O esporro da Janis Joplin que mudou a vida de cantora que venderia milhões de discos
Por Bruce William
Postado em 03 de dezembro de 2025
Muito antes de ser conhecida pelos vestidos esvoaçantes, pelo tamborim e pelas baladas que lotariam estádios, Stevie Nicks era apenas uma adolescente do sul da Califórnia grudada no rádio do carro. Era assim que ela acompanhava à distância nomes como Janis Joplin, Jefferson Airplane, Buffalo Springfield e Jimi Hendrix, que chegavam em ondas de som e pareciam pertencer a outro mundo. O contato direto com aquela geração só veio quando Stevie começou a cantar em uma banda chamada Fritz, ao lado de Lindsey Buckingham, no fim dos anos 1960.
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Com o Fritz, Stevie passou a abrir shows de artistas bem mais conhecidos, entrando em palcos onde, poucos anos antes, só sonhava estar como fã. Foi em uma dessas ocasiões que ela acabou dividindo bastidores com Janis Joplin, já famosa pelos tempos com o Big Brother & the Holding Company e pela carreira solo, relata a American Songwriter. As duas viviam na mesma costa oeste, mas em degraus bem diferentes da escada da indústria: Joplin no topo, Nicks ainda tentando descobrir onde pisar.
Stevie conta que a primeira visão que teve de Janis não teve nada de glamourosa. A banda anterior tinha estourado o tempo, e Janis entrou no palco furiosa, mandando o grupo encerrar a apresentação às pressas. A jovem vocalista, que assistia tudo escondida ao lado do palco, ficou apavorada com a cena. Anos depois, em entrevistas, ela lembrou que não reconheceu Janis de imediato, porque ela não estava produzida para o show e parecia apenas uma figura pequena, desarrumada e disparando ordens para que tirassem os músicos dali.
Cerca de meia hora depois, a situação mudou completamente. "Trinta minutos depois, entra a Janis, muito diferente, com penas no cabelo, uma calça boca de sino fantástica, saltos altíssimos e uma blusa com pequenas mangas boca de sino, de um material sedoso e bonito, com contas, e aquele cabelo cacheado selvagem, completamente maluco", contou Stevie, que admitiu ter ficado em choque ao ver aquela mesma pessoa se transformar diante da plateia. "Fiquei arrasada com ela. Aprendi mais com ela naquela hora e meia - vendo como ela lidava com o público, como controlava o ritmo, como cantava - do que em qualquer outra hora e meia da minha vida."
Ao ver Joplin manter a plateia na palma da mão, Nicks entendeu que presença de palco não era só voz ou repertório: envolvia postura, ritmo, coragem para se impor quando algo dava errado e a capacidade de não se encolher diante de uma situação hostil. Ela passou a enxergar Janis como alguém que conseguia se impor em um cenário dominado por homens justamente porque não recuava diante do confronto e não suavizava o próprio jeito de ser.
Quando aquela noite aconteceu, Stevie Nicks ainda estava anos distante do Fleetwood Mac. Janis morreria em 1970, aos 27 anos, e Nicks só entraria na banda britânica cinco anos depois, ao lado de Lindsey Buckingham, depois de ver o projeto Buckingham Nicks fracassar comercialmente e perder o contrato com a gravadora. A partir daí, o grupo emplacaria discos que venderiam milhões de cópias, em especial "Rumours", lançado em 1977 e responsável por transformar Stevie em um dos rostos mais conhecidos do rock da época.
Ao longo desse caminho até chegar ao Fleetwood Mac, Nicks carregou consigo a impressão deixada por Joplin naquela apresentação que começou com um esporro e terminou em lição. A principal conclusão que tirou daquela noite era simples e dura ao mesmo tempo: para uma mulher tentar sobreviver no meio musical dominado por homens, não bastava cantar bem. Seria necessário aprender a encarar o palco com a mesma mistura de fragilidade e força que viu em Janis Joplin, mantendo a cabeça erguida mesmo quando o clima parecia completamente desfavorável.
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