Resenha - Pearl - Janis Joplin
Por Ana Therezo
Postado em 14 de agosto de 2000
Na música, como em todas as formas de arte, podemos encontrar dois tipos de artistas: aqueles que, inspirados e talentosos em toda a sua existência (talvez por algo divino), criam e inovam, portanto surpreendem e chocam. Outros, que poderíamos chamar de "esforçados", adquirem experiência com o passar do tempo, contudo nunca chegando à genialidade, devido à falta de talento.
Olhando para a história da música podemos destacar esses gênios natos e, não raramente, perceber que seu reconhecimento fôra póstumo - talvez por estarem a frente de seu tempo.
Janis Lyn Joplin é um desses casos. Ela, que muitas vezes foi considerada uma lenda extravagante e escandalosa do rock, por outras revelou ser uma mulher sensível e frágil, que recusava comprometer suas convicções, mostrando-se antagonista e genial.
Ironicamente, seu último trabalho - inacabado, editado em 1971, retrata exatamente isso. "Pearl" (apelido da cantora), juntou o talento de Janis "The Full Tilt Boogie Band" - sua melhor, terceira e última banda; resultando no que poderíamos considerar um dos melhores álbuns de sua carreira, digno de qualquer discografia básica.
Em meio a uma de suas melhores fases, a cantora, já com uma considerável "bagagem" de shows e a gravação de um disco alavancado pelo não menos talentoso produtor Paul A. Rothchild (o mesmo do Doors), faleceu. Sua não tão inesperada morte por overdose de heroína e álcool, em 04 de outubro de 1970, privou Janis de saber que a música recém-gravada, "Me and Bobby McGee", dois meses depois se tornaria o maior sucesso de sua carreira (a canção ficou em primeiro lugar na parada norte-americana).
Também são desse disco "Buried Alive In Blues", que acabou se transformando em uma música instrumental, já que os vocais de Janis não puderam ser gravados antes de sua morte, "Cry Baby", "Move Over", "Half Moon", "Woman Left Lonely", "My Baby", "Trust Me", "Get It While You Can" e "Mercedes Benz". Essa última, mesmo 30 anos após sua morte, faz parte da trilha sonora da juventude, muitas vezes repetida em coro, sem nunca esquecer a risada da cantora no final - um momento único.
O símbolo do rock também era a "pérola branca do blues", trazendo sempre influências fortíssimas do estilo para suas interpretações, especialmente nesse álbum. Isso não era de se estranhar, já que Janis, fanática pela cantora de blues Bessie Smith, chegou até a custear sua lápide. Motivo: a original não tinha nem seu nome.
O presidente da Columbia Records escreveu em um dos encartes de um álbum de Janis: "Ela jogou fora, em poucos anos, toda a energia de uma vida". Acrescentaria às palavras dele o fato de que essa energia se tornou imortal através das músicas. E acredite, "Pearl" é a obra que melhor retrata isso!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
O trabalho desajeitado de Jimmy Page na guitarra que conquistou Robert Plant
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
Opinião: Não gosto de "Sgt Pepper's" dos Beatles
Regis Tadeu e as razões para o desinteresse pelo rock no Brasil e no mundo
O hit do Queen que fala sobre vida "agitada" de Freddie Mercury e bateu 2 bilhões no Spotify



Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
Dio: Quem fez mágica ou pisou na bola no novo tributo



