Resenha - Dark Saga - Iced Earth

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Por Sílvio Costa
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Quem gosta de histórias em quadrinhos deve estar, pelo menos, razoavelmente familiarizado com a história do Spawn. O personagem foi criado em no início da década de 1990 pelo escritor e ilustrador Todd McFarlane, que fez história na Marvel ao reformular o Homem-Aranha.

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Pois bem, resumidamente, o Spawn é um mercenário que, ao morrer, negocia sua alma com um demônio em troca de poder rever sua amada esposa. Acontece que a mulher inicia um novo relacionamento (com o melhor amigo do marido morto) e, de quebra, Spawn se vê obrigado a ingressar nas hostes do inferno na inevitável batalha contra o paraíso.

Trata-se, portanto, de uma história de amor bastante mal-sucedida. Neste The Dark Saga, lançado em 1996, o Iced Earth narra de modo magistral esta história, contribuindo, com guitarras cortantes, letras muito bem sacadas e, acima de tudo, um bom gosto para arranjos e apresentação gráfica que já se tornaram clichê (no melhor dos sentidos) para quem vem acompanhando a banda.

Este é o primeiro grande disco do Iced Earth. Nesta época, o line-up estava, mais ou menos, estabilizado em torno do líder John Schaffer (G) e do incrível Matt Barlow (V) que, como muitos já devem saber, abandonou a banda e a carreira. Além deles, a banda conta com Mark Prattor (D), Randall Shawver (G) e Dave Abell (B). Gravado no legendário Morrisound Studio, o disco apresenta na capa um desenho original do próprio criador do Spawn. Antes de mais nada, louve-se a iniciativa de uma banda de heavy metal em fazer um disco conceitual - algo complicado e, quase sempre, com resultados desastrosos.

O disco começa com a faixa-título, que oferece uma espécie de resumo da história do Spawn. A melodia é lenta e a letra apresenta o atormentado personagem reclamando da traição de que foi vítima, tanto por parte do demônio ao qual ele se vendeu quanto por parte de sua amada. "Died for You" dá continuidade à história. Com um refrão grudento e ritmo cadenciado, ela parece estar preparando o caminho para a porrada que a sucede. "Violate" - uma referência a um dos servos do demônio, chamado Violador - é rápida e mortal. A interpretação agressiva de Barlow contribui significativamente para transformar esta faixa em uma das melhors do disco. "Hunter" é outra daquelas músicas típicas do Iced Earth, com um refrão pegajoso e uma melodia que fica martelando na cabeça por horas. Os demais destaques ficam para "Vengeance is Mine", outra faixa rápida e agressiva e "Slave to the Dark", que mostra, de certa maneira, a resignação do personagem através de versos melancólicos.

O disco fecha com a fantástica "A Question of Heaven". Na minha modestíssima opinião, é a melhor coisa que o Iced Earth já compôs até hoje. Ao lado de belíssimas intervenções de coros, uma linha de guitarra agressiva e, simultaneamente, muito melodiosa. Matt Barlow expõe a dualidade do personagem - perdido entre o amor incondicional por sua esposa e as obrigações assumidas em virtude deste mesmo amor - além de demonstrar o arrependimento e, finalmente, a redenção do soldado do inferno.

Este álbum é peça indispensável para quem já conhece a banda e sabe do que ela é capaz. Sem abrir mão de suas características básicas, o Iced Earth consegue transmitir com uma precisão absurda os sentimentos conflitantes de um dos mais atormentados personagens já criados para os quadrinhos.


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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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