz rouquíssima e encorpada crescendo na música (Jorn Lande tem irmã?) me fizeram parar para relembrar milhões de coisas. Fantástica interpretação desta banda que nem sei se ainda existe... Never The Bride.
Bom, daqui pro começo acho que vai ser tudo mais fácil de explicar. A faixa 11, a antepenúltima, é Four Sticks, Jimmy Page com um riff inovador para a época, John Bonham com uma grande levada... vocal totalmente lisérgico! E Henry Rollins acertou a mão como um coice de cavalo! BOA! A Rollins Band não mudou muita coisa na música mas fez parecer que a música era deles, tão boa a performance de Henry Rollins aqui.
Custard Pie nunca foi das minhas favoritas, uma boa idéia e nada mais. A Faixa ficou a cargo do Helmet com a ajuda de David Yow - vocal do Jesus Lizard - que fez o que pode para inovar nos vocais mas cagou feio, muito feio... reafirmou meu nojo eterno de rock garagem alternativo, Nirvana, Sonic Youth e seus afins. Faixinha fraquinha.
Aí vem um tal de Cracker que só não destrói por completo a fantástica Good Times Bad Times porque não tem muito o que inventar ali, a música é muito curtinha... mas de novo aquele arzinho de banda neo-punk alternativa de garagem que pode ir pro inferno junto com Kurt Cobain e um vocal chorável a la Pete Farrell - aquela biba que canta na triste Jane´s Addiction e que foi o organizador do extinto Lollapalooza.
Na faixa 8 uma ilha de luz é trazida pelo competente Blind Melon com Out On The Tiles - execução competentíssima de guitarras, baixo e bateria. Aí vem Duran Duran - porra... Duran Duran? Tributo ao Led Zepellin? Cacete, não rola né? Resultado: considerando que Thank You possui realmente um arzinho lânguido, a música não ficou tão bisonha assim - o solo de guitarra chapado de efeitos ficou muito bom - mas no geral, totalmente esquecível.
Na faixa 6 me aparece ninguém menos que Big Head Todd and The Monsters... quem? Big Head To... aaah! Quem são esses?!? Deram uma roupinha meio country, meio party rock anos 90 e ficou razoável. A merda maior desse tributo é ver o trabalho brilhante de Jimmy Page mal executado por um bando de zé manés. Guitarras fracas aqui se comparadas com a original.
Dancin Days é uma boa faixa e o Stone Temple Pilots resolveu deixá-la bem acústica... argh! Não dá! Por ser uma versão diferente do original até que se torna interessante, mas ainda assim muuuuito fraca.
A faixa 4 é a já citada D'yer Mak'er que é brilhante. Brilhante mesmo! Podem encher meu saco pro resto da vida! Você não pegou nenhuma mina por causa dessa musica não? Então é por isso que não gosta dela. Uma grande faixa tocada por uma mina XAROPINHA dos infernos mas que fez com que o Led fosse um pouco mais conhecido mundo afora. E esse é o grande mérito que a faixa tem - ter sido utilizada para atrair mais fãs para o Led.
"I wanna tell ya about this girl I love, Oh my! She looks so fine..." Hey Hey What Can I Do é uma faixa legal do Led e o Hootie & The Blowfish impôs o que mais faltou nesse tributo: estilo. A pegadinha pop-blues caiu como uma luva e ficou fantástica! Bons vocais, bons violões, bom tudo.
E - porra, até que enfim! - o começo do disco com uma dupla que não merece nem um pingo do meu respeito: MANÁ - os mexicanos mela-cuecas ("como quisera pudera vivir sin aire") e 4 Non Blondes - a banda de uma música só (hey hey hey, I say hey hey hey... I say hey... whats going on?). Para não me alongar disparo logo: não gosto das versões originais e não seria dessas que ia gostar. Pra falar a verdade, tenho profunda aversão a Misty Mountain Hop e o 4 Non Blondes até que não fez feio na execução, mas, me desculpem, que musiquinha enjoada! Já o Maná me fez uma versão em espanhol - mas muuuuito bem executada - pra Fool in the Rain. Pena que a faixa não levanta ninguém da cadeira.
Resumo da Receita da Gororoba:
Temos performances espetaculares como a de Tori Amos e Robert Plant, outras boas como a da Rollins Band, umas fracas como a do Helmet e outras bem asquerosas como a do Cracker. Resultado: disco desigual demais. Não tem Black Dog, não tem Rock N Roll, nao tem Stairway to Heaven, nao tem Kashmir, nao tem Since I´ve Been Loving You... Porra! Assim também complica... Procurem as faixas boas pela net e descartem o resto. Boa pedida pra colecionador - Péssima pra quem pretende conhecer a banda através desse tributo!
Atlantic Records
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