Resenha - Dark Saga - Iced Earth
Por Sílvio Costa
Postado em 14 de janeiro de 2004
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Quem gosta de histórias em quadrinhos deve estar, pelo menos, razoavelmente familiarizado com a história do Spawn. O personagem foi criado em no início da década de 1990 pelo escritor e ilustrador Todd McFarlane, que fez história na Marvel ao reformular o Homem-Aranha.
Pois bem, resumidamente, o Spawn é um mercenário que, ao morrer, negocia sua alma com um demônio em troca de poder rever sua amada esposa. Acontece que a mulher inicia um novo relacionamento (com o melhor amigo do marido morto) e, de quebra, Spawn se vê obrigado a ingressar nas hostes do inferno na inevitável batalha contra o paraíso.
Trata-se, portanto, de uma história de amor bastante mal-sucedida. Neste The Dark Saga, lançado em 1996, o Iced Earth narra de modo magistral esta história, contribuindo, com guitarras cortantes, letras muito bem sacadas e, acima de tudo, um bom gosto para arranjos e apresentação gráfica que já se tornaram clichê (no melhor dos sentidos) para quem vem acompanhando a banda.
Este é o primeiro grande disco do Iced Earth. Nesta época, o line-up estava, mais ou menos, estabilizado em torno do líder John Schaffer (G) e do incrível Matt Barlow (V) que, como muitos já devem saber, abandonou a banda e a carreira. Além deles, a banda conta com Mark Prattor (D), Randall Shawver (G) e Dave Abell (B). Gravado no legendário Morrisound Studio, o disco apresenta na capa um desenho original do próprio criador do Spawn. Antes de mais nada, louve-se a iniciativa de uma banda de heavy metal em fazer um disco conceitual - algo complicado e, quase sempre, com resultados desastrosos.
O disco começa com a faixa-título, que oferece uma espécie de resumo da história do Spawn. A melodia é lenta e a letra apresenta o atormentado personagem reclamando da traição de que foi vítima, tanto por parte do demônio ao qual ele se vendeu quanto por parte de sua amada. "Died for You" dá continuidade à história. Com um refrão grudento e ritmo cadenciado, ela parece estar preparando o caminho para a porrada que a sucede. "Violate" - uma referência a um dos servos do demônio, chamado Violador - é rápida e mortal. A interpretação agressiva de Barlow contribui significativamente para transformar esta faixa em uma das melhors do disco. "Hunter" é outra daquelas músicas típicas do Iced Earth, com um refrão pegajoso e uma melodia que fica martelando na cabeça por horas. Os demais destaques ficam para "Vengeance is Mine", outra faixa rápida e agressiva e "Slave to the Dark", que mostra, de certa maneira, a resignação do personagem através de versos melancólicos.
O disco fecha com a fantástica "A Question of Heaven". Na minha modestíssima opinião, é a melhor coisa que o Iced Earth já compôs até hoje. Ao lado de belíssimas intervenções de coros, uma linha de guitarra agressiva e, simultaneamente, muito melodiosa. Matt Barlow expõe a dualidade do personagem - perdido entre o amor incondicional por sua esposa e as obrigações assumidas em virtude deste mesmo amor - além de demonstrar o arrependimento e, finalmente, a redenção do soldado do inferno.
Este álbum é peça indispensável para quem já conhece a banda e sabe do que ela é capaz. Sem abrir mão de suas características básicas, o Iced Earth consegue transmitir com uma precisão absurda os sentimentos conflitantes de um dos mais atormentados personagens já criados para os quadrinhos.
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