Resenha - To Hell With the Devil - Stryper

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Por Maurício Gomes Angelo
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Considerados os "pais" do White metal, gênero musical caracterizado pelo heavy metal com letras que falam de Cristo, o Stryper surgiu para o mundo em 1983, formado pelos irmãos Michael Sweet (vocalista e guitarrista) e Robert Sweet (baterista), Oz Fox (guitarrista), e Timothy Gaines (baixista e tecladista). Esta banda reunia tudo o que uma banda de metal precisava ter, juntando todos os principais elementos do estilo: desde o excelente vocalista até o visual e presença de palco. Aliado à excelente técnica musical dos seus integrantes, "Stryper" deixou o seu nome na história, pela sua postura e pelo seu caráter revolucionário.

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A banda ficou famosa pelas suas apresentações ao vivo, muito energéticas e principalmente por jogar bíblias estilizadas da banda para a platéia e também pelo visual de seus integrantes. Para ilustrar, podemos citar um artigo da revista "Time" de março de 1985: "Se você tivesse de adivinhar o nome deles, diria 'Discípulos do Diabo', ou 'Os Belzebus'. Ou, talvez, 'As Abelhas Assassinas', que é o que os quatro rapazes no palco parecem com suas roupas de couro apertadas, com listas brilhantes pretas e amarelas. Muita maquiagem, cabelos compridos e correntes suficientes para amarrar metade dos elefantes na África completam a figura do grupo de Heavy Metal moderno. Até mesmo a música, o som de um enxame furioso de insetos, amplificado eletronicamente milhares de vezes, é coerente com a imagem."

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Por serem pioneiros em usar o Metal como meio de evangelização, o Stryper foi alvo de duras críticas e artigos venenosos como este acima, mas foram alvejados principalmente pela sociedade evangélica (e conservadora) americana, tendo quebrado muitas barreiras para se tornarem o mais importante grupo de white metal da história. A seguir um trecho da letra de "Loud N Clear", que ilustra bem o sentimento do grupo em relação a toda essa perseguição: "O cabelo é longo e os gritos são altos e claros. Roupas apertadas, brincos nas orelhas. Independente da nossa aparência, vamos sempre louvar o nome dele. E, se você crê, também deve fazer o mesmo". Como vocês podem ver, as letras vêm recheadas com experiências de vida, relacionamento com Cristo e principalmente com um apelo espiritual muito forte, uma verdadeira aula de como uma banda de white deveria agir.

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"To Hell With The Devil" é considerado o melhor trabalho deles e do white metal em geral. O álbum em questão foi o ápice musical e comercial do Stryper, ficando entre os top 40 da bilboard (algo então inédito para uma banda de white metal) e recebendo indicações para o Grammy.

A mistura de músicas pesadas e vigorosas como ("To Hell With The Devil", "The Way", "Rockin The World" e "More Than a Man"), com baladas doces e melódicas ("Honestly" e "All of Me") e ainda as clássicas e os meios termos disto tudo ("Free, Calling You" e "Holding On"), fizeram o sucesso do álbum.

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Abrindo o cd temos a apocalíptica introdução "Abbys", arrepiando todos os pêlos do corpo, e que prepara o território para ela – a música que é considerada o maior hino de todos os tempos do white metal, a música mais clássica e marcante do Stryper, a síntese de tudo, a representante de uma geração e com um lugar cativo na história: "To Hell With The Devil"!!!!!

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A melhor composição do Stryper, feita para se tornar hino oficial dos white metallers. Tudo aqui exala perfeição. Não estou falando de técnica absurda, solos virtuosos e coisas do tipo. A bateria meio deslocada – parece ter sido colocada de propósito para dar mais impacto – dá o pano de fundo perfeito para que Oz e Tim entrem em ação. Acima de tudo, cria o clima ideal para a voz de Michael, que canta em tom de batalha, de guerra e estoura os pulmões aos gritos de "To Hell With The Devil!!!! To Hell With The Devil! To Hell With The Deeeeeeevilllllllll"!!!!!!!!!! Simplesmente a música que resume um estilo musical, a história do white passa obrigatoriamente por ela, o maior clássico de todos os clássicos.

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"Calling You" deixa você respirar, mais cadenciada e melódica, clima típico dos anos 80, representante daquele estilo único que o Stryper criou. "Holding On" segue o estilo da anterior, semi-balada, expressiva e contagiante. "Free" é outro hino que se encontra nesse álbum, outro clássico, a música ficou perfeita e o seu refrão é contagiante – ideal para ser cantado em uníssono pela platéia nos shows - a dose certa de peso e passagens melódicas mostra toda a competência da banda, resultando numa música curta, objetiva e contagiante. "Honestly" é a balada símbolo do grupo, sucesso estrondoso nas paradas, "Sweet" desfila toda a sua interpretação, bela, doce, linda e perfeita, outra composição muito marcante. "The Way" tem a dose certa de peso e é uma das melhores do álbum. Solos magistrais, baixo arrebatador, bateria detonante, é Michael nos seus momentos mais agressivos. Impossível ficar parado, excelente em todos os aspectos. "Sing Along Song" tem um baixo muito presente e marcante, guitarra climática, bem climática, e a bateria dando o perfeito pano de fundo para Oz e Tim. Não diria que é uma balada. Em termos de Stryper passa longe disso (!?). A voz cadenciada e relaxada de Michael, que contrasta com a pegada forte da guitarra de Oz, também tem excelentes coros – que a platéia também se regozija ao cantar - grande música, nota-se toda a inspiração presente neste álbum. "Rockin The World" mostra bem o estilo da banda: os riffs e solos certeiros de Oz Fox, a bateria e o baixo encaixando perfeitamente e o primor vocal de Michael Sweet. É outra bem pesada, outro hino infalível.

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O que esperar de uma música com o nome de "Rockin The World"? Isso mesmo, rock, hard rock da melhor qualidade, peso e melodia transbordantes. Sabe o porque de ser um hino? Alguns versos para você entender melhor:

"You want it
We got it
Rock that lifts you up it doesn't bring you down
Stand for it
Fight for it"

"All of Me", outra balada com o selo de qualidade do Stryper, toda ao teclado, deixa você se recuperar do que ouviu até agora e se preparar para o que vem a seguir.

E o gran finale vem com "More Than a Man", um petardo com uma introdução animal, agressiva, pesada e inesquecível, e que ainda é considerada a melhor letra evangelística da banda. É heavy metal na veia, em doses cavalares, riffs destruidores, bateria massacrante. Impossível imaginar um desfecho melhor para este que é o melhor álbum de white metal de todos os tempos, que ainda te deixa com um gostinho de quero mais. Então é simples: aperte play de novo e reinicie o espetáculo.

A obra-prima destes mitos, que os levou definitivamente ao topo para nunca mais saírem, "To Hell With The Devil" é essencial para entender a revolução que eles causaram na música cristã. Se você for comprar dois álbuns de white metal, compre dois deste: o arrependimento é nulo e o prazer é inesgotável.

Este é o álbum indispensável para todos aqueles que dizem gostar de white metal, e acima de tudo, é indispensável para todos que se orgulham de ter o metal correndo nas veias, porque antes de mais nada é música de excelente qualidade.

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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