Resenha - Lost Dogs: Rarities and B Sides - Pearl Jam

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Por André Melo
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A chuvosa Seattle do início dos anos 90 projetou para fora de suas fronteiras várias bandas de grande impacto. Rapidamente o mundo todo recebeu notícias do que estava vindo daquela região, e o Brasil não ficou fora. Na época, garotos paulistas e cariocas vestindo sufocantes camisas de flanela saíram de suas casas enfrentando o tradicional sol de janeiro para ver o Nirvana e o Alice in Chains tocarem num dos mais importantes festivais brasileiros que se teve notícia, o Hollywood Rock (de 1993). Curiosamente, dez anos depois quase não se ouve mais falar daquele movimento. O grunge foi tão forte quanto rápido. Parece que a única banda que atravessou o período e ainda vive com um certo prestígio para contar a história é o Pearl Jam.

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A resposta do porquê de a banda ter sobrevivido pode ser encontrada em Lost Dogs: Rarities and B Sides, seu mais recente lançamento. O tão prometido e adiado CD duplo traz uma coleção de b-sides, sobras de estúdio e de faixas lançadas anteriormente em trilhas sonoras, CDs beneficentes e os tradicionais singles de Natal que os caras mandam para o seu fã clube. Mesmo sendo uma coletânea, o álbum possui uma notável uniformidade musical que pode ser explicada pela opção feita pelo grupo em colocar as músicas mais pesadas no primeiro disco e as mais lentas no segundo, além de metade das faixas aqui presentes ter sido especialmente regravada.

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O primeiro CD é arrebatador. Levanta a bola com o rockão All Night e mantém o nível até terminar com a grandiosa Yellow Ledbetter. Esta, assim como vários outros sons do CD, é lá do comecinho da banda, da época do campeão de público e crítica Ten. Mas a primeira parte de Lost Dogs é mais focada nas canções mais recentes e experimentais, aquelas que acabaram ficando fora de álbuns mais conceituais da banda, caso de Black, Red, Yellow, Down, Sad, U e Undone. A energia que os roqueiros mais convictos reclamam não haver mais nos discos do Pearl Jam pode ser encontrada de sobra nesse material atual.

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O ritmo do segundo disco é ditado pelos violões presentes na belíssima Fatal e na tranqüila Other Side. Nele encontramos muitos dos b-sides de Ten - as baladas Footsteps, Wash e Brother e a suingada Dirty Frank - além de vários singles distribuídos ao fã-clube - Strangest Tribe, Drifting, Let Me Sleep e Last Kiss. Sem dúvida nenhuma, o clima é mais intimista e não tão universal quando o do primeiro CD. Dessa vez, não só as letras como também os vocais estão divididas por todo o grupo. Além da voz de Eddie Vedder, é possível ouvir Stone Gossard (Don't Gimme No Lip), Jack Irons (Whale Song) e Jeff Ament (Sweet Lew), todos cantando músicas de sua autoria.

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Outras surpresas são os covers: a quase punk Leavin Here (hit da Motown), a surf music Gremmie Out of Control (clássico do Silly Surfers) e a já bem rodada Last Kiss. Como toda coletânea, essa também preteriu hits e outros bons sons, mesmo sendo um disco de raridades. Quem não se lembra de Crazy Mary, faixa que tocava sem parar nas rádios brasileiras entre 93 e 94 e que fazia parte de um tributo à Victoria Willians? E de Soldier of Love, lado B do single Last Kiss. Além destas, podiam muito bem marcar presença I Got Id, gravada com Neil Young, e a grande State of Love and Trust, parte da trilha sonora de "Singles, Vida de Solteiro", filme que mostrou toda a Seattle citada acima.

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Como já é de costume da banda, o encarte veio caprichado, com um livreto com informações das músicas e depoimentos dos integrantes a respeito de cada uma delas. Muito bem feito. Lost Dogs poderia muito bem fazer um certo sucesso entre qualquer um que aprecie um rock trabalhado, cheio de referências e com um certo experimentalismo não contido, mas o preço médio sugerido para a coleção de raridades faz com que somente os fãs mais afoitos da banda o coloquem na coleção.

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