Resenha - Where Moth and Rust Destroy - Tourniquet
Por Leandro Testa
Postado em 28 de setembro de 2003
Eles insistem no pitoresco. Rompem com o convencional. Fazem questão de serem diferentes, e eu adoro lances assim: loucos, insanos, empolgantes, principalmente se o caso em pauta tiver acabado de receber a contribuição do semideus Marty Friedman. Grande amigo, o ex-Megadeth topou fazer 90% dos solos, rachando também a primeira guitarra com Bruce Franklin (Trouble), no que injetou melodia, feeling e etc, algo que o antigo dono do posto (que resolveu deixá-lo às vésperas das gravações) nem sempre acertava a mão (pelo menos, não desta forma...).

Um esquema legal que em nada perdeu com a saída de Aaron Guerra, foram as sempre eficientes bases, as quais já costumavam ficar por conta do baterista/líder/fundador/co-produtor e multitarefas Ted Kirkpatrick naquilo que ele compunha (nada mais que praticamente todo o material), quando também dava uma de baixista na falta de um (esse entende!!!). Desta feita, o sujeito até se aventura em usar um artefato grego de oito cordas chamado bazuki, que soa como uma mistura de banjo/cítara, na introdução da magnífica "Healing Waters of the Tigris", remetendo ao próprio tema babilônico de que trata a letra.
É nesta que os fãs mais saudosistas terão seu breve momento de recordação, afinal, deve ser humanamente impossível ficar indiferente à agressividade bem no seu miolo, evocando os primórdios da banda. Não é à toa que ela já foi (ou ainda é) chamada de "Christian Progressive Thrash Metal" (escute "Convoluted Absolutes’ aos 3 minutos para crer), e a partir do álbum anterior, pôde-se incluir aí um outro adjetivo: ‘classical’.
São unicamente nessas intervenções que Where Moth and Rust Destroy acabou ficando pra trás (bem como na duração - 1h), pois agora estas se revelaram extremamente deslocadas no meio da já suficiente ‘esquisitice’. A questão é que Microscopic View of a Telescopic Realm (2000) teve excelentes idéias (algumas geniais, como o impressionante riff principal da faixa de abertura), mas não foi tão consistente quanto este, que traça uma seqüência natural, pura e simples, partindo do ponto em que o antecessor deixou, que de repente pode até agradar quem torceu o nariz para tanta ‘doidera’, por se tratar de um passo a frente (talvez pouco para quem demorou exatos três anos).
Ou seja, para quem proclama nunca querer se repetir, os americanos até que não foram tão fundo dessa vez, e mantiveram uma sonoridade muito próxima, quase uma continuação se comparados ao ‘groove’ de Vanishing Lessons (1994), que mudou bruscamente para a ‘piração’ penitente e agonizante, o sofrimento contido de Crawl to China (1997).
È claro que ainda se mantém uma pequena relação, como em "In Death We Arise", que fecha o CD no limite de um clima ‘doom’, mal se ouvindo o cantor, que ‘sorumbaticamente’ declama palavras abaixo da distorção e de um violino, aí sim muito bem encaixado, lindo e necessário.
Essencialmente quebrado, a palavra que bem resume isso é "imprevisibilidade" e se o leitor não quer nada que demande sucessivas audições, terá certa dificuldade em assimilar o material. Inicialmente eu daria uma nota 8, contudo, depois de meses de audição, queria ser bem justo e dizer que mais merece um 9.
Gerou dúvida, pensando única e exclusivamente em você, pois o vocalista Luke Easter não é do tipo que agradará a todos. Ele adota três seguimentos básicos: um mais normal, às vezes calmo e sussurrado ou bem grave e rouco, que são OK; outro desesperado, não raro acompanhado de ‘backings’ hardcore e o predominante, um tanto enjoado, digamos, "ardido", de vez em quando parecendo debochado ou um Johnny Gioeli (Hardline, Axel Rudi Pell) meio lunático e afetado, só que perfeitamente ‘acostumável’ (podia ter imitado o Ozzy novamente), pois, assim como as músicas longas, de variações mil, precisa de um tempo de maturação para os menos ecléticos (o antigo ‘frontman’, que ficou até ’93, também ora seguia uma linha Tim ‘Ripper’ Owens [ex-Judas], ora Lemmy [Motorhead]... vai entender!!!)
O que eu igualmente não consigo decifrar é como um crítico, que se diz da "imprensa especializada", "profissional do meio roqueiro", tem as manhas de dar um 8 para o penúltimo lançamento, enchendo a bola, e um 4 para este (a METADE?!?!?), metendo a boca, mesmo tendo imperado o alto nível instrumental. Não dá para confiar, nem acreditar que já lhe encheu a paciência, porque, por enquanto, essa desculpa só serve para os estilos há muito malhados. Quem sabe seja mais fácil manipular do que agir com sinceridade.
Meu conselho? Tire suas próprias conclusões...
Website oficial: www.tourniquet.net
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