Resenha - 2112 - Rush
Por Fabricio Boppre
Postado em 16 de dezembro de 1999
O trio canadense Rush gravou ao longo de seus mais de 20 anos de carreira vários excelentes discos. Se perdeu um pouco na metade da década de 80, gravando discos fracos (vide Grave Under Pressure e Presto), mas na década de 90 está voltando a lançar ótimos albuns (como Counterparts e Test for Echo). Mas foi a primeira década de vida da banda que nos deu os melhores álbuns do grupo. A banda começou com um estilo diferente do que viria a seguir: começou tocando um rock’n’roll básico nos dois primeiros discos, os excelentes Rush e Fly by Night, mas no terceiro álbum, Caress of Steel, começaram a mostrar que possuiam virtudes para fazeram algo mais complexo e inteligente do que o "básico" dos primeiros discos. E isso se deve principalmente a entrada do baterista Neil Peart, excelente letrista e um dos melhores bateristas do mundo. Os próximos álbuns já mostravam o Rush com seu estilo próprio, escrevendo músicas mais trabalhadas, maiores e subdivididas em partes, e, principalmente, com temas até então nunca usados na música. Entre 1975 e 1981 foram lançados os melhores discos do Rush, e, desses, um se destaca particularmente pelo seu conceito: 2112, que foi lançado em 1976.

O disco começa com a sensacional 2112, que tem mais de 20 minutos e é dividida em 7 partes. Nessa música, todos os integrantes da banda mostram do são capazes com seus respectivos instrumentos. Mas o que mais se destaca é a letra de Neil Peart. Nela, ele conta a história de uma sociedade futurística muito parecida com aquela descrita por Aldous Huxley em sua obra-prima Admirável Mundo Novo. É uma sociedade totalmente controlado por "Priests", que monitoram e censuram todos os aspectos da vida de seus cidadões. Mas tudo muda para um cidadão em particular, no dia em que ele acha um objeto que o liberta (?) dessa vida alienada. A música pode ser vista como uma parábola, muito atual por sinal, e o objeto encontrado pode ser interpretado de diversas maneiras.
A primeira parte da música é instrumental, e é simplesmente arrebatadora, mostrando todo o poder da cozinha do trio canadense. Logo depois, a segunda parte entra com a enigmática citação "...And the meek shall inherit the Earth" (...e o humilde irá herdar a terra). Nessa parte, Geddy Lee canta agressivamente introduzindo na histórias os Priests. Na terceira parte, Geddy muda radicalmente os vocais para falar do personagem principal e sua descoberta. Na quarta parte, em um duelo incrível de vocais de Geddy contra ele mesmo (personagem principal contra Priests), os Priests esnobam e ficam bravos com o nosso herói e sua descoberta. "Forget about your silly whim, it doesn't fit the plan", gritam os enraivecidos Priests. Na quinta parte, o personagem mostra-se confuso com tudo que está acontecendo e tem um sonho revelador. Na sexta parte, o personagem já tem consciência do horrível mundo em que vive e decide deixar-se morrer para se libertar. Destaque para a incrível interpretação de Geddy na hora da morte. Na última parte, os seres maravilhosos que apareceram no sonho do personagem voltam para retomar o controle do planeta. Tudo se encaixa perfeitamente na música: os solos de guitarra de Alex Lifeson; o baixo, também a cargo de Geddy; a bateria incrível de Peart e principalmente os vocais de Geddy. E mesmo depois de passados mais de 20 anos da composição da música, Geddy continua cantando ela perfeitamente, talvez melhor ainda do que antes. Não tem mais a potência que tinha aos 20 anos, mas agora possui melhor controle de sua voz, o que faz a diferença nessa música. É só escutar a sua interpretação dela no recente disco ao vivo Different Stages.
Outras músicas que se destacam são: Tears, que é uma belíssima balada acústica, com teclados muito bem encaixados e uma levada bem triste. The Twilight Zone, uma faixa surpreendente, que muda de estilo e ritmo sem perder a coesão; destaque para os vocais sussurrados baixinhos junto a Geddy no refrão, que deixa a música com um estranho tom sobrenatural. Something for Nothing, uma porrada de primeira, uma das marcas registradas da banda. Completam ainda o álbum as excelentes Lessons e A Passage to Bangkok.
Enfim, um excelente álbum. A primeira música se destaca pela qualidade técnica e lírica, mas todas as outras músicas são excelentes, formando um belo conjunto e tornando o disco indispensável.
Track List:
1. 2112
I- Overture
II - Temples of Syrinx
III - Discovery
IV - Presentation
V - Oracle: The Dream
VI - Soliloquy
VII - The Grand Finale
2. A Passage To Bangkok
3. The Twilight Zone
4. Lessons
5. Tears
6. Something For Nothing
Rush: Neil Peart (beteria), Geddy Lee (baixo e vocal) e Alex Lifeson (guitarra).
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda idolatrada por Eddie Vedder que nunca tocou no Brasil: "Ele era fanático"
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
Jim Root entende que novo álbum do Slipknot irá "magoar algumas pessoas"
De Megadeth a Bruce Springsteen, as 10 músicas mais sombrias da história do rock
Roger Waters e filho criam o Legacy, projeto que celebra a obra do Pink Floyd
O álbum de 1970 que vendeu mais que Beatles e Led Zeppelin
O astro do rock que "deu aula" no Rock in Rio 2026, segundo Gastão Moreira
Como surgiu a ideia de formar o Heaven & Hell, de acordo com Geezer Butler
O show de reunião que deixou Mick Jagger impressionado e querendo muito mais
Jim Root admite que último álbum do Slipknot não foi bom
Por que Tony Iommi acha que grandes músicos não conseguiam tocar Black Sabbath direito
Rudy Sarzo acredita que morte de Randy Rhoads não foi acidente: "Piloto sabia que ia fazer"
Por que Lobão foi expulso da Blitz às vésperas do estouro, segundo o próprio
O filme dos anos 90 que fez Dave Mustaine dar boas risadas
O período que John Paul Jones considera o pior de toda a história do Led Zeppelin

A canção dos anos 60 que Geddy Lee diz ser "heavy metal antes de existir heavy metal"
O álbum em que Geddy Lee acredita que o Rush finalmente encontrou seu equilíbrio
O show do Pink Floyd que Neil Peart colocou entre os melhores que já viu
O baterista idolatrado por Neil Peart e Stewart Copeland; "o auge inalcançável"
O baterista que conseguiu a façanha de ser tratado como deus por John Bonham e Neil Peart
Pye Dubois, letrista que colaborou com o Rush em "Tom Sawyer", morre aos 77 anos
Alex Lifeson admite que não tinha certeza sobre a volta do Rush
A relação que existe entre o Radiohead e o Yes, segundo Geddy Lee
O teste de bateria que fez Geddy Lee perceber na hora que Neil Peart era o cara certo
Regis Tadeu defende Roger Waters após polêmica envolvendo o Rush e manda recado aos fãs
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível


