Resenha - Live... Greetings From The Flow State - Dishwalla
Por Bruno Romani
Postado em 05 de setembro de 2003
Nota: 6 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Discos ao vivo, para se dizer o mínimo, possuem invariavelmente características ambíguas. O novo disco do Dishwalla, " Live…Greetings From the Flow State," não é uma exceção a regra. Ao contrário, o quinteto californiano abusou no quesito dubiedade. "Live…Greetings From the Flow State" é uma obra rodeada por perguntas sem resposta, ou por respostas que não condizem com o que deveriam ser as intenções iniciais da banda.

A primeira questão decorrente desse lançamento refere-se a sua natureza. Seria esse um disco caça-níqueis, tendo em vista que a banda possuí apenas três álbuns de estúdio, sendo os dois últimos fracassos em vendas e execução nas rádios americanas? Ou estaria a banda tentando apenas saciar aqueles que por razões distintas nunca tiveram a chance de acompanhá-la ao vivo?
Ao ter o disco em mãos e conferir que esse possuí apenas 12 números, o ouvinte pode ser levado pela idéia de que se trata de uma apresentação curta e grossa, sem direito a fírulas. No entanto, o que se tem é um álbum longo e cansativo. Os quase 10 minutos de "Moisture" (com direito a solo de bateria) e a versão gigantesca para o hit "Counting Blue Cars" (com intermináveis solos de guitarra) são apenas um aperitivo de um disco feito no melhor estilo Guns n’ Roses ao vivo.
A dúvida que surge aqui é, qual seria a razão para tantos solos se a intenção era um disco curto, e que deixasse com gostinho de "quero mais"? Se o argumento que aqui for usado defende que o Dishwalla estaria tentando captar em disco toda a atmosfera de uma apresentação da banda, por quê, então, fazer o uso de uma edição irritante e descarada, que abaixa o volume entre uma música e outra? É bom lembrar também, que os shows do Dishwalla possuem muito mais do que 12 músicas de duração. Nesse quesito, inexplicavelmente, a banda ficou em cima do muro. Nem reproduziu o show inteiro e tampouco reduziu-o de forma dramática.
O aspecto positivo de "Live…Greetings From the Flow State" reside, em grande parte, na roupagem rock dada pelo grupo a sua obra. As músicas do gelado disco "And You Think You Know What’s Life About" ganham em dinâmica, especialmente a candidata frustrada a hit "Once in a While." As canções do insosso "Opaline" parecem finalmente ter ganhado vida. "Somewhere in the Middle" e "Mad Life" comprovam essa teoria. Por outro lado, o quinteto se deu mal ao decidir arrefecer o clima rock, fazendo versões intimistas, como em "Angels or Devils" ou "Every Little Thing." O resultado é entediante.
Aliás, ter apostado tanto em "Opaline," o último álbum de estúdio, parece ter sido o erro da banda e, inacreditavelmente, eles persistem no erro, tendo em vista que os dois primeiros álbuns correspondem apenas por metade das canções aqui encontradas. Se a intenção do Dishwalla com esse disco era celebrar sua obra, qual seria a razão do maior número de músicas presente serem provenientes de "Opaline"? Estaria a banda tentando reciclar algo que não deu certo na primeira tentativa? Qual também seriam as razões para a exclusão dos sucessos "Charlie Brown’s Parents," "The Bridge Song" e "Until I Wake Up"? Finalmente, quais seriam os porquês para a rejeição das músicas do segundo álbum, presentes aqui somente com "Stay Awake," "So Much Time" e a já citada "Once in a While"?
A maior interrogação nesse CD, também é a que pode mais arranhar a credibilidade da banda. A versão de "Angels or Devils" não parece ter sido gravada ao vivo. Ou será que havia uma placa, iguais a aquelas de programa de auditório, pedindo silêncio no palco? Essa falta de ruídos de pessoas numa canção na qual há somente voz e piano é intrigante. Compare a introdução de "Give," que também se dá somente com voz e piano, com "Angels or Devils" e reflita. Pode ser assustador.
"Live…Greetings From the Flow State" não é a celebração da carreira de uma banda que um dia já esteve no topo. É, na verdade, o retrato da decadência de um grupo que escorregou em seus próprios erros. "Live…Greetings From the Flow State" vale para os fãs e para, quem sabe, estimular a carreira dos californianos. Nada mais.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As 4 melhores músicas de 1986, segundo Robert Smith, vocalista do The Cure
As 5 melhores músicas do Yes de acordo com o guitarrista Steve Howe
O maior vocalista da história, de acordo com a ciência
Axl Rose revela problema de saúde que tornou show do Guns N' Roses um desafio
5 bandas clássicas do prog rock que não têm mais nenhum membro original
5 clássicos do rock nacional cujas letras envelheceram mal
Combat Records anuncia retorno global com foco na América do Sul
A música do Pink Floyd que fez Roger Waters mudar de discurso sobre ex-colega de banda
Ritchie Blackmore sobre o Deep Purple: "Nunca senti que fosse algo extraordinário."
Os 10 discos essenciais do nu metal, segundo a Louder
O último show dos Doors com Jim Morrison que fez Ray Manzarek perceber que era o fim
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore adorava, mas não conseguia tocar ao vivo
Baterista não sabe até quando conseguirá tocar as músicas do Cannibal Corpse
Por que Glenn Hughes foi demitido do Black Sabbath, segundo Tony Iommi
Vocalista fala sobre desafios do Moonspell sendo uma banda portuguesa
Bandas em família que terminaram mal
O segundo álbum mais influente de todos os tempos, de acordo com Roger Waters
A condição "ofensiva e degradante" para participar do Chacrinha, segundo Dinho



A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Left To Die, o supergrupo tributo ao seminal Death, lança seu primeiro disco



