Resenha - Covenant Progress - Crimson Moonlight
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 03 de janeiro de 2004
Nota: 9 ![]()
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Não vou entrar em questões religiosas e ficar discutindo as origens, conceitos e definições de black metal. Prefiro tomá-lo como um estilo dentro do metal, da mesma forma que o death, o thrash e o melódico, por exemplo. Os fanáticos podem ficar se digladiando em fóruns de discussão internet afora, mas que o black metal tem uma estrutura musical definida é fato, e dessa forma está aberto a qualquer um que queira fazê-lo.

Pois bem, esqueça o satanismo, o Crimson Moonlight é uma banda sueca (pasmen!) que pratica black metal, e que troca as letras satânicas por mensagens cristãs. Mas não espere clichês imortais deste tipo de composição. O que temos aqui são mensagens muito claras, reflexivas e profundas. Até quem não simpatiza muito com a idéia pode encontrar coisas muito interessantes se procurar com atenção.
Depois da repercussão de seu MCD "Eternal Emperor", o grupo volta agora com seu primeiro álbum cheio, este The Covenant Progress..., podemos ver que o pacto com Deus continua, mas em outra direção. Deixaram a atmosfera sinfônica um pouco de lado, o que particularmente considero muito bem vindo, visto que se aproxima mais do black metal raiz, mais cru, rápido e violento.
Bateria ultra veloz e trabalhada como de costume, a cargo de Gustave Elowson, sua precisão e pegada chamam a atenção durante todo o álbum, diferenciando (e muito!) a banda. Simon "Pilgrim" Rosen realmente arrasa nos vocais, rasgado e urrado na dose certa, sem soar "esganiçado" demais, um dos melhores vocalistas de black que já ouvi.
Felizmente a banda não deixa a velocidade e brutalidade requisitadas serem repetitivas e maçantes, e corrigem isso com muita técnica, guitarras, baixo e baterias bem trabalhados e quebrados, somados a pitadas de estilos como o thrash, prog, death e o heavy tradicional, responsabilidade essa de Peter Stenmarker (guitarra), Per Sundberg (guitarra), o já citado baterista Gustave Elowson e o baixista Hubertus Liljegren (irmão do vocalista do Narnia, Christian Rivel, o que explica o lançamento pela Rivel Records, gravadora deste).
Também é notável que a sinfonia não sumiu por completo, mas apresenta-se muito mais tímida, com exceção da última faixa – "The Covenant" é um longo tema instrumental, de uma beleza clássica e variações impressionantes, sombrio e emocional sem soar exagerado – de resto os elementos sinfônicos são pequenas passagens sempre sobrepostos pelo instrumental furioso e pela interpretação magistral de Simon. O massacre de "Eternal Emperor" e "A Thorn In My Heart" já fazem valer cada centavo gasto na aquisição.
A gravação feita por Tomas Johansson e Carl Johan Grimmark (guitarrista do Narnia), está perfeita, irrepreensível, deixando todos os instrumentos bem nítidos, densidade mantida, e exalando feeling e harmonia.
Para não me alongar mais, posso dizer tranqüilamente que este é um dos melhores álbuns de black metal do ano, e que não sofre de modismos e cirquinhos montados por aí. É feito por caras absolutamente competentes e seguros, que dosam perfeitamente técnica, pegada, velocidade, influências, rispidez, sinfonia e brutalidade. Se você gosta mesmo do estilo, compre-o sem medo.
Banda desconhecida no Brasil, mas em plenas condições de alcançar o reconhecimento internacional. Só espero que o preconceito e a mente fechada de alguns não impeça que isto aconteça.
Formação:
Simon "Pilgrim" Rosen (vocal)
Peter Stenmarker (guitarra, vocais)
Per Sundberg (guitarra)
Hubertus Liljegren (baixo, vocais)
Gustave Elowson (bateria)
Site Oficial: www.crimsonmoonlight.com
Track-List:
01 – Mist of The Spiritual Dimension
02 – The Pilgrimage
03 – Path of Pain
04 – Thy Wilderness
05 – Eternal Emperor
06 – A Painting In Dark
07 – Eyes of Beauty
08 – A Thorn In My Heart
09 – The Covenant
Tempo Total: 50:08 min.
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