Resenha - Lost Dogs: Rarities and B Sides - Pearl Jam
Por André Melo
Postado em 31 de março de 2004
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A chuvosa Seattle do início dos anos 90 projetou para fora de suas fronteiras várias bandas de grande impacto. Rapidamente o mundo todo recebeu notícias do que estava vindo daquela região, e o Brasil não ficou fora. Na época, garotos paulistas e cariocas vestindo sufocantes camisas de flanela saíram de suas casas enfrentando o tradicional sol de janeiro para ver o Nirvana e o Alice in Chains tocarem num dos mais importantes festivais brasileiros que se teve notícia, o Hollywood Rock (de 1993). Curiosamente, dez anos depois quase não se ouve mais falar daquele movimento. O grunge foi tão forte quanto rápido. Parece que a única banda que atravessou o período e ainda vive com um certo prestígio para contar a história é o Pearl Jam.

A resposta do porquê de a banda ter sobrevivido pode ser encontrada em Lost Dogs: Rarities and B Sides, seu mais recente lançamento. O tão prometido e adiado CD duplo traz uma coleção de b-sides, sobras de estúdio e de faixas lançadas anteriormente em trilhas sonoras, CDs beneficentes e os tradicionais singles de Natal que os caras mandam para o seu fã clube. Mesmo sendo uma coletânea, o álbum possui uma notável uniformidade musical que pode ser explicada pela opção feita pelo grupo em colocar as músicas mais pesadas no primeiro disco e as mais lentas no segundo, além de metade das faixas aqui presentes ter sido especialmente regravada.
O primeiro CD é arrebatador. Levanta a bola com o rockão All Night e mantém o nível até terminar com a grandiosa Yellow Ledbetter. Esta, assim como vários outros sons do CD, é lá do comecinho da banda, da época do campeão de público e crítica Ten. Mas a primeira parte de Lost Dogs é mais focada nas canções mais recentes e experimentais, aquelas que acabaram ficando fora de álbuns mais conceituais da banda, caso de Black, Red, Yellow, Down, Sad, U e Undone. A energia que os roqueiros mais convictos reclamam não haver mais nos discos do Pearl Jam pode ser encontrada de sobra nesse material atual.
O ritmo do segundo disco é ditado pelos violões presentes na belíssima Fatal e na tranqüila Other Side. Nele encontramos muitos dos b-sides de Ten - as baladas Footsteps, Wash e Brother e a suingada Dirty Frank - além de vários singles distribuídos ao fã-clube - Strangest Tribe, Drifting, Let Me Sleep e Last Kiss. Sem dúvida nenhuma, o clima é mais intimista e não tão universal quando o do primeiro CD. Dessa vez, não só as letras como também os vocais estão divididas por todo o grupo. Além da voz de Eddie Vedder, é possível ouvir Stone Gossard (Don't Gimme No Lip), Jack Irons (Whale Song) e Jeff Ament (Sweet Lew), todos cantando músicas de sua autoria.
Outras surpresas são os covers: a quase punk Leavin Here (hit da Motown), a surf music Gremmie Out of Control (clássico do Silly Surfers) e a já bem rodada Last Kiss. Como toda coletânea, essa também preteriu hits e outros bons sons, mesmo sendo um disco de raridades. Quem não se lembra de Crazy Mary, faixa que tocava sem parar nas rádios brasileiras entre 93 e 94 e que fazia parte de um tributo à Victoria Willians? E de Soldier of Love, lado B do single Last Kiss. Além destas, podiam muito bem marcar presença I Got Id, gravada com Neil Young, e a grande State of Love and Trust, parte da trilha sonora de "Singles, Vida de Solteiro", filme que mostrou toda a Seattle citada acima.
Como já é de costume da banda, o encarte veio caprichado, com um livreto com informações das músicas e depoimentos dos integrantes a respeito de cada uma delas. Muito bem feito. Lost Dogs poderia muito bem fazer um certo sucesso entre qualquer um que aprecie um rock trabalhado, cheio de referências e com um certo experimentalismo não contido, mas o preço médio sugerido para a coleção de raridades faz com que somente os fãs mais afoitos da banda o coloquem na coleção.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira o Line-Up completo do Bangers Open Air 2027
A banda que Max Cavalera considerava a "versão brasileira do Iron Maiden"
Ozzfest confirma retorno com edições em três países para 2027
O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
Bruce Dickinson quer novo disco do Iron Maiden, Steve Harris não sabe, diz Nicko McBrain
O clipe mais barato da história do Iron Maiden, segundo Dave Murray
A condição de Ricardo Confessori para voltar ao Shaman: "Se quiser trabalhar comigo, senta aí"
Regis Tadeu revela por que Robert Plant se recusa a ressuscitar o Led Zeppelin
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
A briga com Bruce Dickinson que quase faz Nicko McBrain largar o Iron Maiden
Cinco bandas do Bangers Open Air 2027 que fogem do óbvio e merecem sua atenção
Por que Derek Riggs não fez a capa de "Fear of the Dark", segundo o Iron Maiden
A reação dos filhos de James Hetfield quando o Metallica retomou suas masters
A fase do Soundgarden que Kurt Cobain considerava melhor e o comentário sobre Chris Cornell


Pearl Jam segue à procura de novo baterista, revela Jeff Ament
O que Johnny Ramone nunca conseguiu entender sobre o grunge
A curiosa história de duas músicas do grunge que nasceram do mesmo riff de guitarra
Os momentos em que Eddie Vedder sempre acaba se lembrando de Kurt Cobain
Os 100 melhores discos de rock dos anos 90, segundo o Classic Rock History
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


